Interesse de meninas adolescentes em votar é maior em municípios brasileiros onde são eleitas prefeitas

Resumo da pesquisa:
  • Pesquisadores da FGV EAESP revelam que nos municípios onde foram eleitas prefeitas, existe maior engajamento das adolescentes com a política
  • Faixa etária dos 16 e 17 anos tem voto facultativo, mas mesmo assim mais adolescentes se registram para votar quando mulheres são eleitas para a prefeitura
  • Nos municípios onde a margem de vitória das prefeitas foi apertada, o registro de meninas de 16 e 17 anos para votar é maior do que os registros da mesma faixa etária entre os meninos
Pesquisador(es):
Será que a performance das mulheres durante as eleições pode influenciar o engajamento de meninas adolescentes na política? Foi visando responder a essa pergunta que pesquisadores da FGV EAESP chegaram à conclusão de que o interesse das adolescentes em votar é maior nos municípios brasileiros onde são eleitas prefeitas.

Os pesquisadores descobriram que o engajamento de meninas adolescentes de 16 ou 17 anos, faixa etária em que o voto é facultativo no Brasil, é maior nos municípios onde são eleitas mulheres como prefeitas.

O estudo utilizou dados das eleições para a prefeitura entre 2000 e 2012, comparando exclusivamente as cidades onde as mulheres venceram o pleito concorrendo com um homem ou em situações onde as candidatas à prefeitura perderam as eleições por uma margem apertada.

Nos casos onde as mulheres venceram a eleição por uma pequena margem de votos, os pesquisadores descobriram que a quantidade de meninas de 16 e 17 anos registradas para votar era maior do que o engajamento dos meninos da mesma faixa etária com as eleições.

O engajamento das adolescentes era ainda maior nos municípios onde existia uma maior proporção de vereadoras eleitas e mantinha valores bastante significativos nas cidades com mais jovens adolescentes que conviviam juntas na mesma casa e nas quais haviam mais residências com acesso à internet.

"Esses resultados contribuem para a discussão sobre como aumentar a participação política e a representatividade de mulheres na política", comenta Renan Pieri, um dos autores do estudo. "A participação feminina ainda é muito baixa, e essa pesquisa evidencia a importância da representatividade", reforça o pesquisador.

Confira o estudo na íntegra