Empresas devem investir em estratégias de saúde e segurança para profissionais em trabalho remoto

Resumo da pesquisa:
- Mais da metade dos respondentes de questionário relatou aumento de dores nos ombros e pescoço, no trabalho remoto

- 84% dos trabalhadores não receberam avaliação do empregador sobre as condições de saúde e segurança do ambiente doméstico

- Com a popularização do home office na pandemia, empresas devem elaborar estratégias de saúde e bem-estar para evitar adoecimento dos funcionários
Pesquisador(es):
Alberto José Niituma Ogata

Ana Maria Malik

Viviane Lourenço

Valena Savia

Ana Claudia Pinto

Yohana Rodrigues
Com a chegada da pandemia da Covid-19, em 2020, diversos profissionais passaram a trabalhar em casa como medida para evitar o contágio pela doença. Porém, 84% de uma amostra de funcionários em trabalho remoto aponta que seus empregadores não realizaram avaliação de saúde e segurança do novo local de trabalho, o ambiente doméstico. A maioria dos entrevistados apontou sentir mais dores no corpo desde o início do home office.

Os achados são de Alberto José Niituma Ogata, Ana Maria Malik, Viviane Lourenço e Valena Savia, pesquisadores do FGVsaúde, o Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde da FGV EAESP, em artigo publicado na “Revista Brasileira de Medicina do Trabalho”. Os pesquisadores analisaram respostas a questionário online aplicado a 653 pessoas entre 1º de junho e 15 de agosto de 2020.

Com frequência, os entrevistados relataram aumento de desconforto ou dor nas costas, no pescoço e nos ombros – 56%, 55% e 50%, respectivamente. Entre outros sintomas apontados pelos respondentes estão problemas de sono, que atingiram 54% dos entrevistados. Já a questão emocional mais prevalente foi a preocupação com as finanças da família, foco de 35% dos entrevistados.

Ao trabalhar de casa durante a pandemia, o profissional não pode contar com mobiliário adequado como o disponível nos ambientes de trabalho convencionais. Também passou a conviver com demandas domésticas, como cuidar de crianças. Segundo os autores, a partir desses aprendizados, são necessárias estratégias para garantir a saúde ocupacional e o bem-estar dos trabalhadores no novo regime para evitar o surgimento ou agravamento de quadros clínicos já existentes.