“Hoje eu tomo decisões baseadas em evidências, não em achismos”
Foram quase 30 anos de carreira na engenharia e na tecnologia da informação até que Renato percebesse que precisava dar um novo passo. Depois de uma trajetória marcada pela atuação técnica e gerencial, o diretor adjunto do Departamento de Projetos e Obras da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, encontrou no Mestrado Profissional em Gestão para a Competitividade da FGV EAESP a oportunidade de conectar experiência prática, visão estratégica e rigor científico.
“Eu queria algo focado no negócio. Não queria um curso técnico. Precisava entender tendências, impacto, estratégia, custos, tomada de decisão. Queria aplicar isso no meu dia a dia.”
A decisão não aconteceu da noite para o dia. Renato já havia feito MBAs e especializações ao longo da carreira, mas sentia que o momento profissional exigia outro tipo de formação. Para ele, existe uma diferença importante entre os caminhos acadêmicos e cada etapa da carreira pede um tipo de aprofundamento. “Não adianta querer subir para o terceiro andar da escada sem passar pelo primeiro e pelo segundo. Tem que entender em que momento da vida e da carreira você está.”
Foi justamente esse alinhamento entre maturidade profissional e formação acadêmica que fez o mestrado ter um impacto imediato em sua atuação. Durante os dois anos de curso, Renato passou por uma reestruturação na Defensoria Pública, assumiu novas áreas e viu sua equipe mais do que dobrar de tamanho. “Houve uma mudança de departamentos e eu acabei assumindo uma responsabilidade maior. O que eu aprendia na sala de aula conseguia aplicar no trabalho quase ao mesmo tempo.”
A transformação mais profunda, porém, aconteceu na forma de pensar e decidir. “Hoje a minha visão gerencial é outra. Passei a me basear muito mais em evidências científicas do que em senso comum.” Ele conta que a mudança ficou evidente nas decisões estratégicas envolvendo tecnologia e infraestrutura. Um dos exemplos foi a migração da telefonia analógica para a telefonia digital na instituição. “Qual tecnologia faz mais sentido? Qual é a tendência? Qual tem o melhor custo-benefício? A decisão baseada em evidências foi fundamental para escolher o caminho correto.”
Outro tema que passou a fazer parte da rotina de Renato foi o impacto da inteligência artificial no teleatendimento, assunto que se tornou, inclusive, o foco de seu trabalho aplicado no mestrado. A pesquisa analisou como a IA vem transformando a força de trabalho em centrais de atendimento e envolveu entrevistas com CEOs, CIOs, superintendentes e teleoperadores de diferentes empresas.
A principal conclusão foi que a tecnologia não substitui completamente o humano, mas cria uma relação de complementaridade. “Eu explorei o conceito de simbiose tecnológica. A tecnologia veio para potencializar o trabalho humano, não para substituir puramente.”
Segundo Renato, as tarefas operacionais estão se tornando cada vez mais analíticas e estratégicas, o que exige profissionais preparados para lidar com um cenário em constante transformação. “Quem ignorar a tecnologia vai ficar fora do mercado. Não é mais tendência, é realidade.” Ao mesmo tempo, ele acredita que as chamadas soft skills ganharão ainda mais relevância. “As pessoas precisam desenvolver empatia, inteligência emocional, liderança e capacidade de convivência. A tecnologia pode simular muita coisa, mas nunca vai substituir completamente o humano.”
Além das discussões em sala de aula, Renato destaca que a experiência presencial foi essencial para ampliar repertórios, trocar experiências e aproximar teoria e prática. “O fato de ser presencial foi fundamental. A convivência com colegas de diferentes setores e os convidados do mercado trouxeram uma visão muito rica.” Essa diversidade também permitiu que ele percebesse como tecnologia e negócios estão cada vez mais conectados em diferentes setores. “Hoje não existem bancos que têm tecnologia. Existem empresas de tecnologia que oferecem serviços bancários. O mesmo acontece na saúde, por exemplo.”
Outro marco da trajetória no MPGC foram as experiências internacionais na China, com atividades acadêmicas em Pequim, Xangai e Hong Kong. Para Renato, a oportunidade ampliou ainda mais sua visão sobre inovação, negócios e tendências tecnológicas globais. “Foi uma experiência muito rica, algo que vou levar para a vida.”
A dedicação ao mestrado também abriu portas para a produção científica. Além do trabalho aplicado já submetido para publicação acadêmica, Renato segue desenvolvendo novos artigos e já projeta o próximo passo: o Doutorado Profissional em Administração da FGV EAESP. “O DPA é uma continuidade desse caminho. Hoje eu me sinto preparado para isso.”
Ao olhar para trás, ele resume a experiência como um divisor de águas profissional e pessoal. Mas faz um alerta importante para quem pensa em seguir o mesmo caminho: é preciso planejamento, equilíbrio e disposição. “O equilíbrio entre vida pessoal, profissional e acadêmica é fundamental. Se esse tripé não estiver bem apoiado, não funciona.”
Mesmo com madrugadas de estudo e finais de semana dedicados às entregas, Renato afirma que o processo foi prazeroso justamente porque fazia sentido naquele momento da vida. “Não foi leve, mas foi prazeroso. Quando você gosta do que está fazendo e entende por que está ali, tudo muda.”
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