Estratégias de cooperação: um olhar atual sobre a internacionalização empresarial

Resumo da pesquisa:
  1. O modelo de Uppsala é revisitado para incluir estratégias cooperativas, como alianças e joint-ventures, no processo de internacionalização.
  2. A pesquisa destaca como a cooperação entre empresas alavanca conhecimento e recursos, aumentando a escala da atuação internacional.
  3. A análise gráfico-analítica do modelo de Uppsala oferece percepções sobre riscos e comprometimento no crescimento internacional.
Pesquisador(es):
Francisco Figueira de Lemos

Paul Ferreira
A internacionalização é uma jornada complexa que envolve decisões estratégicas fundamentais para o sucesso no mercado global. O modelo de Uppsala, formulado em 1977, é uma referência clássica para entender como as empresas aumentam gradualmente seu compromisso com mercados estrangeiros à medida que acumulam conhecimento e experiência. Assim, este estudo atualiza o modelo, demonstrando como estratégias de cooperação, como alianças e joint-ventures, podem acelerar a expansão internacional ao integrar recursos e conhecimento entre parceiros.

A pesquisa adota uma abordagem qualitativa com base no método dedutivo, utilizando o modelo de Uppsala e suas extensões teóricas para explorar a interação entre cooperação e internacionalização. Foi publicada na Revista de Administração de Empresas (RAE) por Francisco Figueira de Lemos e Paul Ferreira, pesquisadores da FGV EAESP.

Cooperação como Estratégia de Internacionalização


Alianças internacionais (AI) e joint-ventures internacionais (JVI) se destacam como formas estratégicas de cooperação. Enquanto a AI reúnem recursos de ambas as empresas parceiras para objetivos comuns sem integração de capital, a JVI cria uma entidade independente com recursos próprios, combinando competências das empresas parceiras. Portanto, ambas as formas ampliam a capacidade de as empresas atuarem em mercados externos, fazendo a gestão do risco associados ao desconhecimento dos mercados locais.

No campo teórico, a pesquisa preenche uma lacuna ao integrar a cooperação empresarial na capacidade explanatória do modelo de Uppsala. No escopo da prática, oferece diretrizes para gestores escolherem entre alianças e joint-ventures com base no grau de conhecimento e recursos necessários. Além disso, a análise gráfico-analítica destaca como o comprometimento e a acumulação de experiência em mercados estrangeiros influenciam o sucesso das operações.

Efeitos da Cooperação na Alavancagem Internacional


A cooperação não só reduz riscos, mas também amplifica o potencial de comprometimento e operação em mercados internacionais. A análise mostra que estratégias cooperativas maximizam o uso de recursos e conhecimento, proporcionando um crescimento mais acelerado do que seria possível individualmente.

Embora promissora, a cooperação também apresenta desafios, como custos de coordenação, barreiras culturais e riscos de transferência de conhecimento. Os pesquisadores reconhecem essas limitações, sugerindo que as empresas avaliem cuidadosamente a compatibilidade entre parceiros antes de estabelecer colaborações.

A aplicação da fórmula de risco do modelo de Uppsala à cooperação empresarial amplia sua relevância para o cenário atual. A pesquisa reforça que, ao integrar conhecimento e comprometimento, alianças e joint-ventures se tornam catalisadores da internacionalização, destacando-se como elementos fundamentais para o sucesso do crescimento das operações globais das empresas.

O estudo conclui que a combinação entre os princípios do modelo de Uppsala e estratégias cooperativas oferece um quadro de decisões possíveis na estratégia de internacionalização empresarial, tornando-a mais eficaz e resiliente.

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