- Estudo aponta fatores que despertam inveja "negativa" em consumidores e impactam na relação com marcas
- Resultados mostram que não gostar da pessoa invejada pode despertar sentimento negativo, mesmo que a sua vantagem seja merecida
- Ainda, inveja negativa pode ser intensificada se a vantagem não for merecida e causada por fatores controláveis
- Artigo foi publicado no “Journal of Business Research”
A pesquisa investigou, em três estudos diferentes, os efeitos de inveja “positiva” (benigna) e “negativa” (maligna) em atitudes e escolha da marca. Foram empregadas diferentes configurações competitivas (processo de seleção de empregos, concurso promocional e programa de intercâmbio acadêmico), perfis de amostra (painel online, torcedores adultos de futebol e alunos de graduação) e categorias de marcas (corporativas, bens de consumo e marcas de serviço). Dados da empresa Toluna foram utilizados em dois dos experimentos descritos no artigo.
Pesquisas anteriores mostram que o sentimento de merecimento é um fator-chave na distinção entre a inveja maligna e benigna. Ou seja, a inveja benigna ocorre quando a vantagem do indivíduo invejado é percebida como merecida, enquanto a inveja maligna é despertada quando a vantagem é percebida como imerecida.
Dando um passo além, os resultados do novo estudo trazem dois principais insights importantes. O primeiro diz respeito à forma como os consumidores atribuem causas a vantagens não merecidas de outros e a intensidade da inveja despertada: se a vantagem da pessoa invejada foi obtida indevidamente por meio de ações controláveis, a inveja maligna é ainda mais forte.
O segundo achado diz respeito à afeição do consumidor à pessoa em vantagem e o tipo de inveja despertada. Os resultados demonstram que, mesmo em casos de vantagem percebida como merecida, indivíduos podem experimentar inveja maligna quando não gostam da pessoa invejada.
De acordo com os autores, “se uma pessoa invejada não é apreciada pela pessoa invejosa ou se a vantagem da pessoa invejada foi obtida indevidamente por meio de ações controláveis, ocorre a inveja maligna, diminuindo assim a atitude e a escolha da marca”.
“Portanto, dependendo do subtipo de inveja desencadeado, um consumidor pode desenvolver sentimentos hostis por um outro invejado, o que então influencia sua escolha de marca e sua atitude em relação à marca associada à experiência de inveja".
“Mostramos que a natureza dual da inveja pode levar a consequências diferentes para as marcas, e o uso da inveja como ferramenta de marketing pode sair pela culatra”, avaliam. “Se a inveja surge como o subtipo de inveja maligna, o vínculo entre o consumidor e o produto ou organização enfraquece, reduzindo a atitude positiva do consumidor em relação à marca. Isso também pode fazer com que o consumidor escolha o produto de um concorrente, o que pode impactar negativamente a participação de mercado da marca original”.
Confira a artigo:
