Resumo da pesquisa:
- Distribuição de recursos públicos durante a pandemia não priorizou os estados com maior índice de vulnerabilidade social
- Transplantes e cirurgias de baixa complexidade e outros procedimentos tiveram redução expressiva a partir do início da pandemia
- Austeridade fiscal e falta de coordenação nacional diminuíram capacidade de resposta do SUS
- Transplantes e cirurgias de baixa complexidade e outros procedimentos tiveram redução expressiva a partir do início da pandemia
- Austeridade fiscal e falta de coordenação nacional diminuíram capacidade de resposta do SUS
Pesquisador(es):
Alessandro Bigoni
Ana Maria Malik
Renato Tasca
Mariana Baleeiro Martins Carrera
Laura Maria Cesar Schiesari
Dante Dianezi Gambardella
Adriano Massuda
Ana Maria Malik
Renato Tasca
Mariana Baleeiro Martins Carrera
Laura Maria Cesar Schiesari
Dante Dianezi Gambardella
Adriano Massuda
A distribuição de recursos para estados e municípios no primeiro ano da pandemia não priorizou regiões com mais carências, o que contribuiu para a sobrecarga dos sistemas de saúde em atendimentos não-covid. É o que apontam os pesquisadores da FGV EAESP Alessandro Bigoni, Ana Maria Malik, Renato Tasca, Mariana Baleeiro Martins Carrera, Laura Maria Cesar Schiesari, Dante Dianezi Gambardella e Adriano Massuda, pesquisadores da FGV EAESP, em estudo publicado na revista “The Lancet Regional Health – Americas”.
O objetivo do trabalho foi discutir a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS) diante do impacto da pandemia sobre o atendimento a condições de saúde não relacionadas à covid-19. Para isso, a pesquisa comparou o desempenho do SUS em 2020 com o ano anterior à pandemia, a partir de dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Os indicadores têm base nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde e consideram financiamento, infraestrutura e força de trabalho do sistema de saúde brasileiro.
Os autores constataram que os aportes do governo federal para estados aumentaram em 38,6% e, para os municípios, 33,9% no ano de 2020. No entanto, não houve aumento de investimentos para compensar a baixa nos procedimentos não relacionados à covid-19.
Procedimentos como transplantes, cirurgias de baixa e média complexidade, exames de imagem e consultas médicas tiveram redução expressiva a partir do início da pandemia. A recuperação desses índices no último semestre de 2020 foi insuficiente para alcançar níveis pré-pandemia, e provocou atraso no diagnóstico e tratamento de condições crônicas, por exemplo.
Embora o repasse de verbas federais para os estados tenha sido equitativo, regiões mais vulneráveis gastaram mais esses recursos. A região Norte, por exemplo, teve despesas significativamente maiores com leitos de UTI do que outros estados.
Outro equívoco apontado pelos autores foi o investimento centrado em pessoal e infraestrutura das unidades de saúde. Em 2020, por exemplo, houve maior oferta de empregos para enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e médicos, mas não necessariamente mais trabalhadores ocupando essas posições, o que evidencia o estresse e a sobrecarga de quem esteve na linha de frente durante a pandemia.
Os autores frisam que a natureza universal e descentralizada do SUS já foi exemplo de resiliência em emergências de saúde anteriores. No entanto, a capacidade de resposta vem diminuindo desde 2015 por fatores como a austeridade fiscal, cenário que se agravou com a ausência de coordenação geral a partir do atual governo.
Confira aqui o estudo na íntegra (em inglês)
O objetivo do trabalho foi discutir a resiliência do Sistema Único de Saúde (SUS) diante do impacto da pandemia sobre o atendimento a condições de saúde não relacionadas à covid-19. Para isso, a pesquisa comparou o desempenho do SUS em 2020 com o ano anterior à pandemia, a partir de dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Os indicadores têm base nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde e consideram financiamento, infraestrutura e força de trabalho do sistema de saúde brasileiro.
Os autores constataram que os aportes do governo federal para estados aumentaram em 38,6% e, para os municípios, 33,9% no ano de 2020. No entanto, não houve aumento de investimentos para compensar a baixa nos procedimentos não relacionados à covid-19.
Procedimentos como transplantes, cirurgias de baixa e média complexidade, exames de imagem e consultas médicas tiveram redução expressiva a partir do início da pandemia. A recuperação desses índices no último semestre de 2020 foi insuficiente para alcançar níveis pré-pandemia, e provocou atraso no diagnóstico e tratamento de condições crônicas, por exemplo.
Embora o repasse de verbas federais para os estados tenha sido equitativo, regiões mais vulneráveis gastaram mais esses recursos. A região Norte, por exemplo, teve despesas significativamente maiores com leitos de UTI do que outros estados.
Outro equívoco apontado pelos autores foi o investimento centrado em pessoal e infraestrutura das unidades de saúde. Em 2020, por exemplo, houve maior oferta de empregos para enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e médicos, mas não necessariamente mais trabalhadores ocupando essas posições, o que evidencia o estresse e a sobrecarga de quem esteve na linha de frente durante a pandemia.
Os autores frisam que a natureza universal e descentralizada do SUS já foi exemplo de resiliência em emergências de saúde anteriores. No entanto, a capacidade de resposta vem diminuindo desde 2015 por fatores como a austeridade fiscal, cenário que se agravou com a ausência de coordenação geral a partir do atual governo.
Confira aqui o estudo na íntegra (em inglês)
Categorias: Gestão pública
