A Cobertura Universal de Saúde nos países de baixa renda

Resumo da pesquisa:
  • A pesquisa analisou dados de 4,1 milhões de nascimentos em países de baixa e média renda, utilizando o índice de cobertura de serviços de saúde da OMS.
  • A análise revelou que os serviços de saúde reprodutiva, materna, neonatal e infantil estavam associados a maiores reduções na mortalidade infantil para famílias mais pobres.
  • No entanto, em países de baixa renda, a desigualdade em saúde entre ricos e pobres não tem diminuído com o avanço de cobertura universal à saúde. Elementos como capacidade de serviço e acesso estavam mais relacionados a reduções de mortalidade infantil para famílias relativamente menos pobres.
Pesquisador(es):
Pesquisador:

Rudi Rocha
A Cobertura Universal de Saúde significa garantir que todos recebam os serviços de saúde de qualidade quando necessário, sem que isso resulte em dificuldades financeiras para as famílias. Um estudo publicado na Lancet Global Health, que contou com a presença do pesquisador da FGV EAESP, Rudi Rocha, investigou a relação entre a Cobertura Universal de Saúde e as desigualdades na mortalidade infantil em 60 países de baixa e média renda (LMICs) entre os anos de 2000 e 2019. Este estudo examinou se a expansão da cobertura universal de saúde durante esse período contribuiu para a redução das disparidades socioeconômicas na mortalidade infantil.

A pesquisa analisou dados de mais de 4 milhões de nascimentos em 60 países de baixa e média renda. Foram realizados modelos de regressão logística para avaliar a associação entre indicadores de cobertura universal à saúde e o risco de morte infantil, ajustados para variáveis de dados sobre o bebê, a mãe e o país em que moram. Os dados foram obtidos a partir de Inquéritos Demográficos e de Saúde (DHS).

O estudo revelou que a expansão da cobertura universal à saúde resultou na redução da mortalidade infantil, evitando aproximadamente 15,5 milhões de mortes. No entanto, observou-se que essa redução é maior entre as famílias relativamente menos pobre. Os resultados mostram que a relação entre cobertura universal à saúde e mortalidade infantil torna-se menos forte à medida que a cobertura geral aumenta.

A expansão dos serviços de saúde reprodutiva, materna, neonatal e infantil estavam associados a maiores reduções na mortalidade infantil para famílias mais pobres, enquanto elementos como capacidade de serviço e acesso estavam mais relacionados a reduções para famílias relativamente menos pobres. Isso sugere que as políticas de saúde devem ser desenhadas para garantir que os grupos de menor renda continuem a se beneficiar à medida que a cobertura se expande.

Embora a expansão  dos serviços universais de saúde tenha contribuído para a redução da mortalidade infantil em países de baixa e média renda, a pesquisa aponta que é crucial focar em corrigir as desigualdades existentes na cobertura. Isso requer uma abordagem abrangente para mapear a cobertura, custos e qualidade dos serviços de saúde, identificando quais grupos populacionais estão excluídos. Ir além do acesso e dos custos é essencial para o progresso da cobertura e para garantir que ninguém seja deixado para trás.

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