Revista GV-executivo apresenta soluções para enfrentar desastres climáticos em edição especial

A emergência climática impacta sociedades e sistemas naturais em todos os continentes, sem exceção. Eventos extremos, como ondas de calor, secas, inundações e ciclones têm gerado prejuízos a infraestruturas, interrupção de serviços básicos, além de mortes e danos irreparáveis. Foi pensando nisso que a revista GV-executivo da Escola de Administração de Empresas (FGV EAESP) lançou essa edição com uma interlocução para contribuição no enfrentamento de situações como a que está ocorrendo no sul do país.

A revista mostra com profundidade as questões envolvidas na adaptação climática, destrinchando o desenvolvimento nas últimas décadas, os desafios para políticas públicas e para o setor privado e os caminhos para enfrentar as mudanças climáticas e os eventos extremos.

Com a participação de Mario Monzoni e Mariana Xavier Nicoletti, do FGVces, como editores convidados, a edição especial traz diferentes perspectivas sobre adaptação climática. Primeiramente, ressalta a importância de estratégias integradas de prevenção, planos de contingência e fortalecimento de capacidades adaptativas. Depois, apresenta índice que pode ajudar governos locais a melhorarem a capacidade adaptativa das cidades. Ainda, revela resultados de pesquisa que aponta para a importância de fortalecer a atuação da Defesa Civil em articulação com diferentes atores, principalmente com as comunidades afetadas. Por fim, dois artigos mostram como as empresas podem ganhar resiliência e contribuir com a sociedade nas questões de adaptação climática.

Adriana Wilner, coeditora-chefe da GV-executivo, salienta a contribuição desta edição com caminhos para gestores de organizações públicas, privadas e da sociedade civil fortalecerem a resiliência climática no País.

“Se até há pouco mal se falava em medidas de adaptação às mudanças do clima, o crescimento rápido de ocorrências mostrou que não dá mais para tapar o sol com a peneira. A tragédia do Rio Grande do Sul mostra a urgência de aumentar a capacidade adaptativa das cidades. O Brasil já havia batido recorde de desastres climáticos em 2023, ano de temperaturas mais elevadas já registradas. De acordo com o Centro Nacional de Desastres Naturais (Cenaden), foram 1.161 eventos, em média, mais de três por dia”.

Medidas pontuais e de curto prazo costumam ser priorizadas, mas o cenário do Rio Grande do Sul mostra como essa perspectiva é precária. Os artigos da edição especial contribuem com recomendações, entre as quais destacamos: 

  • Estabelecer uma abordagem sistêmica e interligada, com conexão entre diferentes níveis de governo, academia, empresas, organizações da sociedade civil e participação da população, considerando medidas de curto, médio e longo prazo.
  • Fazer com que tomadores de decisão de órgãos de governo tenham atribuições relacionadas a adaptação e desenvolver capacidades junto aos governos federal, estaduais e municipais, além de implementar arranjos e mecanismos para ampliar a atuação do setor empresarial na agenda.
  • Promover a adoção de indicadores pelos gestores municipais, como O UAI, do acrônimo UrbanAdaptation Index, que envolve um conjunto de cinco dimensões (Habitação, Mobilidade Urbana, Produção Local de Alimentos, Gestão Ambiental e Gestão de Riscos Climáticos).
  • Enfrentar barreiras como desconexões entre políticas setoriais, falta de definição de responsabilidades e prioridades nas propostas de governo, perspectiva burocrática que atrasa os procedimentos formais, conflitos entre diferentes jurisdições, predomínio de uma perspectiva política utilitarista influenciada por tendências e interesses políticos que ainda são hostis às questões ambientais e climáticas, atuação de grupos de pressão que fazem lobby para determinados setores privados em detrimento dos interesses públicos, e fiscalização insuficiente.
  • Ampliar o papel da Defesa Civil colocando o órgão como estratégico na gestão dos riscos ao monitorar e distribuir competências de ação entre diferentes entes governamentais, focando a atuação que alia perspectiva antecipatória dos riscos com a de coordenação de ações de emergência.
  • Expandir Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (Nupdec), formados a partir de parceria entre sociedade e Defesa Civil, colocando grupos em comunidades como ponto focal na consolidação de medidas preventivas e emergenciais. Devem ser oferecidos à população cursos, treinamentos, equipamentos e informações, em linguagem e formato adequados, sobre os possíveis riscos, como agir para preveni-los, como reconhecer a iminência de um desastre, o que fazer caso ele ocorra e como acessar o poder público nesses contextos.

Sobre a revista

A GV-executivo é uma revista acadêmica generalista voltada a gestores, professores, estudantes e pesquisadores de administração e áreas afins. Pretende, principalmente, que seus textos constituam material didático para uso em programas profissionais de pós-graduação.

Como revista de artigos tecnológicos, valorizamos submissões que tragam novos conhecimentos para a solução de desafios complexos da gestão contemporânea, tenham como foco a aplicabilidade e replicabilidade desses conhecimentos e tragam transformações nas organizações.

Todo o conteúdo é disponibilizado gratuitamente na página.

Confira a edição completa, no site.

Campanha de doação para o Rio Grande do Sul

A Fundação Getulio Vargas recebe doações para as vítimas das chuvas no Rio Grande do Sul. Os polos de arrecadação estarão abertos diariamente (exceto domingos e feriados), das 8h às 22h.

Todo o material arrecadado será encaminhado aos órgãos de defesa e proteção social do Rio Grande do Sul.

Para saber mais sobre o que pode ser doado e os pontos de coleta, veja aqui.

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