- Maioria das despesas de combate à covid-19 no Brasil foi executada após o pico de casos de 2020, o que aponta falta de planejamento de gestão na pandemia
- Recursos adicionais ao Ministério da Saúde foram solicitados apenas no final de fevereiro de 2021, quando a segunda onda de mortes já havia superado os números de 2020
- Para reverter subfinanciamento do SUS, é necessário revogar medidas de austeridade fiscal e aumentar capacidade de arrecadação pública
Em artigo publicado na revista “Saúde Debate”, o pesquisador da FGV EAESP Luís Paulo Bresciani e colaboradores analisam as ações orçamentárias do Ministério da Saúde para o enfrentamento à pandemia no ano de 2020 e no primeiro quadrimestre de 2021.
Segundo os autores, o quadro já era crítico por conta da redução do orçamento federal para financiar o SUS por conta da Emenda Constitucional 95, de 2016, que definiu teto de gastos públicos até 2036. A medida de austeridade fiscal acarretou congelamento das despesas com Ações e Serviços Públicos de Saúde, que estão concentradas, em maioria, na esfera federal (56%).
Durante a pandemia, a lentidão na alocação de recursos adicionais para o Ministério da Saúde, mesmo em contexto de estado de calamidade pública, evidenciou a necessidade de revogação das limitações estabelecidas pela Emenda Constitucional 95, aponta o estudo. Os autores também citam a importância de medidas governamentais como reforma tributária centrada em ganhos de patrimônio a fim de aumentar a capacidade de arrecadação pública.
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