FGVces lança o Programa Brasileiro de Relato Empresarial em Adaptação Climática
A iniciativa é pioneira e visa apoiar organizações a desenvolver, aprimorar e dar transparência aos seus esforços em adaptação à mudança do clima
Chuvas devastadoras, seca extrema na Amazônia, ondas de calor sucessivas e persistentes por todo o país. Os sinais da emergência climática são inequívocos e cobram a adoção imediata de medidas de adaptação para tornar infraestruturas, sistemas produtivos, humanos e naturais mais resilientes. Parte das medidas cabe aos governos implementar, mas o setor empresarial já sente os impactos, o que torna essa agenda estratégica para os negócios. Existe uma demanda para incorporá-la ao planejamento, mas há também diferentes movimentos para a implementação de ações (baseada em dados e ciência) acompanhadas por monitoramento e transparência.
Nesse contexto, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV está lançando o Programa Brasileiro de Relato Empresarial em Adaptação Climática. Trata-se de uma iniciativa pioneira que visa apoiar organizações a desenvolver, aprimorar e dar transparência aos seus esforços em adaptação à mudança do clima com o intuito de:
- Promover a integração da agenda nas estratégias e operações das empresas, seja pela lente de risco ou de oportunidade;
- Incentivar a transparência a partir da definição de diretrizes para relato, resultando na divulgação de informações padronizadas, relevantes, consistentes e rastreáveis, alinhadas a demandas e requisitos de outras iniciativas nacionais e globais;
- Promover a adaptação aos desafios climáticos e fortalecer a resiliência das empresas, de suas cadeias de valor, territórios em que atuam e ecossistemas com os quais se relacionam;
- Estabelecer uma plataforma digital para registro público de informações relacionadas à gestão empresarial sobre riscos e oportunidades climáticas, facilitando o acesso a dados que possam inspirar, promover colaboração entre setores e atores e apoiar empresas para ação na agenda.
“A gestão das ações de adaptação se tornou estratégica e necessária para que negócios de diferentes setores compreendam, atuem sobre seus riscos e oportunidades, acessem capitais e garantam uma relação de transparência e responsabilidade junto aos seus stakeholders, o que remete ao relato voluntário estruturado de riscos e oportunidades climáticas”, afirma Marta Blazek, pesquisadora e gestora da plataforma Empresas pelo Clima do FGVces. O relato também tem sua importância porque permite o compartilhamento de informações relevantes para a avaliação financeira e gerencial do negócio, o controle social sobre a atuação empresarial, o estabelecimento de parcerias, a disseminação de boas práticas e o apoio de outras empresas para o desenvolvimento de estratégias e políticas de adaptação e resiliência”, acrescenta Blazek.
Componentes em processo de estruturação
O Programa será estruturado ao longo dos próximos dois anos (2025 e 2026), ao longo dos quais a equipe do FGVces promoverá atividades contínuas de pesquisa, preparação de materiais, sistematização de contribuições, além da mobilização e articulação de diferentes atores.
Ao final desse processo, o Programa terá os seguintes componentes:
Neste primeiro ano, serão construídas as “Diretrizes para relato”. Para elaborá-las, o FGVces está convidando diferentes atores, entre eles, representações setoriais, governo, organizações internacionais e nacionais, representantes de empresas dos mais diversos setores para desenvolver, de forma colaborativa, o texto do documento.
Para isso, serão realizadas três oficinas nos meses de abril, junho e setembro. Os encontros serão presenciais (Escola de Administração de São Paulo da FGV) e terão um dia de duração. O lançamento das diretrizes acontecerá em dezembro.
Para orientar a elaboração das Diretrizes, foram estabelecidas as seguintes premissas:
- Ser um documento produzido a partir de um processo participativo, que congregue diferentes pontos de vista e experiências sobre o tema de adaptação. Serão convidadas para compor o grupo de trabalho multiatores, instituições governamentais, empresas, representações setoriais, organizações de terceiro setor, redes empresariais, entre outras;
- Estar alinhado com movimentos e demandas por informações relacionadas à gestão de riscos climáticos e à adaptação;
- Considerar informações, critérios, dados teóricos e práticos que possam ser trazidos pelas pessoas participantes, desde que sempre fundamentados;
- Reconhecer que a emergência climática é uma crise civilizatória e multidimensional (social, ambiental, econômica, cultural) e que a ação climática exige o enfrentamento das desigualdades sociais, raciais e de gênero.
Posteriormente à criação das diretrizes, haverá o desenvolvimento de um plataforma digital para relato voluntário empresarial em adaptação, prevista para ser lançada no 1º trimestre de 2026.Saiba mais no site do projeto (acesse aqui).
Neste momento, o Programa também está em busca de organizações parceiras para viabilizar os eventos preparatórios e de lançamento. A Confederação Nacional de Indústrias (CNI) e a Caixa são as primeiras patrocinadoras da iniciativa, que também conta com a parceria técnica de Race to Resilience, Pacto Global - Rede Brasil, Fiesp e Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.
