Marcas nacionais perdem cinco vezes mais mercado do que estrangeiras durante recessão econômica no Brasil

Resumo da pesquisa:
  • Com base na percepção de consumidores, pesquisa avalia desempenho de marcas nacionais e estrangeiras no mercado brasileiro durante crise econômica
  • A redução média de participação de mercado para marcas totalmente nacionais é de 0,11%, enquanto para marcas totalmente estrangeiras é de apenas 0,02%
  • Marcas percebidas como estrangeiras têm maior alcance de mercado, são associadas a produtos de alta qualidade e, portanto, mais resistentes a incertezas econômicas
Pesquisador(es):
Vitor Azzari

Felipe Zambaldi

Leandro Angotti Guissoni

Jonny Mateus Rodrigues

Eusebio Scornavacca
Em período de recessão econômica no Brasil, marcas nacionais tendem a perder maiores fatias de mercado do que as estrangeiras, aponta artigo assinado pelos pesquisadores da FGV EAESP Vitor Azzari, Felipe Zambaldi, Leandro Angotti Guissoni e Jonny Mateus Rodrigues com Eusebio Scornavacca, da Arizona State University.

Publicado na revista “Journal of International Marketing", o trabalho verifica que, na crise, marcas totalmente nacionais têm redução média de 0,11% na participação de mercado, com redução de 4,2 milhões de litros de volume de vendas em relação ao período de estabilidade. Enquanto isso, a queda de participação para marcas totalmente estrangeiras, no mesmo cenário, é de apenas 0,02%, com redução bem mais branda no volume de vendas, de 0,77 milhões de litros – menos de 20% da perda registrada pelos produtos domésticos.

No artigo, os autores propõem um modelo para investigar como a instabilidade econômica do país pode influenciar o desempenho das marcas nacionais e estrangeiras no mercado. Para isto, utilizaram dados sobre vendas, promoções e preços de marcas de bens de consumo embalados que operam no varejo brasileiro. As informações foram obtidas por auditorias em lojas e são referentes ao período entre julho de 2012 e dezembro de 2015. O banco de dados estudado continha informações de 448 submarcas de fabricantes locais ou internacionais  divididas em sete categorias:  cerveja, biscoitos/bolachas, café, suco, sabão em pó, xampu e iogurte.

Em seguida, os pesquisadores avaliaram a percepção de 940 consumidores brasileiros sobre a origem dessas marcas e construíram um score de zero a 10 para classificar a marca conforme o número de respondentes que a classifica como nacional – quanto mais menções, mais alto o score, denominado DomesticScorei. Para ajustar os resultados, a análise considerou variáveis de controle, ou seja, levou em consideração fatores externos que poderiam impactar os resultados, como o fato de um bem ser considerado essencial ou não para os consumidores.

A participação das marcas no mercado diminui em 0,0008% para cada ponto obtido no DomesticScorei. Ou seja, quanto mais vista como nacional, pior o desempenho da marca entre os consumidores. O trabalho observa que, em tempos de incerteza, marcas percebidas como estrangeiras mantêm maior alcance de mercado e associação a produtos de alta qualidade, sendo, portanto, mais resistentes às flutuações econômicas.

Para diminuir o impacto desses resultados, as equipes de marketing podem, por exemplo, desenvolver estratégias de publicidade para associar a imagem de produtos domésticos a de outros países durante os períodos de recessão. Por outro lado, em períodos sem recessão, marcas estrangeiras podem adotar elementos locais para aproveitar a retomada do interesse por produtos domésticos.

Confira o artigo na íntegra