Pesquisador(es):
Christiano dos Santos Berti
Por Christiano dos Santos Berti, pós-graduando do Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP
O setor de saúde brasileiro enfrenta uma crise sem precedentes, com desafios que testam a resiliência das instituições em todo o país. A pressão inflacionária nos hospitais e o aumento dos custos com tecnologias médicas são apenas parte do problema. Além disso, os planos de saúde lidam com altas taxas de sinistralidade, que agravam ainda mais a sustentabilidade financeira dessas instituições. Diante desse cenário, a necessidade de um gerenciamento eficaz e baseado em evidências é mais urgente do que nunca.
O mercado de saúde atual é caracterizado pela complexidade, incerteza e a necessidade constante de tomada de decisões sobre questões estratégicas e operacionais. Muitas vezes, as escolhas impactam negativamente a operação das instituições de saúde. Estratégias de redução de custos, como a adoção da "medicina baseada em evidências", são frequentemente negligenciadas.
O gerenciamento de mudanças baseado em evidências promove a utilização de práticas embasadas cientificamente. Por exemplo, a contratação de treinamento especializado deve incluir uma análise prévia das evidências sobre a eficácia da capacitação e uma comparação entre os resultados antes e depois do treinamento com grupos de controle, garantindo uma avaliação precisa dos resultados alcançados.
Esse tipo de prática fundamenta-se em dois princípios-chave: primeiro, mudanças planejadas têm mais chances de sucesso quando orientadas por práticas cientificamente embasadas; e segundo, a aplicação regular de quatro fontes de evidências -- científica, organizacional, de stakeholders e experiência dos praticantes -- melhora substancialmente a qualidade das decisões relacionadas às mudanças, desde que os critérios de confiabilidade sejam rigorosamente seguidos.
Organizações dos mais diversos setores podem oferecer exemplos de gerenciamento baseado em evidências. No setor de saúde, o Royal Free Hospital, em Londres, implementou um programa que reduziu significativamente as taxas de infecção hospitalar e melhorou a eficiência operacional. Da mesma forma, a Mayo Clinic, nos Estados Unidos, utilizou uma abordagem baseada em evidências para reorganizar seus processos de atendimento, resultando em melhorias na satisfação dos pacientes e na eficiência do fluxo de trabalho.
Evidências de qualidade e práticas baseadas nelas são cruciais para transformar o processo de mudança, fortalecer a confiança nos líderes e engajar todos os níveis da organização. Com dados confiáveis e um processo baseado em evidências, a implementação de mudanças torna-se mais previsível e controlável.
Adicionalmente, a comunicação reiterada e consistente da visão institucional também é vital para alinhar os funcionários aos objetivos estratégicos. Quando os líderes não se comunicam eficazmente com a equipe, pode haver resistência às mudanças propostas. Reiterar a visão fortalece o entendimento e o comprometimento da equipe, assegurando que todos estejam cientes de seu papel no sucesso da mudança.
A importância da comunicação eficaz pode ser ilustrada pelo caso de um hospital que descobriu, por meio de sessões de reflexão em grupo, que os médicos eram mais receptivos a mudanças quando influenciados por seus pares. Esse insight levou a uma adaptação nas estratégias de comunicação e implementação, resultando em maior adesão e eficácia das mudanças planejadas.
Para uma organização de saúde prosperar em um ambiente de mudanças constantes, é essencial fomentar um ambiente de adaptação e crescimento. A sobrevivência e o sucesso sustentável das instituições de saúde dependem da capacidade de ancorar suas práticas em evidências sólidas e científicas.
O gerenciamento de mudanças baseado em evidências não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade estratégica para garantir um futuro sustentável e eficaz. A adoção de práticas cientificamente comprovadas não apenas mitiga riscos, mas também assegura a sustentabilidade das instituições de saúde. Chegou o momento de adotar uma abordagem que garanta não apenas a sobrevivência, mas o sucesso contínuo.
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Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.
Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão.
O setor de saúde brasileiro enfrenta uma crise sem precedentes, com desafios que testam a resiliência das instituições em todo o país. A pressão inflacionária nos hospitais e o aumento dos custos com tecnologias médicas são apenas parte do problema. Além disso, os planos de saúde lidam com altas taxas de sinistralidade, que agravam ainda mais a sustentabilidade financeira dessas instituições. Diante desse cenário, a necessidade de um gerenciamento eficaz e baseado em evidências é mais urgente do que nunca.
O mercado de saúde atual é caracterizado pela complexidade, incerteza e a necessidade constante de tomada de decisões sobre questões estratégicas e operacionais. Muitas vezes, as escolhas impactam negativamente a operação das instituições de saúde. Estratégias de redução de custos, como a adoção da "medicina baseada em evidências", são frequentemente negligenciadas.
O gerenciamento de mudanças baseado em evidências promove a utilização de práticas embasadas cientificamente. Por exemplo, a contratação de treinamento especializado deve incluir uma análise prévia das evidências sobre a eficácia da capacitação e uma comparação entre os resultados antes e depois do treinamento com grupos de controle, garantindo uma avaliação precisa dos resultados alcançados.
Esse tipo de prática fundamenta-se em dois princípios-chave: primeiro, mudanças planejadas têm mais chances de sucesso quando orientadas por práticas cientificamente embasadas; e segundo, a aplicação regular de quatro fontes de evidências -- científica, organizacional, de stakeholders e experiência dos praticantes -- melhora substancialmente a qualidade das decisões relacionadas às mudanças, desde que os critérios de confiabilidade sejam rigorosamente seguidos.
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- Obtenha observações diretas sobre o problema que a mudança pretende resolver, como um gestor que observa o atendimento ao cliente para identificar problemas de desempenho e depois conversa com profissionais experientes.
- Colete métricas quantitativas confiáveis e dados qualitativos representativos sobre a situação problemática. Vá além das impressões gerais para obter informações detalhadas por unidade ou departamento.
- Reúna informações de vários grupos de stakeholders (gestores, funcionários, pacientes/clientes) sobre suas percepções do problema e possíveis soluções, garantindo que a comunicação seja segura e confidencial.
- Realize uma pesquisa direcionada na literatura científica. Sua organização pode não ser a primeira a enfrentar desafios relacionados à inovação, eficiência ou retenção. O que a literatura científica diz sobre essas questões? Utilize bases de dados como Google Scholar e Business Source Premier para averiguar.
Organizações dos mais diversos setores podem oferecer exemplos de gerenciamento baseado em evidências. No setor de saúde, o Royal Free Hospital, em Londres, implementou um programa que reduziu significativamente as taxas de infecção hospitalar e melhorou a eficiência operacional. Da mesma forma, a Mayo Clinic, nos Estados Unidos, utilizou uma abordagem baseada em evidências para reorganizar seus processos de atendimento, resultando em melhorias na satisfação dos pacientes e na eficiência do fluxo de trabalho.
Evidências de qualidade e práticas baseadas nelas são cruciais para transformar o processo de mudança, fortalecer a confiança nos líderes e engajar todos os níveis da organização. Com dados confiáveis e um processo baseado em evidências, a implementação de mudanças torna-se mais previsível e controlável.
Adicionalmente, a comunicação reiterada e consistente da visão institucional também é vital para alinhar os funcionários aos objetivos estratégicos. Quando os líderes não se comunicam eficazmente com a equipe, pode haver resistência às mudanças propostas. Reiterar a visão fortalece o entendimento e o comprometimento da equipe, assegurando que todos estejam cientes de seu papel no sucesso da mudança.
A importância da comunicação eficaz pode ser ilustrada pelo caso de um hospital que descobriu, por meio de sessões de reflexão em grupo, que os médicos eram mais receptivos a mudanças quando influenciados por seus pares. Esse insight levou a uma adaptação nas estratégias de comunicação e implementação, resultando em maior adesão e eficácia das mudanças planejadas.
Para uma organização de saúde prosperar em um ambiente de mudanças constantes, é essencial fomentar um ambiente de adaptação e crescimento. A sobrevivência e o sucesso sustentável das instituições de saúde dependem da capacidade de ancorar suas práticas em evidências sólidas e científicas.
O gerenciamento de mudanças baseado em evidências não é apenas uma recomendação, mas uma necessidade estratégica para garantir um futuro sustentável e eficaz. A adoção de práticas cientificamente comprovadas não apenas mitiga riscos, mas também assegura a sustentabilidade das instituições de saúde. Chegou o momento de adotar uma abordagem que garanta não apenas a sobrevivência, mas o sucesso contínuo.
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Texto originalmente publicado no blog Gestão e Negócios do Estadão, uma parceria entre a FGV EAESP e o Estadão, reproduzido na íntegra com autorização.
Os artigos publicados na coluna Blog Gestão e Negócios refletem exclusivamente a opinião de seus autores, não representando, necessariamente, a visão da Fundação Getulio Vargas ou do jornal Estadão.
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