Empreendedorismo para refugiados: o que torna um curso realmente eficaz?

Mulheres refugiadas participando de curso de empreendedorismo com uso de celular e atividades colaborativas.
Resumo da pesquisa:
  1. Pesquisa identificou três fatores que tornam a educação empreendedora mais eficaz para pessoas refugiadas: linguagem acessível, vínculo emocional e ferramentas práticas.
  2. O uso de tecnologias simples, como o WhatsApp, facilitou a aprendizagem e a troca de experiências entre as participantes.
  3. O estudo mostra que programas adaptados à realidade dos alunos aumentam as chances de aplicação do conhecimento e de geração de renda.

 

Pesquisador(es):

Empreendedorismo para refugiados pode representar muito mais do que uma oportunidade de gerar renda. Para quem precisou reconstruir a vida em outro país, abrir um negócio também pode ser um caminho para conquistar autonomia e se integrar à sociedade. No entanto, barreiras como idioma, dificuldade para conseguir crédito e falta de redes de contato tornam esse processo mais desafiador. Um estudo recente mostra que cursos tradicionais de empreendedorismo nem sempre atendem às necessidades desse público. Também identifica quais estratégias realmente ajudam refugiados a transformar conhecimento em oportunidades concretas.

O estudo foi conduzido pelos pesquisadores Luciana Padovez Cualheta e Edgard Barki, da FGV EAESP, e publicado na revista Cadernos Gestão Pública e Cidadania. A pesquisa analisou um curso de empreendedorismo voltado para mulheres venezuelanas refugiadas no Brasil. Os pesquisadores realizaram entrevistas com participantes, mentores e instrutores, acompanharam parte das alunas um ano após o curso e observaram as interações realizadas pelo WhatsApp durante a formação.

Empreendedorismo para refugiados: mais do que ensinar a abrir um negócio

Os pesquisadores observaram que ensinar técnicas de gestão, sozinho, não basta para quem enfrenta desafios como deslocamento forçado, dificuldades financeiras e adaptação cultural. Portanto, o sucesso do programa esteve na combinação entre conteúdo prático e uma metodologia construída a partir da realidade das participantes.

O primeiro fator identificado foi a linguagem contextualizada. O curso era, ao mesmo tempo, focado em ensinar a língua portuguesa e empreendedorismo, além de utilizar exemplos ligados aos pequenos negócios das próprias alunas, tornando conceitos complexos mais fáceis de entender. Além disso, os conteúdos eram curtos, objetivos e voltados para problemas reais do dia a dia.

Outro resultado importante foi a criação de vínculos emocionais. Embora com aulas a distância e gravadas, as participantes construíram uma rede de apoio entre si, e, por meio de grupos no WhatsApp, compartilharam experiências, trocaram sugestões para melhorar seus negócios e comemoraram conquistas coletivamente. Segundo o estudo, esse ambiente fortaleceu a confiança e aumentou o engajamento ao longo da formação.

Tecnologia simples pode fazer diferença na aprendizagem

A pesquisa também mostra que soluções acessíveis podem gerar impactos relevantes. O WhatsApp, por exemplo, foi escolhido como principal ferramenta de comunicação e como plataforma de ensino, porque já fazia parte da rotina das participantes. Dessa forma, o programa evitou dificuldades relacionadas ao uso de novas plataformas e facilitou a interação entre alunas, mentoras e instrutora.

Além disso, outros recursos contribuíram para colocar o aprendizado em prática. Uma feira virtual ajudou as empreendedoras a divulgar seus produtos e conquistar clientes, enquanto um pequeno capital semente permitiu que elas investissem nos próprios negócios logo após a conclusão do curso.

Para os pesquisadores, esses resultados mostram que programas de empreendedorismo para refugiados tornam-se mais eficazes quando reconhecem as experiências de vida dos participantes e reduzem as barreiras que dificultam o aprendizado. Em vez de apenas transmitir conhecimento, iniciativas como essa fortalecem a autonomia, ampliam o sentimento de pertencimento e criam condições para que o empreendedorismo se torne uma ferramenta de inclusão social e geração de renda.

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Nota: imagem criada por Inteligência Artificial.