Como a Inteligência Artificial está transformando a Administração Pública

Pessoa utilizando um laptop e uma caneta digital em um tablet sobre a mesa, com diversos painéis virtuais sobrepostos representando inteligência artificial, análise de dados, segurança, calendário e gráficos. A cena remete ao uso de tecnologia avançada e IA em ambiente de trabalho corporativo.
Resumo da pesquisa:
  1. A Inteligência Artificial (IA) pode aprimorar decisões públicas, mas exige governança ética e responsável.
  2. A racionalidade limitada continua sendo um conceito essencial para entender as decisões humanas e algorítmicas.
  3. Pesquisas futuras devem integrar IA, psicologia cognitiva e ciências administrativas para fortalecer a governança digital.
Pesquisador(es):

A Inteligência Artificial na Administração Pública vem revolucionando a forma como governos planejam políticas e tomam decisões. Se antes gestores públicos dependiam apenas da experiência e da intuição, hoje contam com algoritmos e sistemas inteligentes capazes de processar grandes volumes de dados em segundos. Essa transformação traz ganhos de eficiência, mas também novos desafios: como garantir decisões éticas e transparentes quando há intervenção de máquinas?

Essas são algumas das reflexões trazidas pelos professores Ricardo Gomes e Fernando Deodato Domingos, da FGV EAESP, em artigo publicado na revista internacional Public Administration. O estudo revisita conceitos de Herbert Simon, como o de racionalidade limitada. Também propõe caminhos para que aplique-se a IA com responsabilidade e impacto positivo na gestão pública.

Os pesquisadores analisaram 193 artigos publicados nos últimos 50 anos sobre os trabalhos de Simon, a partir do banco de dados Web of Science. Essa revisão sistemática identificou três grandes eixos de pesquisa que ligam a IA à administração pública: Racionalidade e tomada de decisão, Desempenho humano, Trabalho, organizações e conhecimento.

O impacto da Inteligência Artificial na administração pública moderna

Com base nessa análise, o estudo revela como a Inteligência Artificial na Administração Pública vem sendo usada para aperfeiçoar processos decisórios, mas também alerta para a necessidade de aprimorar o diálogo entre tecnologia, ciência cognitiva e ética pública.

Um dos principais achados da pesquisa é que a racionalidade limitada — conceito que reconhece as limitações humanas na tomada de decisão — continua extremamente atual.

Assim como as pessoas, os sistemas de IA também operam com informações incompletas e restrições de tempo e contexto. Por isso, a tecnologia não deve buscar decisões “perfeitas”, mas soluções satisfatórias e éticas, alinhadas ao interesse público.

Os algoritmos de machine learning podem ajudar gestores a lidar com sobrecarga de dados e incertezas, mas precisam de supervisão humana e transparência nos processos decisórios.

A integração entre IA e setor público apresenta tanto oportunidades quanto riscos. O artigo destaca três grandes desafios:

  • Mitigar vieses algorítmicos que podem reproduzir desigualdades sociais.
  • Garantir transparência e accountability nas decisões automatizadas.
  • Fortalecer a confiança pública nos sistemas inteligentes usados por governos.

Dessa forma, os autores defendem o desenvolvimento de modelos de governança ética que combinem tecnologia, empatia e responsabilidade social. A IA deve ser usada como ferramenta de apoio, não de substituição, ao julgamento humano — um equilíbrio essencial para uma administração pública mais justa e eficiente.

Um futuro de decisões públicas mais humanas e inteligentes

A principal contribuição do estudo é mostrar que o futuro da Inteligência Artificial na Administração Pública depende da capacidade de unir diferentes áreas do conhecimento — da psicologia cognitiva à economia comportamental, da ciência de dados à gestão pública.

Portanto, essa integração pode gerar soluções mais transparentes, inclusivas e eficazes, ajudando governos a responder de forma adaptativa a crises, alocação de recursos e políticas sociais.

Por fim, o legado intelectual reinterpretado pelos pesquisadores serve como um guia para construir uma governança digital mais ética e centrada nas pessoas. Nela, a tecnologia potencializa — e não substitui — o papel humano na gestão pública.

Leia o artigo na integra.

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