Pacientes de comunidade ribeirinha no Pará se dizem tão satisfeitos com telemedicina quanto os de São Paulo

Resumo da pesquisa:
  • Estudo analisa a experiência de pacientes em teleconsultas realizadas na cidade de  São Paulo e em uma comunidade ribeirinha em Santarém, no Pará
  •  90% das demandas foram resolvidas com o apoio da equipe médica local e 70% das consultas resultaram em alta médica
  • Problema de conectividade  é a principal lacuna para o serviço, mas a telemedicina se firma como um modelo promissor de assistência à população de regiões remotas do país
Pesquisador(es):
Kaio Jia Bin

Patrícia Gabriela Santana Alves

Raquel Costa

Paula Cruz Eiras

Luciano Nader de Araujo

Antonio José Rodrigues Pereira

Carlos Carvalho

Ana Maria Malik
As teleconsultas médicas têm boa receptividade pelos usuários de serviços de saúde pública, segundo artigo com participação da pesquisadora da FGV EAESP Ana Maria Malik publicado na revista “Journal of Medical Internet Research”. Em São Paulo, maior centro urbano do Brasil, e em uma comunidade ribeirinha de difícil acesso no Pará, 95% dos pacientes ficaram satisfeitos com o serviço e 90% apontam que as demandas foram resolvidas com o apoio da equipe médica local.

O estudo analisa a experiência de 111 pacientes sobre 220 teleconsultas realizadas em uma unidade de saúde no distrito de Paysandú, em Santarém, no Pará, e em um hospital universitário na cidade de São Paulo entre setembro e dezembro de 2021. A cada teleconsulta, o médico responsável respondeu a um formulário de pesquisa administrativa, e cada paciente respondeu a uma pesquisa de satisfação.

Do total de teleconsultas realizadas, 70,9% foram de investigação e 29,1%, de orientação. A grande maioria, 90%, teve duração de 15 a 20 minutos. 99% dos pacientes consideraram o tempo de consulta satisfatório e 97% concordaram que o médico foi respeitoso e atencioso durante a consulta. 80% das consultas corresponderam a primeiro atendimento, 70% resultaram em alta médica e apenas 2,7%, em acompanhamento médico especializado local.

A principal lacuna para o serviço é de infraestrutura: pacientes relataram problemas de áudio ou vídeo em 99% das consultas. Porém, uma vez superados os problemas de conectividade, o atendimento virtual se firma como um modelo promissor de assistência à população de regiões remotas do país. Mesmo após partirem para os grandes centros em busca de formação médica, os profissionais com origem em comunidades mais afastadas poderiam atender seus conterrâneos por meio da telemedicina, exemplificam os autores.

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