- Países onde o poder é concentrado tendem a oferecer mais apoio implícito ao setor bancário.
- Democracias com fiscalização forte criam regras que impedem resgates fáceis e reduzem vantagens indevidas a esse setor.
- Melhorias institucionais, inclusive em países vizinhos, diminuem o risco de bancos grandes demais receberem mais auxílio do que os demais bancos.
Lucas Vasconcelos
Em muitos países, os bancos se beneficiam do que chamamos de apoio implícito do governo. Isso acontece quando investidores acreditam que, se um banco estiver prestes a quebrar, o governo provavelmente irá salvá-lo para evitar efeitos negativos na economia. Embora essa expectativa possa evitar pânico, ela também pode gerar distorções e reduzir o custo de financiamento dos bancos de maneira artificial. Por isso, entender como esse apoio muda em diferentes países é essencial para compreender a dinâmica competitiva do sistema financeiro.
O estudo foi conduzido por Lucas Vasconcelos (B3) e Rafael Schiozer (FGV EAESP) e publicado na Journal of International Financial Markets, Institutions and Money. Os autores analisaram dados de mais de 1,6 mil bancos em 35 países, no período de 2002 e 2018. Eles compararam informações de mercado, indicadores políticos, nível de democracia e limites ao poder dos governantes.
Países com regras mais fortes oferecem menos apoio do governo aos bancos
A pesquisa mostra que países onde o poder fica concentrado nas mãos de poucos - e onde há pouca fiscalização e aplicação das normas - tendem a oferecer mais apoio invisível aos bancos. Nesses lugares, portanto, o governo tem maior liberdade para usar dinheiro público em resgates, mesmo quando isso não representa o melhor interesse da população. Como consequência, os bancos – especialmente os grandes - operam com menos risco percebido pelos investidores e conseguem levantar recursos a custos artificialmente baixos.
Já em países com regras mais claras, eleições competitivas e instituições que limitam o poder dos governantes, essa vantagem diminui. Isso ocorre porque esses países adotam políticas que exigem que acionistas e credores assumam prejuízos antes de qualquer ajuda estatal. Dessa forma, o apoio do governo aos bancos se torna mais restrito e transparente.
Além disso, o estudo mostra algo pouco discutido: melhorias institucionais em países vizinhos também reduzem o apoio implícito aos bancos. Isso cria, portanto, um efeito de influências positivas entre regiões.
Dessa forma, os autores concluem que sistemas democráticos fortes reduzem a dependência do setor bancário em relação ao governo. Nesses ambientes, bancos grandes deixam de receber tratamentos especiais apenas por serem grandes demais para quebrar. Isso equaliza o mercado, diminui distorções e fortalece a estabilidade financeira do país.
Finalmente, o estudo alerta que até economias avançadas, como os Estados Unidos, podem enfrentar problemas se conflitos políticos aumentarem de maneira a enfraquecer as instituições, e não limitarem a capacidade do governo de agir em situações de crise. Por isso, fortalecer instituições e garantir regras claras é essencial para reduzir riscos e promover um sistema financeiro mais estável e justo.
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