Empreendedores sociais da periferia enfrentam mais barreiras, mas têm o mesmo desejo de transformar a sociedade

empreendedores sociais
Resumo da pesquisa:
  1. Empreendedores sociais de baixa renda e de grupos mais favorecidos têm o mesmo compromisso com causas sociais.
  2. A falta de acesso a recursos financeiros, redes de contato e oportunidades limita o crescimento dos negócios sociais em territórios mais periféricos.
  3. Políticas públicas e programas de apoio mais inclusivos podem ampliar o impacto social gerado por esses empreendedores.
Pesquisador(es):

Edgard Barki

Jose Guilherme de Campos

Thomaz Rocha

Marcus Salusse 

André Samartini

O empreendedorismo social costuma ser apresentado como uma ferramenta importante para enfrentar problemas sociais e promover mudanças positivas nas comunidades. No entanto, nem todos os empreendedores têm acesso às mesmas condições para desenvolver seus projetos. Uma pesquisa recente analisou justamente como fatores sociais e econômicos influenciam a atuação de empreendedores sociais brasileiros que vivem em contextos distintos.

O estudo comparou empreendedores sociais da chamada base da pirâmide, grupo formado por pessoas que vivem em condições de maior vulnerabilidade econômica, com empreendedores de contextos mais favorecidos. Os resultados mostram que ambos compartilham o mesmo desejo de gerar impacto social, mas enfrentam desafios muito diferentes ao longo da jornada empreendedora. 

O estudo foi conduzido pelo pesquisador da FGV EAESP, Edgard Barki, em conjunto com Jose Guilherme de Campos, Thomaz Rocha, Marcus Salusse e André Samartini, e publicado na revista científica RAE - Revista de Administração de Empresas.

Os pesquisadores realizaram uma pesquisa com 101 empreendedores sociais de diferentes regiões do Brasil, sendo 41 pertencentes à base da pirâmide e 60 de grupos mais favorecidos economicamente. A análise avaliou aspectos como disposição para assumir riscos, capacidade de criar redes de relacionamento, acesso a recursos financeiros, percepção do ambiente de negócios e motivação para gerar impacto social.

 Empreendedores sociais da base da pirâmide enfrentam mais obstáculos para crescer

O principal resultado da pesquisa desafia uma percepção bastante comum. Muitas vezes, acredita-se que pessoas em situação de vulnerabilidade empreendem apenas por necessidade financeira. No entanto, o estudo mostrou que os empreendedores sociais da base da pirâmide possuem níveis de motivação social tão elevados quanto aqueles observados entre empreendedores de grupos mais favorecidos.

Em outras palavras, o desejo de melhorar a vida das pessoas e contribuir para suas comunidades está presente de forma semelhante nos dois grupos.

Por outro lado, as diferenças aparecem quando se observam as condições disponíveis para transformar essas ideias em iniciativas sustentáveis. Os empreendedores da base da pirâmide relataram maior dificuldade para acessar recursos financeiros, menor capacidade de ampliar suas redes de relacionamento e maior percepção de obstáculos no ambiente onde atuam.

Além disso, demonstraram menor disposição para assumir riscos, fator que pode limitar a criação de soluções inovadoras e a expansão dos negócios sociais.

 O potencial existe, mas precisa de apoio

Os resultados indicam que o desafio não está na falta de talento, criatividade ou compromisso social. O problema está nas barreiras estruturais que dificultam o desenvolvimento dessas iniciativas.

Para os autores, fortalecer ecossistemas de apoio é fundamental para ampliar o impacto desses empreendedores. Isso inclui mecanismos de financiamento mais acessíveis, programas de capacitação, incentivo à formação de redes e políticas públicas voltadas para territórios periféricos.

A pesquisa reforça ainda que empreendedores sociais de baixa renda não devem ser vistos apenas como beneficiários de políticas de desenvolvimento. Eles são agentes ativos de transformação social, capazes de criar soluções para problemas complexos de suas comunidades. Quando recebem condições adequadas para atuar, seu potencial de gerar inovação social pode contribuir para a construção de sociedades mais inclusivas, resilientes e menos desiguais.

Leia o artigo na íntegra. 

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Nota 2: Imagem gerada por Inteligência Artificial.