Para driblar crise, empresa de medicina diagnóstica concilia negócios atuais com oferta de novos serviços

Resumo da pesquisa:
- Grande empresa de medicina diagnóstica precisou redefinir estratégia após diminuição de clientes pelo aumento do desemprego no país

- Empresa se consolidou como uma organização ambidestra, pois concilia inovação nas operações já existentes e incorpora novos modelos de negócios

- Em estudo de caso, autores apontam para a importância de ponderar riscos e oportunidades na tomada de decisão sobre rumos dos negócios
Pesquisador(es):
Danilo Soares-Silva

Luiz Carlos Di Serio

Rodolfo Modrigais Strauss Nunes

Fernando Lopes Alberto
Uma das maiores empresas de medicina diagnóstica no Brasil decidiu em 2018 conciliar estratégias de expansão de serviços já realizados com investimento em soluções em tecnologia, pelas quais passou a estar presente até mesmo em locais onde não possui unidades físicas. A empresa se consolidou como uma organização ambidestra ao apostar simultaneamente em inovação incremental – focada na eficiência dos negócios atuais e com baixo risco – e inovação disruptiva – que incorpora novos modelos de negócios e traz mais lucros, mas envolve maior risco.

Em publicação na seção de Estudos de Casos & Ensino da revista “Cadernos EBAPE.BR”, os pesquisadores da FGV EAESP Danilo Soares-Silva, Luiz Carlos Di Serio e Rodolfo Modrigais Strauss Nunes expõem o dilema da diretoria e do conselho de administração do Grupo Fleury, a empresa analisada. A partir de 2014, a organização precisou avaliar novos rumos devido à crise provocada pelo aumento da taxa de desemprego no país, visto que 70% dos planos privados de saúde são concedidos por empresas a funcionários. Com a diminuição de beneficiários dos planos, o número de clientes nos serviços de diagnóstico privados tende a diminuir.

Na ocasião, a empresa somava oito mil colaboradores e dois mil médicos. A análise de caso sugerida pelos autores indica a importância de ponderar riscos e oportunidades na tomada de decisão. O principal desafio das organizações ambidestras, segundo os autores, é manter um fluxo de informação entre o mercado principal e o novo mercado de forma a trazer melhoria aos produtos existentes e conquistar crescimento sustentável. Este crescimento se consolida com a chegada dos serviços prestados a clientes ainda não atendidos ou insatisfeitos com a concorrência.

O mercado da medicina diagnóstica no Brasil possui quatro grandes grupos que se destacam. No caso do Grupo Fleury, a vantagem competitiva sustentável pode ser verificada em capacidades como a de aquisição de empresas do setor, reputação e valor da marca, cultura proativa para inovação, serviços de alto valor agregado e processos automatizados.

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