Heróis ou vilões? O papel dos líderes do agronegócio na Amazônia no equilíbrio entre economia e floresta

Vista aérea de uma floresta densa cortada por um rio, com ícones gráficos sobrepostos que representam sustentabilidade e gestão ambiental, como reciclagem, emissões de CO₂, energia renovável, hidrogênio e meta de carbono neutro. A composição sugere uso de tecnologia e dados na preservação ambiental e na economia verde.
Resumo da pesquisa:
  1. Líderes do agronegócio eleitos em municípios amazônicos criam mais empresas sem aumentar o desmatamento.
  2. Políticas fiscais bem geridas ajudam a equilibrar crescimento econômico e sustentabilidade.
  3. O estudo desafia a visão simplista de que o agronegócio e a preservação florestal são incompatíveis.
Pesquisador(es):

Gustavo S. Cordeiro

Paulo R. Arvate

Joana Story

Leandro S. Pongeluppe

Nos últimos anos, o desmatamento na Amazônia tem sido um dos grandes desafios ambientais do país. A expansão da agropecuária e da exploração madeireira é frequentemente vista como necessária para o desenvolvimento econômico da região. No entanto, uma nova pesquisa mostra que é possível crescer economicamente sem aumentar a destruição florestal. A pesquisa mostra que os líderes do agronegócio na Amazônia podem desempenhar um papel fundamental nessa conciliação entre economia e meio ambiente.

O estudo, publicado na Academy of Management Discoveries por Gustavo Simões Cordeiro, Paulo Roberto Arvate (FGV EAESP), Joana Story (FGV EAESP) e Leandro Pongeluppe, utilizou uma abordagem que compara prefeitos eleitos analisando se aqueles com formação profissional no agronegócio geram resultados diferentes em termos de criação de empresas e taxas de desmatamento. Sendo assim, os pesquisadores avaliaram municípios da Amazônia brasileira entre 2004 e 2016. Usaram base em dados de nove fontes oficiais, como o TSE, Ministério do Trabalho e DATASUS.

Líderes do agronegócio na Amazônia podem impulsionar o crescimento econômico sem aumentar o desmatamento

Os resultados surpreendem: prefeitos com experiência no agronegócio criaram mais empresas locais sem provocar aumento significativo no desmatamento. Ou seja, esses líderes se destacaram por investir melhor os recursos públicos, especialmente em áreas como agricultura, infraestrutura e urbanismo, o que ajudou a dinamizar as economias locais.

Além disso, o estudo mostra que as políticas fiscais — como incentivos ao setor agrícola e melhorias na infraestrutura urbana — são determinantes para conciliar crescimento e sustentabilidade. Ao contrário da visão comum de que o agronegócio é um “vilão ambiental”, esses resultados indicam que a formação e a gestão responsável dos líderes locais podem gerar desenvolvimento sustentável.

Portanto, o estudo propõe uma reflexão importante: não existe um conflito inevitável entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental. Quando há um ambiente institucional sólido e políticas públicas bem estruturadas, líderes do agronegócio podem ser agentes de equilíbrio entre economia e ecologia.

Essas conclusões ajudam a repensar a imagem desses gestores. Elas também reforçam a importância de formar líderes capazes de usar os instrumentos fiscais e políticos para promover prosperidade sem devastar a floresta.

Assim, a resposta à pergunta “os líderes do agronegócio são heróis ou vilões para a Amazônia?” é mais complexa do que parece. Eles podem, sim, ser heróis da sustentabilidade, quando combinam visão econômica, responsabilidade social e compromisso ambiental — valores que estão no coração dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

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