- Jovens brasileiros participam do piloto coletando e compartilhando informações sobre chuvas
- Dados compartilhados por meio do app possibilitarão um planejamento de risco de inundação mais preciso em nível local e nacional
- Projeto internacional conta com a participação de pesquisadores brasileiros da Universidade de Warwick, da Fundação Getúlio Vargas (FGV EAESP) e do Cemaden
O piloto está sendo realizado em quatro escolas brasileiras na região do M’Boi Mirim, em São Paulo, e em Rio Branco, no Acre, e será expandido na próxima fase para 81 escolas espalhadas pelo país. Os estudantes do ensino fundamental e médio estão sendo capacitados para medir os níveis de chuva em pluviômetros artesanais feitos com garrafas PET e registrar os dados em um aplicativo desenvolvido pelos pesquisadores para reunir e centralizar as informações digitalmente. O app será lançado ao público no segundo semestre deste ano e qualquer pessoa poderá utilizar e gerar dados.
Mais dados e capilaridade
O projeto faz a medição hidrológica de maneira científica (calculando o nível do rio e o volume de chuva), mas a participação da população na coleta de dados — pela chamada ciência cidadã — permite gerar uma rede e agregar informações sobre diferentes regiões, como os bairros de periferia, dando mais capilaridade aos dados, explica João Porto de Albuquerque, professor da Universidade de Warwick, na Inglaterra, e pesquisador principal do projeto. “Nossa pesquisa busca transformar a experiência cotidiana e o conhecimento de indivíduos em uma base de dados abrangente, precisa e atualizada sobre como o clima está afetando comunidades em todo o Brasil”, diz.
Além de trabalhar com as escolas, os pesquisadores também estão coletando informações sobre o histórico de chuvas e inundações com as pessoas idosas que vivem nas regiões há décadas — dessa forma, suas memórias se tornam dados cruciais para a defesa futura contra enchentes. “O fato de o projeto envolver pesquisadores de diversas áreas, como informática, administração pública e psicologia, entre outras, permite que sejam captadas diferentes perspectivas para o mesmo fenômeno”, enfatiza Maria Alexandra Cunha, pesquisadora da FGV EAESP que coordena a área de Tecnologia e Governo do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo (CEAPG) e participa do projeto. No país, a pesquisa é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
Os dados compartilhados por meio do aplicativo possibilitarão um planejamento de risco de inundação mais preciso em nível local e nacional. “O projeto contribuirá para o entendimento das multidimensões das vulnerabilidades sociais das comunidades que vivem em áreas propensas a inundações, o que é útil para subsidiar o processo de tomada de decisão para melhorar nossos alertas”, comenta Liana Anderson, pesquisadora do Cemaden. A Universidade de Heidelberg, na Alemanha, também faz parte do projeto.
