Como enfrentar os futuros desafios do Ensino Superior brasileiro

Mãos segurando capelos e diplomas erguidos ao ar livre, representando formatura e conclusão acadêmica sob luz do pôr do sol
Resumo da pesquisa:
  1. A competição predatória e a influência de princípios neoliberais desafiam a gestão das universidades brasileiras, especialmente as privadas fora dos grandes grupos.
  2. Estudantes esperam resultados rápidos e práticos da universidade, o que pressiona as instituições a se adaptarem.
  3. A falta de um propósito institucional claro prejudica o posicionamento das universidades e sua conexão com a sociedade.
Pesquisador(es):

Marcello Romani-Dias

João Lins Pereira Filho

Gabriela Fracasso Moraes

Aline dos Santos Barbosa

Fernando Eduardo Kerschbaumer

As universidades brasileiras estão diante de um cenário cada vez mais desafiador. Com a concorrência acirrada no setor e estudantes exigindo resultados imediatos, muitas instituições enfrentam dificuldades para manter sua relevância e cumprir seu papel social. Assim, um estudo recente investigou como gestores universitários enxergam esse cenário e apontou caminhos para que o ensino superior brasileiro avance de forma mais sustentável, conectada às demandas da sociedade e aos desafios do presente.

O estudo foi conduzido por João Lins Pereira Filho, pesquisador da FGV EAESP, junto a Marcello Romani-Dias, Gabriela Moraes, Aline Barbosa, Fernando Kerschbaumer e Danielle dos Santos. Os resultados foram publicados na revista científica internacional British Educational Research Journal. Os pesquisadores entrevistaram 42 reitores e diretores acadêmicos de universidades brasileiras. A partir de entrevistas, aplicaram técnicas de análise de conteúdo para identificar os principais desafios e caminhos para o futuro da gestão universitária no Brasil.

O Ensino Superior enfrenta competição predatória, falta de clareza em seu propósito e expectativa crescente dos estudantes.

Um dos principais problemas identificados foi a competição predatória entre universidades, especialmente no setor privado. Portanto, a concentração de mercado em poucos grupos educacionais e a guerra de preços tornam o ambiente pouco colaborativo, dificultando a inovação e a diferenciação entre as instituições.

Outro desafio é lidar com as expectativas crescentes dos estudantes. Muitos esperam que a universidade promova ascensão social e empregabilidade rápida, o que é difícil em um país com grandes desigualdades sociais. Dessa forma, as exigências pressionam as universidades a oferecer experiências mais personalizadas e serviços que vão além da sala de aula.

Além disso, muitas instituições sofrem com a falta de clareza sobre seu propósito institucional. Sem saber exatamente qual papel devem desempenhar na sociedade, elas perdem força na comunicação com o público e na construção de uma identidade sólida.

Portanto, os autores fornecem recomendações práticas para mitigar os problemas identificados:

  • Ouvir o mercado e a sociedade: Estabelecer um diálogo contínuo com empresas, governos e comunidades para alinhar os cursos e serviços às necessidades reais do país
  • Colocar as pessoas no centro: Oferecer experiências de ensino mais humanas e tecnológicas ao mesmo tempo, incluindo apoio socioemocional e uso de ferramentas digitais.
  • Definir um propósito claro: As universidades devem ir além da formação profissional e contribuir para a construção de uma sociedade mais sustentável e justa.

Por fim, essas mudanças são essenciais para que o ensino superior brasileiro acompanhe as transformações do mundo e ajude a formar profissionais e cidadãos preparados para os desafios do futuro.

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