Confiança entre policiais aumenta a preparação para emergências

Sala de monitoramento ou treinamento com várias pessoas diante de computadores e uma tela grande ao fundo exibindo dados. Em primeiro plano, duas pessoas estão de costas vestindo camisetas pretas com os textos “POLÍCIA FEDERAL” e “POLÍCIA CIVIL”. O ambiente sugere colaboração entre forças policiais em análise ou operação institucional.
Resumo da pesquisa:
  1. A confiança dos policiais em seus colegas e na instituição influencia diretamente a percepção de preparo da organização para emergências.
  2. Os modelos estatísticos mostram que confiança na organização e nos pares é o principal fator associado à prontidão para resposta.
  3. O estudo indica ações práticas para fortalecer a confiança e melhorar o desempenho em situações críticas.
Pesquisador(es):

Nissim Cohen

Maayan Davidovitz

Gabriela Lotta 

Teddy Lazebnik

Emergências exigem respostas rápidas e bem coordenadas, especialmente no setor público, onde a linha de frente atua diretamente com cidadãos em situações de alta pressão. Por isso, entender o que influencia a preparação desses profissionais é essencial. Nesse contexto, a pesquisa analisada mostra que a confiança — tanto na organização quanto entre colegas — pode ser um fator decisivo para que policiais se sintam prontos para agir em situações de emergência. Assim, o estudo ajuda a compreender como relações de confiança entre profissionais moldam o desempenho de quem trabalha diariamente em cenários de risco.

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Nissim Cohen (Universidade de Haifa), Maayan Davidovitz (Universidade de Tel Aviv), Gabriela Lotta (FGV EAESP) e Teddy Lazebnik (Universidade Ariel), e publicado na International Public Management Journal. Para isso, eles realizaram uma pesquisa com 2.733 policiais militares e civis brasileiros, que responderam a um questionário sobre confiança em seus pares, nos comandantes e na instituição, além de suas percepções sobre o preparo da organização para emergências.

Como a confiança entre policiais influencia a prontidão para emergências

Os dados mostram que, embora os níveis gerais de confiança na instituição policial e nos comandantes sejam baixos, muitos policiais confiam bastante em seus colegas diretos. Isso é importante, pois a análise indica que essa confiança tem relação direta com a sensação de prontidão da organização. Em outras palavras, quanto mais o policial confia nos seus pares e na instituição, mais ele acredita que sua corporação está preparada para agir em situações de crises.

Além disso, a pesquisa revela que a confiança não funciona de forma simples. Há relações lineares e não lineares entre confiança e prontidão, mostrando que os vínculos sociais dentro das equipes são mais complexos do que parecem. Outro ponto relevante é que idade e renda não influenciam a percepção de prontidão.

O estudo conclui que a confiança é essencial para melhorar o desempenho em emergências. Assim, gestores públicos devem investir em estratégias que reforcem vínculos dentro das equipes, como treinamentos conjuntos, simulações realistas e atividades de fortalecimento de relacionamento entre profissionais. Esses esforços podem criar ambientes mais seguros, cooperativos e eficazes, especialmente em contextos de risco constante como o trabalho policial no Brasil.

Ao final, a pesquisa reforça que fortalecer a confiança não é apenas uma questão de clima organizacional, mas um passo fundamental para garantir respostas rápidas, humanas e eficientes em situações de emergência.

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