Poder expressar o seu “eu” no ambiente de trabalho traz resultados positivos para funcionário e empresa

Resumo da pesquisa:
- Estudo investigou como a percepção dos indivíduos em relação ao clima organizacional afeta suas atitudes e comportamentos no trabalho 

- Conceito de “clima de autenticidade psicológica” diz respeito a como os funcionários percebem que a organização incentiva e proporciona um ambiente seguro para que possam expressar sua verdadeira identidade pessoal 

- Profissionais que sentem que podem ser autênticos têm maior identificação com a instituição e satisfação no trabalho e menos chances de desenvolverem burnout ou deixar o emprego
Pesquisador(es):
Kathryn Ostermeier

Danielle Cooper

Miguel Caldas
Um ambiente organizacional que possibilita aos funcionários se sentirem seguros para expressarem suas verdadeiras identidades pessoais no local de trabalho proporciona uma série de benefícios para os profissionais e a companhia. Os funcionários têm mais satisfação e engajamento com a instituição, o que também gera melhores resultados para a empresa, contribuindo para a cultura e clima organizacional. 

Para entender como a percepção dos indivíduos em relação ao clima organizacional afeta suas atitudes e comportamentos no trabalho e, consequentemente, o desempenho da companhia, pesquisadores da Bryant University, da University of North Texas e da FGV EAESP, entre eles o professor Miguel Caldas, desenvolveram uma escala para medir o clima de autenticidade psicológica. Ele pode ser definido como o modo pelo qual um indivíduo percebe que sua organização valoriza, incentiva e proporciona a expressão autêntica da sua identidade. O conceito se diferencia de outros da literatura sobre o tema, como o clima de segurança psicológica, por ter foco no “eu verdadeiro” (em contraposição ao “melhor eu”), na expressão da identidade pessoal (e não apenas das emoções ou traços pessoais) e na percepção e experiência individual (e não coletiva).

Autenticidade dos trabalhadores beneficia cultura e clima organizacional


Depois de validar os conceitos teóricos em duas pesquisas com universitários norte-americanos, o modelo foi testado com profissionais da área da saúde nos Estados Unidos e com funcionários de uma empresa privada brasileira do setor de serviços. Ambos os grupos preencheram um questionário online, respondendo “quem sou eu” e o quanto concordavam com afirmações como “Expresso minhas características para meus colegas de trabalho” e “Sinto que sou encorajado a ser quem realmente sou na minha organização”. Foi analisada a correlação entre clima de autenticidade psicológica e fatores como identificação com a organização, satisfação no trabalho, esgotamento profissional e intenção de sair do emprego.

Os autores concluíram que os indivíduos que sentem que podem expressar seu verdadeiro eu no trabalho têm maior identificação com a instituição e satisfação no trabalho, ao mesmo tempo que essa prática leva à redução de eventos indesejáveis, como a síndrome de burnout (esgotamento profissional) e a alta rotatividade.

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