Economia circular: por que a tecnologia sozinha não basta?

Equipe analisa dados para fortalecer a economia circular em uma indústria por meio de tecnologias digitais e colaboração.
Resumo da pesquisa:
  1. A adoção de tecnologias digitais, por si só, não garante avanços na economia circular.
  2. Empresas obtêm melhores resultados quando transformam informações em conhecimento compartilhado.
  3. Investir em aprendizagem e colaboração torna as iniciativas sustentáveis mais eficientes e resilientes.
Pesquisador(es):

Ana Beatriz Lopes de Sousa Jabbour

Paula de Camargo Fiorini

Issam Laguir

Maciel M. Queiroz

A economia circular vem ganhando espaço nas empresas por propor um modelo que reduz desperdícios, reaproveita recursos e prolonga o ciclo de vida dos produtos. No entanto, uma pesquisa mostra que investir apenas em tecnologias digitais não é suficiente para alcançar esses resultados. Para que a economia circular realmente funcione, as organizações também precisam criar processos que permitam aprender, compartilhar informações e transformar dados em decisões mais inteligentes.

O estudo foi desenvolvido por Ana Beatriz Lopes de Sousa Jabbour, Paula de Camargo Fiorini, Issam Laguir, Maciel M. Queiroz, da FGV EAESP, e Charbel Jose Chiappetta Jabbour. Publicado no Journal of Knowledge Management, o trabalho analisou dados de 205 empresas de manufatura francesas por meio de uma pesquisa quantitativa. O objetivo foi compreender como as tecnologias digitais contribuem para o desenvolvimento da economia circular e quais fatores tornam essa relação mais efetiva em ambientes de negócios sujeitos a mudanças e incertezas.

Economia circular depende de tecnologia, mas também de gestão do conhecimento

Muitas empresas acreditam que investir em inteligência artificial, internet das coisas ou análise de dados é suficiente para avançar na economia circular. A pesquisa, porém, mostra que o verdadeiro diferencial está na capacidade de transformar essas informações em conhecimento compartilhado.

Segundo o estudo, empresas que estruturam processos para adquirir conhecimento, registrar experiências, construir um entendimento comum entre equipes e preservar aprendizados conseguem transformar melhor os dados gerados por tecnologias como inteligência artificial, internet das coisas e análise de dados em ações sustentáveis.

Além disso, a pesquisa mostra que esse aprendizado coletivo se torna ainda mais importante em cenários de incerteza, como mudanças econômicas, regulatórias ou de mercado. Nessas situações, organizações que compartilham conhecimento com rapidez conseguem adaptar seus processos, reduzir desperdícios e responder de maneira mais eficiente aos desafios da sustentabilidade.

Transformação digital vai além da adoção de novas tecnologias

Os resultados reforçam a ideia de que a transformação digital não deve ser vista apenas como a implantação de novas ferramentas tecnológicas. Antes de tudo, ela depende de pessoas, de processos e de colaboração. Por isso, empresas que desejam avançar na economia circular precisam incentivar o compartilhamento de conhecimento entre áreas, fornecedores e parceiros, além de registrar boas práticas e promover uma cultura de aprendizagem contínua.

Os autores também destacam que políticas públicas podem fortalecer essa transição ao incentivar ambientes de inovação colaborativa, ampliar o intercâmbio de conhecimento entre organizações e apoiar iniciativas que integrem transformação digital e sustentabilidade. Dessa forma, os investimentos em tecnologia têm maior potencial para gerar benefícios ambientais, reduzir o desperdício de recursos e tornar as cadeias de suprimentos mais resilientes.

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