- Propaganda brasileira vem ao longo dos anos representando imagens femininas que são inconsistentes com a população feminina brasileira
- Entre 1995 e 2015, houve sub-representação de mulheres em atividade profissional, mulheres não-brancas, com sobrepeso, e acima de 40 anos, assim como a intersecção destas dimensões
- Os resultados indicam a necessidade de mudanças para que a propaganda brasileira reflita e contribua com a cultura, acompanhando os avanços sociais e retratando de forma mais realista as características da população
As autoras também identificaram uma alta homogeneidade da representação tanto do corpo da mulher brasileira na propaganda – cor de pele branca (94,1% da amostra), em idade adulta (69%), com tipo físico magro (56,9%) – quanto dos papéis de gênero em que é representada: 51,3% das mulheres aparecem em "papel decorativo", preocupada com sua atratividade física e como objeto sexual.
Além disso, o estudo conseguiu identificar que a distribuição da representação feminina nos anúncios impressos da amostra não era consistente com a distribuição da população feminina brasileira em termos de idade, tipo físico e cor de pele ou raça. "As características únicas do Brasil, como a população mestiça, os valores patriarcais, o status do corpo na cultura, e o preconceito sutil associado ao mito de democracia racial, tornam o país um interessante cenário para analisar quem são as mulheres invisíveis na propaganda", provoca Luciana Messias Shinoda, co-autora da pesquisa.
Para as pesquisadoras, os resultados indicam a necessidade de mudanças para que a propaganda brasileira opere como um sistema de representação visual que possa refletir e contribuir com a cultura, acompanhando os avanços sociais conquistados nos últimos anos, com uma maior diversidade de papéis de gênero, e retratando de maneira mais realista as características da mulher brasileira.
"Uma potencial solução seria buscar por uma maior igualdade de gênero e diversidade de características físicas no ambiente de trabalho das agências de publicidade e das empresas anunciantes, de forma que o ambiente de trabalho contribua para a redução do atraso da propaganda em representar avanços sociais e culturais", sugere Inês Pereira, que também é autora no estudo.
Confira o estudo na íntegra
