Resumo da pesquisa:
- Estudo analisou a correlação entre renda e pressão arterial para 136 países ao longo de três décadas
- Resultados apontam curva em forma de U invertido, com correlação positiva para países de baixa renda e negativa para os de renda elevada
- Pesquisadores denominam tendência de ‘curva de Kuznets do coração’
Pesquisador(es):
À medida que os países ficam mais ricos, alguns indicadores de saúde, como a mortalidade infantil, parecem ter tendências bem definidas. Outros indicadores, incluindo condições cardiovasculares, no entanto, não seguem padrões lineares claros de evolução com o desenvolvimento econômico. A pressão arterial alterada é um sério fator de risco à saúde, com consequências para o crescimento e a longevidade da população, além de gastos públicos e privados em saúde e produtividade do trabalho. Trata-se também de um fator agravante importante para certas doenças, como tem sido observado na pandemia da Covid-19.
Pesquisa publicada recentemente na revista científica “World Development”, uma das mais prestigiadas do mundo na área de desenvolvimento econômico, constatou tendências distintas entre países nas suas jornadas de crescimento: enquanto países pobres apresentaram risco cardíaco aumentado, países ricos tiveram risco cardíaco diminuído. O estudo tem como autores Hitoshi Nagano, professor do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da FGV EAESP, e José Antonio Puppim de Oliveira, docente do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmicos em Administração Pública e Governo (CDAPG) da instituição.
Para determinar a correlação entre renda e pressão arterial, os pesquisadores analisaram séries temporais para a pressão arterial sistólica média (PAS) da população masculina (mmHg) e o produto interno bruto per capita nominal (PIBPC) para 136 países no período de 1980 a 2008 usando regressão e análise estatística pela correlação de Pearson (r).
“Nosso estudo encontrou uma tendência semelhante a uma curva em forma de U invertido, a qual denominamos ‘curva de Kuznets do coração’. Existe uma correlação positiva, com aumento do PIBPC e aumento da PAS nos países de baixa renda, e uma correlação negativa nos países de alta renda, onde o aumento do PIBPC leva a uma diminuição da PAS”, diz Nagano.
A tendência apresentada no gráfico em forma de U invertido foi inicialmente proposta por Simon Kuznets, prêmio Nobel de Economia em 1971, para relações entre desigualdade e crescimento econômico. Desde então, diversas "curvas de Kuznets" têm sido constatadas em temas como obesidade e impacto ambiental, por exemplo.
De acordo com os autores do estudo, à medida que a renda do país aumenta, as pessoas tendem a mudar suas dietas e hábitos e a ter melhor acesso aos serviços de saúde e educação, o que afeta a pressão arterial. No entanto, tais fatores podem não compensar o aumento da pressão sanguínea até que os países atinjam uma certa renda. Por isso, investir cedo na educação em saúde e nos cuidados preventivos pode evitar o aumento acentuado da pressão arterial à medida que os países se desenvolvem e, portanto, evitar a 'curva de Kuznets do coração' e seus impactos econômicos e humanos.
O aumento da renda para os países pobres foi positivo em diversos indicadores em saúde (como a mortalidade infantil) e educação, mas não para a pressão arterial sistólica. Esse indicador oferece um risco silencioso, cujo impacto no coração e outros órgãos se manifesta a longo prazo. Ou seja, ônus na rede de saúde (principalmente a rede pública) não é observado imediatamente. “É como uma ‘bomba-relógio’ a estourar décadas adiante”, alerta Nagano.
“Isso se não houver uma detonação antecipada, como a incidência da atual pandemia. Aos médicos, gestores públicos e demais atores da saúde, fica o alerta. Acreditamos que um estudo detalhado de regiões do país e por estrato social possa revelar tendências similares”, analisa.
Confira o artigo no link.
Pesquisa publicada recentemente na revista científica “World Development”, uma das mais prestigiadas do mundo na área de desenvolvimento econômico, constatou tendências distintas entre países nas suas jornadas de crescimento: enquanto países pobres apresentaram risco cardíaco aumentado, países ricos tiveram risco cardíaco diminuído. O estudo tem como autores Hitoshi Nagano, professor do Departamento de Tecnologia e Ciência de Dados da FGV EAESP, e José Antonio Puppim de Oliveira, docente do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmicos em Administração Pública e Governo (CDAPG) da instituição.
Para determinar a correlação entre renda e pressão arterial, os pesquisadores analisaram séries temporais para a pressão arterial sistólica média (PAS) da população masculina (mmHg) e o produto interno bruto per capita nominal (PIBPC) para 136 países no período de 1980 a 2008 usando regressão e análise estatística pela correlação de Pearson (r).
“Nosso estudo encontrou uma tendência semelhante a uma curva em forma de U invertido, a qual denominamos ‘curva de Kuznets do coração’. Existe uma correlação positiva, com aumento do PIBPC e aumento da PAS nos países de baixa renda, e uma correlação negativa nos países de alta renda, onde o aumento do PIBPC leva a uma diminuição da PAS”, diz Nagano.
A tendência apresentada no gráfico em forma de U invertido foi inicialmente proposta por Simon Kuznets, prêmio Nobel de Economia em 1971, para relações entre desigualdade e crescimento econômico. Desde então, diversas "curvas de Kuznets" têm sido constatadas em temas como obesidade e impacto ambiental, por exemplo.
De acordo com os autores do estudo, à medida que a renda do país aumenta, as pessoas tendem a mudar suas dietas e hábitos e a ter melhor acesso aos serviços de saúde e educação, o que afeta a pressão arterial. No entanto, tais fatores podem não compensar o aumento da pressão sanguínea até que os países atinjam uma certa renda. Por isso, investir cedo na educação em saúde e nos cuidados preventivos pode evitar o aumento acentuado da pressão arterial à medida que os países se desenvolvem e, portanto, evitar a 'curva de Kuznets do coração' e seus impactos econômicos e humanos.
O aumento da renda para os países pobres foi positivo em diversos indicadores em saúde (como a mortalidade infantil) e educação, mas não para a pressão arterial sistólica. Esse indicador oferece um risco silencioso, cujo impacto no coração e outros órgãos se manifesta a longo prazo. Ou seja, ônus na rede de saúde (principalmente a rede pública) não é observado imediatamente. “É como uma ‘bomba-relógio’ a estourar décadas adiante”, alerta Nagano.
“Isso se não houver uma detonação antecipada, como a incidência da atual pandemia. Aos médicos, gestores públicos e demais atores da saúde, fica o alerta. Acreditamos que um estudo detalhado de regiões do país e por estrato social possa revelar tendências similares”, analisa.
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Categorias: Administração pública Economia política
