Para futuro sustentável nas cidades, gestores devem observar equidade no acesso à natureza urbana

Resumo da pesquisa:
- Considerar a relação entre seres humanos e natureza é oportunidade para tomadores de decisão se engajarem em prol de um futuro sustentável

- Estratégias de gestores devem ponderar três perspectivas de natureza: a natureza para a natureza, a natureza para a sociedade e a natureza como cultura

- Tendo em vista a distribuição desigual da natureza em áreas urbanas, é importante haver indicadores sobre equidade do acesso aos serviços ecossistêmicos
Pesquisador(es):
Andressa V. Mansur

Robert I. McDonald

Burak Güneralp

HyeJin Kim

José A. Puppim de Oliveira

Corey T. Callaghan

Perrine Hamel

Jan J. Kuiper

Manuel Wolf

Veronika Liebelt

Inês S. Martins

Thomas Elmqvist

Henrique M. Pereira
Para garantir a sustentabilidade nas cidades, o planejamento e gestão urbanas devem combinar visões de futuro baseadas no contato da população com a natureza.  O apontamento está em artigo do pesquisador da FGV EAESP José Antonio Puppim de Oliveira em parceria com coautores de universidades estrangeiras e publicado na revista “Environmental Science and Policy”.

O artigo propõe uma abordagem de estudo denominada Urban Nature Futures Framework (UNFF), que considera três diferentes perspectivas de natureza para orientar atores e tomadores de decisão sobre o futuro da sustentabilidade urbana. A perspectiva da natureza para a natureza estabelece que os bens naturais têm valor em si mesmos. Por isso, cidades pautadas nessa perspectiva de futuro buscam minimizar intervenções nos processos ecológicos, contando com grandes florestas e áreas de proteção.

Uma segunda perspectiva, a natureza para a sociedade, incorpora as funções da natureza que beneficiam os seres humanos. Iniciativas para manter água e ar limpos têm foco no bem-estar da população. Por fim, a visão da natureza como cultura observa a inserção da natureza nos sistemas de conhecimento e identidade dos habitantes de uma região.

Hortas comunitárias são exemplo de contribuição para sustentabilidade urbana


As hortas comunitárias, por exemplo, podem criar mais áreas de habitat para a biodiversidade local. O cultivo e consumo de alimentos frescos também trazem benefícios para a saúde física e mental da população. Essas hortas podem, ainda, refletir as origens e tradições dos agricultores locais, o que, por consequência, beneficia as dinâmicas socioecológicas na cidade.

Os autores explicam que mais de 2,5 bilhões de pessoas devem viver em cidades até 2050. Por isso, indicadores que monitorem a inclusão em diferentes bairros e comunidades e atentem para o risco de gentrificação em áreas verdes - ou seja, concentração especulativa da população mais rica em regiões com melhor qualidade de vida - são importantes na implementação das estratégias de sustentabilidade urbana, apontam os autores.

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