Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV lança o projeto ‘Ancorando Cadeias de Valor Sustentáveis no Brasil’
De forma pioneira, duas grandes companhias vão apoiar pequenas e médias empresas (PMEs) inseridas em suas cadeias de valor a transitar para uma economia circular e de baixo carbono. As PMEs parcerias terão acesso a capacitações via oficinas e ainda participarão de encontros de uma comunidade de prática para promover mudanças em seus processos produtivos e de gestão.
A iniciativa faz parte do projeto ‘Ancorando Cadeias de Valor Sustentáveis no Brasil’, realizado pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP em parceria com a Câmara de Comércio da Espanha e a Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil. A iniciativa é co-financiada pelo AL-INVEST Verde, programa da União Europeia para promover o crescimento sustentável e a criação de empregos na América Latina.
“Estamos dando início a um projeto com grande potencial de impacto e lançando um ecossistema de inovação. Ao mudarem suas práticas, essas pequenas e médias empresas podem contribuir para reduzir a pressão sobre a biodiversidade e as mudanças climáticas”, destacou Mario Monzoni, coordenador geral do FGVces durante o lançamento, que reuniu mais de 100 pessoas na FGV EAESP.
Com duração de 20 meses, o projeto envolve duas empresas-âncora, sendo uma delas a Vivo, e até 50 PMEs inseridas em suas cadeias de valor, entre elas Nelteo e Think Technology, para citar algumas. A segunda empresa-âncora está em fase de assinatura do contrato.
Ao longo desse período, serão realizadas atividades em quatro frentes: (1) desenvolvimento de capacidades; (2) produção de conhecimento; (3) formação de redes e intercâmbio; e (4) integração e divulgação (leia mais aqui). “Em termos de impactos esperados, a iniciativa buscará aprimorar a gestão para a sustentabilidade e práticas de economia circular entre PMEs brasileiras, facilitar o surgimento de novas parcerias e oportunidades de negócio e, com isso, promover cadeias de valor com um diferencial competitivo em função de seus atributos de sustentabilidade", afirmou Beatriz Morganti Brandão, pesquisadora do FGVces e gestora do projeto.
Disseminação de conhecimento e crescimento sustentável
Rafael Hoyuela López, Head de Parcerias Internacionais Estratégicas da Câmara de Comércio da Espanha, destacou, entre outros pontos, a relevância da comunidade de prática, que será criada pela frente 3 do projeto para unir as PMEs, empresas-âncoras, organizações que atuam com o tema da economia circular e demais interessados para a troca de conhecimentos e boas práticas.
A relevância dessa comunidade também foi ressaltada por Ana Coelho, coordenadora do programa Sustentabilidade nas Cadeias de Valor do FGVces. Em sua visão, além de favorecer diretamente as empresas participantes do projeto, a comunidade vai alcançar outras pessoas e empresas, ampliando o raio de impacto da iniciativa. A oportunidade dada às PMEs de ter acesso a formações técnicas conduzidas por pesquisadores e pesquisadoras do FGVces com grande experiência acadêmica e profissional nos temas foi outro ponto de destaque em sua fala.
Já Alejandro Gomez, diretor executivo da Câmara Oficial Espanhola de Comércio no Brasil, ressaltou o potencial de continuidade e replicabilidade do projeto, que, em sua visão, não se encerrará ao final dos 20 meses previstos. Além de ajudar as PMEs a crescer, as capacitações, a comunidade de prática e todas as ações previstas no projeto vão dar condições para as PMEs crescerem de forma sustentável e se tornarem aptas para atender, inclusive, as demandas internacionais, apontou Gomez.
Para as empresas-âncora, a motivação em participar do projeto está justamente na possibilidade de oferecer conhecimento e motivação para seus parceiros transformarem a gestão de seus negócios, incorporando questões de sustentabilidade. Desde 2019, a Vivo já busca envolver a cadeia de fornecimento em sua jornada pela sustentabilidade, ressaltou Ana Letícia Senatore, gerente de Sustentabilidade da Vivo.
Oportunidades de aprendizagem e de negócios
De maneira geral, as pequenas e médias empresas participantes do projeto demonstraram a expectativa de desenvolver novos conhecimentos e, a partir disso, fortalecer suas estratégias de sustentabilidade e seus processos de gestão. A ideia de integrar uma comunidade de prática formada por outras empresas e organizações também é vislumbrada como uma oportunidade de estabelecer novas relações, inclusive comerciais.
Fábio Fernandes Santos, da Think Technology, destacou o interesse em melhorar suas práticas de sustentabilidade e de interagir com outros elos da cadeia de valor da Vivo. “Temos muito para desenvolver e receber, mas também queremos promover trocas. Tenho certeza de que há muitas oportunidades que podem se concretizar em novos negócios”, afirmou.
Painel sobre economia circular
Além de apresentar o projeto, o encontro também serviu para inspirar o público com reflexões sobre o papel da economia circular. Annelise Vendramini, coordenadora do programa Finanças Sustentáveis do FGVces, foi convidada para iniciar o debate e explicou como as regulações internacionais, principalmente as europeias, estão induzindo as empresas a revisar suas práticas para atender a objetivos ambientais.
Essa revisão passa pela incorporação da economia circular e pode trazer oportunidades para as empresas, inclusive para as PMEs. Este também foi o ponto ressaltado por Lu Bueno, fundadora do Banco de Tecidos. “Ao contrário das grandes empresas, elas têm muito mais facilidade para mudar seu modelo de negócio”, declarou. “A solução do problema de uma grande empresa certamente está espalhada em algum lugar de sua cadeia de valor”, complementou.
Nesse sentido, as empresas precisam se conectar com suas PMEs parceiras e trazer para a conversa pessoas de outras áreas, em vez de restringir o diálogo com a equipe à frente dos projetos de sustentabilidade.
O processo também passa por uma mudança de mentalidade, pois a economia circular se dá sob novas regras, valores e modelos de governança, destacou Beatriz Luz, fundadora do Exchange 4 Change Brasil, a mais nova apoiadora institucional da comunidade de prática do projeto. A especialista também chamou a atenção para as possibilidades de “conexões inusitadas”, como as que podem acontecer entre empresas do agronegócio com as do setor de cosmético, ou entre as do plástico com as da construção civil, exemplificou.
Tanto Lu Bueno como Beatriz Luz estarão presentes na comunidade de prática, ao lado de outros especialistas. Demonstrando otimismo com as atividades que vão se iniciar em breve, ambas recomendaram que as participantes venham com a mente aberta e uma grande capacidade de escuta.
