- Artigo analisa produção científica sobre a resiliência dos sistemas de saúde antes e depois da pandemia e propõe agenda de pesquisa sobre o tema
- A ciência brasileira tem potencial para ampliar estudos sobre resiliência dos sistemas de saúde em colaboração internacional
- As principais dimensões a serem aprofundadas em pesquisas sobre a resiliência do SUS são governança e liderança, financiamento, recursos e prestação de serviços
Os autores realizaram coleta de dados em artigos científicos disponíveis em bases de dados SciELO, Web of Science, Scopus e PubMed e em relatórios técnico-científicos de instituições nacionais e internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A busca considerou os termos “sistema de saúde” e “resiliência”, e os pesquisadores identificaram a aplicação desse conceito em duas perspectivas distintas – anterior e posterior à pandemia de Covid-19.
Os primeiros resultados internacionais datam do período entre 2012 e 2014, discutindo perspectivas das políticas de saúde após a crise econômica global. O aumento de publicações sobre resiliência ocorreu a partir de 2015, relacionado à alta demanda dos sistemas de saúde em países de baixa renda no contexto da epidemia do vírus Ebola na África Ocidental. A abordagem foi aprimorada durante a pandemia de Covid-19, que evidenciou a importância da preparação aos alertas de saúde, do gerenciamento e do aprendizado a partir do choque.
Já no Brasil, os estudos de resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS) pré-pandemia analisam principalmente programas e políticas de saúde mental e saúde dos trabalhadores, alinhados com a implementação de iniciativas como a Estratégia Saúde da Família (ESF) e com a discussão sobre impactos de medidas de austeridade fiscal no SUS. Durante a pandemia, os estudos abordaram os impactos das desigualdades na resposta à emergência de saúde e o desafio em manter a funcionalidade do sistema.
Resiliência do SUS: estudos podem detalhar desafios de financiamento e capacidade de resposta à crise
O artigo identificou quatro dimensões principais a serem aprofundadas em pesquisas sobre o SUS: governança e liderança, considerando a articulação entre governos federal, estadual e municipal nas respostas ao choque; financiamento, discutindo a destinação e gestão de recursos públicos e privados; recursos, incorporando discussões sobre força de trabalho, infraestrutura, medicamentos e tecnologias; e prestação de serviços, investigando a operação dos serviços de resposta à crise e a manutenção de outros serviços de saúde essenciais.
Entre os desafios para a agenda de pesquisa sobre a resiliência do SUS, estão a falta de estudos internacionais sobre a resiliência dos sistemas de saúde de países como Turquia, México e África do Sul, com contexto socioeconômico similar ao brasileiro. “No caso brasileiro, essa realidade é ainda impulsionada pela grande complexidade da conformação do seu sistema de saúde, que, apesar de ter a universalidade e a integralidade como princípios do SUS, convive com baixo financiamento crônico, frágil organização regional e presença de forte subsistema privado que compete com o sistema público”, aponta o estudo.
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