- Estratégias de gestores devem ponderar três perspectivas de natureza: a natureza para a natureza, a natureza para a sociedade e a natureza como cultura
- Tendo em vista a distribuição desigual da natureza em áreas urbanas, é importante haver indicadores sobre equidade do acesso aos serviços ecossistêmicos
Robert I. McDonald
Burak Güneralp
HyeJin Kim
José A. Puppim de Oliveira
Corey T. Callaghan
Perrine Hamel
Jan J. Kuiper
Manuel Wolf
Veronika Liebelt
Inês S. Martins
Thomas Elmqvist
Henrique M. Pereira
O artigo propõe uma abordagem de estudo denominada Urban Nature Futures Framework (UNFF), que considera três diferentes perspectivas de natureza para orientar atores e tomadores de decisão sobre o futuro da sustentabilidade urbana. A perspectiva da natureza para a natureza estabelece que os bens naturais têm valor em si mesmos. Por isso, cidades pautadas nessa perspectiva de futuro buscam minimizar intervenções nos processos ecológicos, contando com grandes florestas e áreas de proteção.
Uma segunda perspectiva, a natureza para a sociedade, incorpora as funções da natureza que beneficiam os seres humanos. Iniciativas para manter água e ar limpos têm foco no bem-estar da população. Por fim, a visão da natureza como cultura observa a inserção da natureza nos sistemas de conhecimento e identidade dos habitantes de uma região.
Hortas comunitárias são exemplo de contribuição para sustentabilidade urbana
As hortas comunitárias, por exemplo, podem criar mais áreas de habitat para a biodiversidade local. O cultivo e consumo de alimentos frescos também trazem benefícios para a saúde física e mental da população. Essas hortas podem, ainda, refletir as origens e tradições dos agricultores locais, o que, por consequência, beneficia as dinâmicas socioecológicas na cidade.
Os autores explicam que mais de 2,5 bilhões de pessoas devem viver em cidades até 2050. Por isso, indicadores que monitorem a inclusão em diferentes bairros e comunidades e atentem para o risco de gentrificação em áreas verdes - ou seja, concentração especulativa da população mais rica em regiões com melhor qualidade de vida - são importantes na implementação das estratégias de sustentabilidade urbana, apontam os autores.
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