Por que desenvolver líderes individualmente pode não ser suficiente para transformar uma empresa

Liderança estratégica em equipes com executivos reunidos discutindo estratégias e decisões conjuntas
Resumo da pesquisa:
  1. Desenvolver equipes de liderança gera resultados mais consistentes do que treinar apenas gestores individualmente.
  2. A troca de experiências entre diferentes empresas fortalece a capacidade de tomar decisões estratégicas.
  3. Um ambiente seguro para o diálogo e o debate construtivo melhora a colaboração e a qualidade das decisões.
Pesquisador(es):

Roberto S. Vassolo

Natalia Weisz

Rodoflo Q. Rivarola

Alberto Willi

Diego M. Coraiola

Delfina Cornejo

As decisões mais importantes de uma empresa raramente dependem de um único líder. Ainda assim, muitos programas de desenvolvimento continuam focados apenas nas competências individuais. Uma pesquisa internacional mostra que oferecer treinamento em liderança estratégica a grupos de gestores de uma mesma equipe, em vez de capacitar executivos isoladamente, fortalece a colaboração, melhora a tomada de decisões e amplia a capacidade das organizações de enfrentar mudanças.

O estudo foi desenvolvido por Roberto S. Vassolo, Natalia Weisz, Rodolfo Q. Rivarola, Alberto Willi, Diego M. Coraiola (FGV EAESP) e Delfina Cornejo, e publicado na revista Academy of Management Learning & Education. Os pesquisadores analisaram um programa de formação em liderança estratégica realizado entre 2014 e 2024 com equipes de alta gestão de organizações da América do Sul, para entender como o aprendizado coletivo influencia as decisões estratégicas.

Como a liderança estratégica em equipes melhora as decisões

Ao contrário de treinamentos tradicionais, que treinam cada gestor separadamente, o programa reuniu equipes completas de liderança, incluindo seus principais executivos. Além disso, organizações que não competiam entre si compartilharam desafios reais e diferentes formas de enfrentar problemas estratégicos.

Segundo os pesquisadores, esse formato estimulou discussões mais abertas e ajudou os participantes a enxergar situações que antes passavam despercebidas. Em vez de evitar conflitos, o programa incentivou debates construtivos em um ambiente de confiança. Como resultado, as equipes passaram a refletir melhor sobre suas decisões e a construir soluções de forma conjunta.

Além disso, os participantes relataram maior integração entre diferentes áreas, reconhecimento de desafios comuns, mais sensibilidade às necessidades de outros departamentos e uma postura mais colaborativa diante das divergências. Consequentemente, esses fatores fortaleceram a coesão das equipes sem exigir mudanças estruturais na empresa.

Aprender em grupo gera mudanças mais duradouras

Por fim, os autores concluem que a liderança estratégica depende tanto das competências individuais quanto da capacidade das equipes de construir soluções em conjunto. Por isso, programas voltados ao desenvolvimento coletivo tendem a gerar resultados mais efetivos do que iniciativas focadas no aprendizado individual da liderança estratégica. Assim, para empresas que buscam inovar e se adaptar a cenários complexos, investir no aprendizado compartilhado pode se tornar um importante diferencial competitivo.

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