Governança da Criatividade: Estruturas Adaptadas para Projetos Inovadores

Resumo da pesquisa:
  1. Tipologia de Projetos: Introdução de uma matriz que categoriza projetos em quatro tipos — replicativos, de incubação, intuitivos e inovadores — com base nos parâmetros de excepcionalidade e opacidade.
  2. Framework de Governança: Proposta de mecanismos adaptados para cada tipo de projeto, integrando criatividade e empreendedorismo à governança corporativa.
  3. Contribuições Teóricas e Práticas: Avanços para entender como a governança se relaciona com projetos de diferentes graus de criatividade e insights para empresas que desejam explorar incertezas de forma estratégica.
Pesquisador(es):
A governança corporativa tradicional está associada ao controle e monitoramento. No entanto, em cenários de alta incerteza e criatividade, como os enfrentados por projetos empreendedores, é necessário repensar mecanismos. Recente pesquisa explora como a governança pode ser adaptada para apoiar a criatividade e a inovação. Além disso, ela oferece um framework que categoriza projetos empresariais e sugere abordagens de governança específicas para cada tipo.

A pesquisa foi conduzida por Henrique Castro Martins, da FGV EAESP, e Michael Araki, da UNSW Sydney, e publicada na European Management Review. Com base na literatura sobre criatividade e empreendedorismo, a análise desenvolveu uma matriz conceitual para classificar projetos organizacionais segundo os parâmetros de excepcionalidade e opacidade.

Os conceitos de opacidade e excepcionalidade são fundamentais para categorizar os projetos dentro do framework de governança proposto.  Assim, opacidade refere-se à dificuldade de prever, de forma precisa, os resultados de um projeto antes de sua execução. Quanto maior a opacidade, maior a incerteza sobre o sucesso ou a qualidade das ações previstas, demandando mais análise e adaptação.

Já a excepcionalidade está ligada à raridade e à surpresa de uma ideia ou oportunidade. Um projeto altamente improvável baseia-se em caminhos não óbvios ou descobertas inesperadas, geralmente gerando maior potencial de inovação. Quando combinados, esses dois parâmetros ajudam a classificar os projetos em uma matriz que equilibra previsibilidade e criatividade, orientando as estruturas de governança mais adequadas para cada tipo de iniciativa.

Os autores identificaram quatro categorias de projetos:
  1. Replicativos: Caracterizados por baixa excepcionalidade e opacidade, esses projetos seguem fórmulas conhecidas. A governança deve focar no controle estrito e na execução de rotinas padronizadas.
  2. Incubação: Apesar de previsíveis (baixa excepcionalidade), esses projetos enfrentam alta opacidade, exigindo tempo e análise detalhada. A governança deve priorizar conselhos internos com especialistas e incentivos para monitoramento estratégico.
  3. Intuitivos: Com baixa opacidade, mas alta excepcionalidade, esses projetos envolvem identificar e explorar oportunidades raras e claras. A governança deve ser flexível, permitindo respostas rápidas a insights de mercado inesperados.
  4. Inovadores: Projetos excepcionais e opacos exigem tolerância à ambiguidade e estruturas de governança que promovam o tato gerencial e o alinhamento estratégico. Aqui, conselhos de governança precisam de expertise técnica e visão de longo prazo.

Portanto, a pesquisa destaca que o papel da governança em projetos criativos vai além do controle. Empresas devem equilibrar a necessidade de supervisão com a flexibilidade para capturar oportunidades únicas. Para isso, é fundamental adaptar a governança ao tipo de projeto predominante, utilizando mecanismos específicos que estimulem a inovação e minimizem riscos.

Por fim, este framework oferece ferramentas práticas para navegar na complexidade dos projetos (intra)empreendedores. Ele reforça a importância de integrar criatividade, empreendedorismo e governança no contexto corporativo.

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