Resumo da pesquisa:
- Pagamento por medicamentos prescritos em atendimentos no SUS aumentou de 49,4% para 56,4% entre 2013 e 2019, enquanto o acesso pelo serviço público de saúde diminuiu
- Probabilidade de obter medicamentos no SUS é maior entre a população mais pobre, mas indivíduos com maior renda têm mais facilidade de acessá-los independentemente da fonte
- Melhora do financiamento do SUS garantiria acesso adequado da população brasileira aos tratamentos
Pesquisador(es):
Alexandra Crispim Boing
Fabiola Bof de Andrade
Andréa Dâmaso Bertoldi
Karen Glazer de Anselmo Peres
Adriano Massuda
Antonio Fernando Boing
Fabiola Bof de Andrade
Andréa Dâmaso Bertoldi
Karen Glazer de Anselmo Peres
Adriano Massuda
Antonio Fernando Boing
Entre 2013 e 2019, o percentual da população que conseguiu todos os medicamentos prescritos durante consultas no Sistema Único de Saúde (SUS) subiu de 78,4% para 81,8%, considerando todas as fontes, ou seja, o próprio sistema público ou a compra com renda própria. O acesso a esses tratamentos pelo próprio SUS, no entanto, diminuiu de 31,6% para 29,7% no período. Em contraste, houve aumento significativo na proporção de pessoas que pagou pelo acesso aos medicamentos prescritos, de 49,4% para 56,4%. Os dados são de artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública por Adriano Massuda, pesquisador da FGV EAESP no Centro de Estudos em Planejamento e Gestão de Saúde (FGVsaúde), e colaboradores.
O estudo é baseado em dados das edições de 2013 e 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para avaliar o uso de serviços e as condições de saúde da população brasileira. O foco da análise foram os participantes da pesquisa que receberam prescrição de medicamentos em atendimentos no SUS nas duas semanas anteriores à entrevista – em 2013, mais de 16 mil correspondiam a este critério e, em 2019, o número passou de 24 mil.
A pesquisa também aponta variação dos resultados conforme a renda dos indivíduos. Os mais pobres têm mais probabilidade de conseguir os medicamentos pelo SUS. Já os mais ricos tiveram mais probabilidade de conseguir os medicamentos consideradas todas as fontes -- inclusive a compra com recursos próprios. Entre as pessoas que não tiveram acesso aos medicamentos de que necessitavam, dois terços relataram a indisponibilidade no serviço público de saúde como motivo principal.
“Apesar de haver a garantia legal no Brasil de assistência farmacêutica a todos os cidadãos e da vigência de um sistema único de saúde que é público e integral, observou-se no país o aumento de pessoas que consultaram no SUS, mas não obtiveram os medicamentos por meio do próprio sistema”, frisam os autores. O estudo aponta que o acesso à saúde de qualidade é também um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas. A pesquisa, segundo os autores, contribui para reforçar um contexto de baixo financiamento dos serviços de saúde no Brasil, que pode ser agravado com a limitação de gastos públicos imposta por emenda constitucional em 2015.
Confira o artigo na íntegra
O estudo é baseado em dados das edições de 2013 e 2019 da Pesquisa Nacional de Saúde, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para avaliar o uso de serviços e as condições de saúde da população brasileira. O foco da análise foram os participantes da pesquisa que receberam prescrição de medicamentos em atendimentos no SUS nas duas semanas anteriores à entrevista – em 2013, mais de 16 mil correspondiam a este critério e, em 2019, o número passou de 24 mil.
A pesquisa também aponta variação dos resultados conforme a renda dos indivíduos. Os mais pobres têm mais probabilidade de conseguir os medicamentos pelo SUS. Já os mais ricos tiveram mais probabilidade de conseguir os medicamentos consideradas todas as fontes -- inclusive a compra com recursos próprios. Entre as pessoas que não tiveram acesso aos medicamentos de que necessitavam, dois terços relataram a indisponibilidade no serviço público de saúde como motivo principal.
“Apesar de haver a garantia legal no Brasil de assistência farmacêutica a todos os cidadãos e da vigência de um sistema único de saúde que é público e integral, observou-se no país o aumento de pessoas que consultaram no SUS, mas não obtiveram os medicamentos por meio do próprio sistema”, frisam os autores. O estudo aponta que o acesso à saúde de qualidade é também um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pela Organização das Nações Unidas. A pesquisa, segundo os autores, contribui para reforçar um contexto de baixo financiamento dos serviços de saúde no Brasil, que pode ser agravado com a limitação de gastos públicos imposta por emenda constitucional em 2015.
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Categorias: Políticas públicas
