Narrativas de fracasso geram empatia do público e podem inspirar marcas

Resumo da pesquisa:
- Narrativa sobre fracasso pessoal humaniza influenciador digital e gera empatia e solidariedade da audiência

- O “fracasso heroico” de um maratonista que relata sua rotina nas redes sociais gera envolvimento emocional

- Uma vez que o público busca identificação, marcas devem rever representações heroicas ligadas a estereótipos como masculinidade e competitividade
Pesquisador(es):
Fernanda Scussel

Benjamin Rosenthal

Maribel Suarez
Experiências de fracasso pessoal relatadas nas redes sociais trazem humanização a figuras públicas admiradas e são vistas como parte de sua jornada heroica. Assim, o fracasso pode estimular o envolvimento emocional do público com os desafios e vulnerabilidades expostos pelos influenciadores digitais, que são vistos simultaneamente como pessoas extraordinárias e humanas. A reflexão está em artigo com participação do pesquisador da FGV EAESP Benjamin Rosenthal publicado na revista “Consumption, Markets & Culture”.

O trabalho analisa as narrativas de um maratonista e influenciador digital brasileiro sobre sua jornada malsucedida para se classificar para a edição de 2020 da Maratona de Boston, nos Estados Unidos, a partir da observação de 56 vídeos publicados entre 2018 e 2019. Desde 2012, o esportista compartilha sua rotina de treinamento com mais de 165 mil inscritos em seu canal do Youtube.

Os autores também coletaram 84 comentários a vídeos que discutiam o fracasso de forma enfática, além de 40 comentários em 35 postagens do influenciador no Instagram sobre o mesmo tema. A coleta de dados também incorporou entrevistas como maratonista e a observação de sua interação com o público em eventos presenciais.

Os autores observam que o engajamento da audiência aumentou quando, após dez meses de trabalho, o influenciador viu frustrada sua tentativa de qualificação para a Maratona de Boston. O “fracasso heroico” do protagonista é visto como parte da natureza humana, o que gera identificação do público com a história e manifestações de solidariedade. O corpo que falha em seus objetivos revela o trágico destino humano, ponto em comum entre o influenciador e sua audiência.

O estudo instiga marcas e equipes de marketing a revisar as representações heroicas baseadas em premissas como masculinidade e competitividade e seu posicionamento diante de falhas e imprevistos. Isto porque as narrativas de fracasso podem acolher consumidores que estão em busca de inspirações mais autênticas e humanizadas.

Confira o artigo na íntegra