- A pesquisa explora como a Gestão de Recursos Humanos (GRH) pode impedir ou facilitar o surgimento de práticas de liderança colaborativas, essenciais para enfrentar grandes desafios globais;
- O estudo critica o foco individualista presente nas práticas de GRH, como a gestão de desempenho e a gestão de talentos, propondo uma abordagem mais colaborativa e inclusiva;
- A pesquisa destaca a importância da liderança processual, que é co-criada por todos os membros da organização, como um caminho para gerar impacto social positivo.
O estudo de Souza baseia-se em uma análise crítica das práticas tradicionais de GRH, como gestão de desempenho, desenvolvimento de liderança e gestão de talentos. A pesquisa utiliza exemplos teóricos e práticos para demonstrar como essas práticas perpetuam um foco no indivíduo, em vez de promover a colaboração e a liderança processual.
O estudo revela que a abordagem tradicional de Gestão de Recursos Humanos está profundamente enraizada no individualismo.
Práticas como o desenvolvimento de liderança e a gestão de talentos tendem a valorizar poucos indivíduos dentro de uma organização. Muitas vezes essas práticas excluem os demais colaboradores de decisões importantes. Além disso, o sistema de gestão de desempenho com foco na avaliação individual perpetua a ideia de que os resultados dependem de esforços isolados. Isso negligencia a importância da colaboração e da ação coletiva.
O artigo defende que, em vez de se concentrar em líderes únicos, a GRH deve promover a liderança como um processo interativo e comunicativo. Essa perspectiva processual da liderança é co-criada por todos os membros da organização, sendo baseada na colaboração, na negociação e, muitas vezes, no desacordo construtivo. A liderança emerge como resultado dessas interações, e não como uma habilidade exclusiva de um único líder.
Também é preciso repensar a gestão de talentos. Atualmente, muitas organizações priorizam um grupo restrito de "talentos-chave", o que reforça a exclusão e limita a diversidade de ideias. Em vez disso, as empresas devem adotar uma visão mais ampla, aproveitando a expertise coletiva de toda a força de trabalho. Valorizar a diversidade de habilidades e experiências não apenas promove um ambiente mais inclusivo, mas também é crucial para enfrentar desafios complexos de forma mais eficaz.
Para enfrentar os grandes desafios globais, as organizações precisam adotar uma abordagem mais inclusiva e colaborativa.
Isso significa revisar profundamente as práticas de GRH, começando por reconfigurar a forma como se avalia o desempenho e se desenvolvem os talentos. As teorias centradas no líder e a gestão de desempenho individual devem ser substituídas por uma mentalidade coletiva, onde todos os membros da organização contribuem para o sucesso conjunto.
O estudo sugere que a GRH deve adotar uma visão mais processual da liderança, focada na construção de colaboração e na co-criação de soluções. Dessa forma, as organizações podem não apenas melhorar seus resultados internos, mas também contribuir de maneira significativa para o bem comum e para a sustentabilidade social.
Por fim, essa mudança pode transformar as organizações, tornando-as mais resilientes e preparadas para enfrentar crises globais, como a desigualdade e as mudanças climáticas. Em última análise, a transformação da GRH e das práticas de liderança é essencial para criar um impacto positivo duradouro na sociedade.
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