FGV inaugura centro de referência em governança ambiental e sustentabilidade

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(foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Novo CEPID da FAPESP é lançado a dois meses da COP30; expectativa é que se torne uma referência internacional em soluções inovadoras para os desafios ambientais

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – No contexto da emergência climática e a dois meses da COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025, a Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP-FGV) acaba de inaugurar o FGVEarth, um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) em Governança das Mudanças Ambientais Globais financiado pela FAPESP. A expectativa é que se torne uma referência internacional em soluções inovadoras para os desafios ambientais.

Segundo o coordenador do novo CEPID, José Antônio Puppim de Oliveira, as condições para isso estão dadas. “Já começamos com cerca de 30 pesquisadores, além de pós-doutorandos e doutorandos. Nossa missão é disseminar o conhecimento gerado por meio de seminários, workshops, relatórios e também de interações diretas com empresas e formuladores de políticas públicas”, disse.

Puppim falou à Agência FAPESP por ocasião da cerimônia de lançamento do FGVEarth, que ocorreu na sede da EAESP na última quinta-feira (11/09). Professor pesquisador da FGV, ele também é docente colaborador da Universidade Fudan (China) e da Universidad Andina Simón Bolívar (Equador). E foi diretor assistente e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados sobre Sustentabilidade da Universidade das Nações Unidas no Japão (2009-2015).

A iniciativa integra o programa da FAPESP que financia projetos de longa duração e alto impacto, articulando pesquisa de excelência, formação de recursos humanos e transferência de conhecimento para a sociedade. A cerimônia de lançamento teve a presença do gestor do programa, o físico Luiz Nunes de Oliveira, que apontou uma característica marcante do FGVEarth. “O que considero notável é que o pessoal do centro está trabalhando com uma lógica de baixo para cima. Em vez de pensar apenas em negociações de alto nível entre os governos dos países, eles estão colocando em primeiro plano soluções pequenas, que envolvem cidadãos, empresas, cidades e podem escalar e gerar efeitos de alcance global”, afirmou.

A originalidade de algumas soluções fica clara nas três metas de pesquisa de um dos núcleos do novo CEPID. “Decrescimento”: investigar como a vida em comunidades sustentáveis intencionais (ecovilas) promove práticas de decrescimento para compreender os fatores culturais, emocionais e materiais do comportamento sustentável. “Durabilidade de Produtos”: examinar como produtos de alta qualidade e duráveis podem promover o consumo sustentável ao reduzir o desperdício. “Socialização Reversa”: investigar como as crianças podem atuar como agentes de mudança, influenciando as práticas de consumo sustentável de seus pais por meio de apelos emocionais e do papel de modelo.

Essas metas apontam no sentido exatamente contrário ao do paradigma que levou o mundo ao impasse atual, baseado no crescimento sem limites, no consumo desenfreado e no descarte irresponsável.

Irradiação internacional

A capacidade de irradiação internacional da nova perspectiva foi ressaltada por dois especialistas estrangeiros presentes no evento: a colombiana Maria Alejandra Gonzalez-Perez, professora da Universidad EAFIT (Colômbia) e integrante da equipe de pesquisadores do FGVEarth, e o indiano Govindan Parayil, professor da University of South Florida (Estados Unidos) e membro do Conselho Consultivo do FGVEarth.

“Este centro é crucial porque o Brasil volta a se visibilizar como capital ambiental do mundo, a exemplo do que ocorreu por ocasião das conferências Rio-92 e Rio+20. O fato de São Paulo sediar uma instituição desse porte envia ao mundo um sinal de longo prazo: que acreditamos na ciência e em decisões informadas; e que queremos produzir nosso próprio conhecimento, para depois irradiá-lo por meio de redes internacionais”, argumentou Gonzalez-Perez em depoimento à Agência FAPESP.

E Parayil acrescentou: “O FGVEarth é ambicioso ao criar um centro de excelência que mostra como o Brasil pode assumir liderança no enfrentamento das mudanças ambientais globais, especialmente em benefício dos países em desenvolvimento. Espero contribuir com minha experiência em inovação para energia sustentável, ajudando a avançar na transição para fontes renováveis”.

A inauguração do novo CEPID ocorre a apenas dois meses da COP30, que começa em 10 de novembro em Belém, no Pará. Os pesquisadores do FGVEarth pretendem ter protagonismo nesse fórum internacional, especialmente na implementação de políticas ambientais no âmbito do Sul Global.

Em conferência realizada na véspera do lançamento do FGVEarth, Gonzalez-Perez declarou que “o mundo está diante de uma bifurcação: seguir no caminho do ‘business as usual’, com impactos acelerados e perda de confiança na governança, ou iniciar uma revolução na implementação, com justiça no centro das decisões e inovação em escala”.

Segundo a especialista, das 1.500 políticas climáticas globais analisadas depois do Acordo de Paris, de 2015, apenas 63 resultaram em reduções significativas de emissões. Além disso, há um déficit financeiro anual de US$ 6,3 trilhões para viabilizar a transição climática, evidenciando a distância entre os compromissos assumidos e sua execução real. “Este ano, 2025, será um ‘momento da verdade’ para a ação climática global”, pontuou.

Com o compromisso de “fazer diferença”, o FGVEarth estruturou-se em seis núcleos temáticos, cada um voltado a uma dimensão estratégica da governança ambiental: instituições para inovações, práticas empresariais, economia do meio ambiente global, marketing e comportamento do consumidor, liderança e cidades. Os escopos e as metas de cada núcleo foram apresentados pelos respectivos coordenadores durante o evento de lançamento. E podem ser conhecidos de forma resumida no site do FGVEarth.

“A nossa proposta de inovação não é tecnológica, no sentido de gerar patentes, mas sim uma inovação na maneira de pensar, agir, criar políticas públicas e ferramentas de gestão, tanto no âmbito das organizações públicas e privadas quanto na escala individual. E não se trata apenas da crise climática. Mas do conjunto das mudanças ambientais globais, envolvendo perda de biodiversidade, desertificação, poluição por plásticos, prospecção de minerais críticos para a transição rumo à sustentabilidade”, resumiu Puppim.

Além do coordenador-geral do novo CEPID e de Nunes, a mesa do evento de lançamento do FGVEarth contou com as presenças de Tales Andreassi, vice-diretor da EAESP-FGV, Thomaz Wood Jr., coordenador de Pesquisa da FGV, e Tamara Marques, coordenadora de Parcerias Internacionais da FGV.

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(foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

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