- Eleições intensificam conflitos interpessoais entre servidores públicos.
- O período eleitoral aumenta comportamentos que prejudicam o desempenho no trabalho.
- Órgãos mais politizados sofrem impactos mais fortes durante eleições.
As eleições são um pilar da democracia, mas também representam um período de incerteza para quem trabalha no setor público. Durante campanhas eleitorais, mudanças de governo e disputas políticas ganham espaço no cotidiano das instituições. Esse cenário pode afetar diretamente o comportamento dos servidores públicos, influenciando relações de trabalho, clima organizacional e desempenho. Entender, portanto, como eleições impactam servidores públicos é fundamental para garantir a continuidade e a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
O estudo foi conduzido por Gustavo Tavares, em coautoria com Joana Story e Gabriela Lotta, pesquisadoras da FGV EAESP, e publicado na Public Administration Review, uma das revistas mais prestigiadas da área de administração pública. A pesquisa analisou dados de 283 servidores públicos de carreira no Brasil, comparando o período das eleições presidenciais de 2022 com um momento de maior estabilidade política em 2023. Dessa forma, os dados foram coletados por meio de questionários aplicados antes e após a eleição, permitindo observar mudanças no comportamento ao longo do tempo.
Eleições e servidores públicos no dia a dia das organizações
Os resultados mostram que eleições funcionam como eventos de grande impacto dentro das organizações públicas. Ou seja, durante o período eleitoral, as posições políticas dos servidores podem se tornar mais visíveis, o que pode gerar tensões entre colegas. Como consequência, conflitos interpessoais e comportamentos desviantes aumentam, especialmente quando há diversidade de opiniões políticas no mesmo ambiente de trabalho.
Isso é importante porque crescimento de comportamentos nocivos no trabalho podem prejudicar o desempenho, diminuir o engajamento, levar a uma queda na qualidade nas entregas e a um maior absenteísmo. O estresse e a ansiedade provocados pela incerteza política comprometer até servidores de carreira com alta estabilidade e formação técnica.
Outro achado importante é que este processo pode mudar de acordo com a instituição em que os servidores trabalham. Órgãos mais suscetíveis à politização, ou seja, mais expostos à interferência de autoridades políticas eleitas, tendem a sofrer impactos mais intensos. Já organizações mais técnicas e autônomas conseguem preservar maior estabilidade durante o período eleitoral.
A pesquisa mostra que eleições influenciam o comportamento de servidores públicos de forma significativa, desafiando a ideia de neutralidade no serviço público. Para reduzir esses efeitos, os autores destacam a importância de fortalecer a estabilidade gerencial, ampliar a presença de servidores de carreira em cargos de liderança e investir em planejamento estratégico de longo prazo nas organizações públicas.
Por fim, gestores também têm papel central ao promover ambientes politicamente neutros, estabelecer regras claras de convivência e agir de forma preventiva para reduzir conflitos. Assim, compreender a relação entre eleições e servidores públicos é essencial para proteger as instituições democráticas e garantir serviços públicos mais eficazes, mesmo em períodos de alta tensão política.
Leia o artigo na íntegra.
Nota: alguns artigos podem apresentar restrições de acesso.
Crédito foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
