Influenciadores digitais estão redefinindo a popularidade entre pré-adolescentes, aponta pesquisa

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Resumo da pesquisa:
  1. Influenciadores digitais estão criando novas formas de reconhecimento e popularidade entre pré-adolescentes.
  2. O consumo de conteúdo nas redes sociais influencia quem é incluído ou excluído dos grupos escolares.
  3. Escolas e famílias precisam fortalecer a educação para o consumo e o letramento digital para reduzir os impactos negativos.
Pesquisador(es):

 Adriana Schneider Dallolio 

Maria Carolina Zanette 

Eliane Pereira Zamith Brito 

As redes sociais se tornaram parte da rotina de milhões de crianças e adolescentes. No entanto, seu impacto vai muito além do entretenimento. Uma pesquisa realizada em escolas brasileiras mostra que influenciadores digitais pré-adolescentes estão transformando a forma como constroem amizades, ganham prestígio e conquistam espaço entre os colegas. Além disso, o estudo indica que as referências de consumo apresentadas nas plataformas digitais podem influenciar diretamente os mecanismos de inclusão e exclusão no ambiente escolar.

O estudo foi conduzido pelas pesquisadoras Adriana Schneider Dallolio (USP), Maria Carolina Zanette (Neoma, França) e Eliane Pereira Zamith Brito (FGV EAESP), e publicado na revista científica European Journal of Marketing.

A pesquisa envolveu observações em três escolas particulares brasileiras, entrevistas com oito pré-adolescentes e 25 mães, educadores e psicólogos, além da análise de conteúdos publicados por influenciadores acompanhados pelos participantes. O objetivo foi compreender como a interação com influenciadores digitais afeta os comportamentos de consumo, as relações sociais e a construção da identidade nessa fase da vida.

Influenciadores digitais pré-adolescentes: novas regras de popularidade

Os pesquisadores identificaram que a popularidade entre pré-adolescentes não depende apenas de características tradicionalmente valorizadas, como aparência física, desempenho escolar ou participação em grupos específicos. Hoje, a capacidade de compreender tendências, acompanhar influenciadores e reproduzir comportamentos vistos nas redes sociais também se tornou um diferencial social.

Segundo o estudo, crianças e adolescentes desenvolvem novas habilidades relacionadas ao consumo. Entre elas estão a capacidade de combinar referências de diferentes influenciadores, adaptar estilos pessoais, selecionar conteúdos de nicho e criar formas próprias de expressão online.

Além disso, aqueles que dominam essas competências frequentemente conquistam maior reconhecimento entre os colegas. Em alguns casos, tornam-se referências na escola, influenciando gostos, tendências e comportamentos. Consequentemente, as redes sociais passam a desempenhar um papel importante na definição de quem ganha visibilidade e quem permanece à margem dos grupos.

Se encaixando e se destacando: consumo, inclusão e exclusão no ambiente escolar

Os resultados também revelam um efeito contraditório. Por um lado, as redes sociais podem ampliar a aceitação de jovens que não se encaixam em padrões tradicionais de beleza ou comportamento. A possibilidade de construir identidades mais diversas permite que alguns estudantes encontrem novas formas de reconhecimento.

Por outro lado, surge uma nova barreira social baseada no consumo e no engajamento digital. Os pesquisadores observaram que pré-adolescentes que não acompanham influenciadores, não participam das tendências online ou demonstram pouco interesse por conteúdos relacionados ao consumo tendem a enfrentar maior dificuldade de integração em determinados grupos.

Além disso, o estudo aponta que muitos pais têm dificuldades para acompanhar a velocidade das transformações digitais. Como resultado, influenciadores passam a ocupar um espaço crescente na formação de valores, preferências e hábitos de consumo.

Diante desse cenário, os autores defendem que escolas, famílias e formuladores de políticas públicas atuem de forma conjunta. Mais do que limitar o tempo de tela, eles sugerem investir em programas de educação para o consumo e para o letramento digital. Dessa forma, crianças e adolescentes podem desenvolver uma visão mais crítica sobre as mensagens recebidas nas redes sociais e construir relações sociais menos dependentes do consumo como forma de reconhecimento.

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