Estudo sugere oportunidades de pesquisa e inovação para o ensino de empreendedorismo

Equipe reunida em ambiente de trabalho colaborativo durante sessão de brainstorming.
Resumo da pesquisa:
  1. Pesquisa propõe um modelo integrado que conecta ensino de empreendedorismo, apoio ao estudante e ecossistemas de inovação.
  2. Analisa lacunas no ensino atual, sugerindo práticas mais contextualizadas, como metodologias ativas e aprendizagem autônoma.
  3. Indica caminhos para transformar universidades em agentes reais de inovação e impacto social.
Pesquisador(es):

Dario Vedana

Tales Andreassi

O ensino de empreendedorismo vai muito além de oferecer um curso sobre como abrir uma empresa. Hoje, muitas universidades já incluem o empreendedorismo em sua grade curricular, mas ainda deixam de lado aspectos fundamentais como o apoio ao aluno e a conexão com o mercado e com a sociedade. Uma pesquisa recente, publicada na Revista de Administração de Empresas (RAE), propõe um novo modelo teórico para transformar esse cenário. Além disso, aborda como tornar o ensino de empreendedorismo mais eficaz, estratégico e conectado com o mundo real.

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Dario Vedana, professor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, e Tales Andreassi, professor da FGV EAESP. Os autores realizaram uma revisão integrativa da literatura científica, analisando 83 artigos publicados entre 2000 e 2023 nas bases Web of Science e EBSCO. Em suma, a análise buscou entender como o ensino de empreendedorismo se articula com o apoio universitário e com o ecossistema de inovação, propondo um modelo tridimensional para orientar pesquisas e práticas futuras.

Propostas para oportunidades de pesquisa e inovação em ensino de empreendedorismo

  1. Educação empreendedora precisa ir além da sala de aula

O estudo aponta que muitas instituições concentram esforços apenas no ensino. Dessa forma, ignoram aspectos fundamentais como o suporte a iniciativas dos alunos e a criação de um ambiente favorável ao empreendedorismo. O modelo proposto sugere que o desenvolvimento de empreendedores deve considerar três níveis. São eles: o individual (aluno e professor), o organizacional (estratégias da universidade) e o sistêmico (conexão com o ecossistema e políticas públicas).

  1. Ensino adaptado ao perfil do aluno adulto

A pesquisa destaca metodologias como a andragogia e a heutagogia, que valorizam a aprendizagem prática, autônoma e voltada à solução de problemas reais. Isso significa ensinar a empreender não apenas com teoria, mas com projetos, mentorias, contato com empresas e redes de apoio. Assim, é possível estimular a criatividade, a resiliência e a capacidade de inovar.

  1. Papel estratégico das universidades no ecossistema de inovação

Universidades empreendedoras não apenas ensinam: elas atuam como pontes entre pesquisa, mercado e sociedade. Segundo os autores, instituições de ensino superior devem formar parcerias com a indústria, atrair investimentos e colaborar com governos para transformar conhecimento em impacto. Isso inclui criar ambientes propícios à inovação, apoiar startups, promover o acesso ao mercado e fomentar uma cultura empreendedora.

Visão integrada para transformar o ensino

Portanto, a principal contribuição do estudo é oferecer uma visão integrada do ensino de empreendedorismo, que envolve não só o conteúdo das aulas, mas também o apoio contínuo ao aluno e a articulação com o ecossistema onde a universidade está inserida. O modelo propõe que universidades deixem de ser apenas fornecedoras de conhecimento e se tornem verdadeiras catalisadoras de inovação e desenvolvimento socioeconômico.

Ao considerar fatores como contexto regional, políticas públicas, acesso a recursos e redes de apoio, a proposta ajuda gestores, pesquisadores e formuladores de políticas a pensar estratégias mais eficazes e conectadas com a realidade. Por fim, a pesquisa reforça que ensinar a empreender é ensinar a transformar – ideias em negócios, conhecimento em impacto, universidade em agente de mudança.

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