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Trilhando caminhos globais: uma conversa com Lucas Dantas, ex-aluno da FGV e da HEC Paris

27.03.2024
Lucas Dantas - CGAE 2022

Este mês, no "Educação Transforma", o Soma FGV teve o prazer de entrevistar Lucas Dantas da Silva (CGAE 2022), um ex-aluno cuja jornada acadêmica foi marcada por dedicação e experiências enriquecedoras. Atualmente com 24 anos, Lucas foi agraciado com a bolsa de estudos "Luiz Fernando Rocha de Sá Moreira", durante sua passagem pela FGV. Esta bolsa é uma homenagem ao sócio-fundador da Reliance e ex-executivo da Pactual, cuja vida foi interrompida em um acidente rodoviário.

Determinado e dedicado, Lucas também teve a oportunidade de complementar sua formação como intercambista na renomada HEC Paris, uma das principais escolas de administração da Europa. Atualmente, ele desempenha o papel de Analista de Finanças de Projetos e Fusões e Aquisições na Lakeshore Partners, onde continua a trilhar um caminho de sucesso. Em entrevista, Lucas compartilha conosco sua jornada pré-FGV EAESP, oferecendo insights valiosos e perspectivas sobre seus planos futuros. Destaca-se, ainda, sua convicção de que o sonho de estudar na FGV é alcançável para todos, especialmente através do apoio oferecido pelo Fundo de Bolsas.

Desde 1965, o Fundo de Bolsas da FGV tem sido um pilar essencial para alunos talentosos como Lucas, e você também pode contribuir para essa causa clicando aqui. São aceites valores a partir de R$500,00/ano, parceláveis. Acompanhe a entrevista completa:

                                                                                                                                                                Por Iamara Caroline - Soma FGV 

Soma FGV: Lucas, como que era sua vida antes da FGV?

Lucas Dantas: Eu sou daqui de São Paulo, sou da zona norte. Sempre morei com meus pais e minha irmã mais nova. Durante o ensino fundamental eu fiz escola pública e durante o ensino médio eu fiz o ensino técnico junto com o ensino médio, em uma Etec em Pirituba. Foi lá que eu comecei a entender... até então eu não sabia o que era um vestibular, o que era o Enem. Eu sempre tive muito interesse, sempre me dediquei muito às atividades escolares, só que na escola pública não te preparam para você prestar um Enem ou prestar um vestibular. Para o próximo passo, porque normalmente as pessoas estão focadas para outros aspectos.

Fiz o ensino técnico, ensino médio e eu comecei a ter contato com algumas oportunidades. De forma resumida, dentro do meu ensino técnico eu fazia mecatrônica. [...] Comecei a participar de algumas feiras estudantis, fui pro Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Eram feiras que direcionam a apresentar um projeto. A gente tinha desenvolvido um projeto técnico e ido apresentar nas feiras e eu comecei a conhecer outro mundo de oportunidades para estudantes.

Oportunidade de fazer intercâmbio, de participar de feiras científicas. Então participei de feira científica da USP, da UFMG... foi abrindo bastante meu horizonte. Apresentei esse projeto na Liga de Empreendedorismo da FGV e foi onde eu conheci a GV pela primeira vez. Lembro que na época eu conversei com uma pessoa que estava fazendo o curso e era bolsista. Quando eu entrei na GV eu pensei: “Nossa, como que eu vou fazer GV? Se eu não conseguir uma bolsa não seria possível”.

Soma FGV: Você foi para uma feira e então conheceu um bolsista da FGV, foi isso? 

Lucas Dantas: Isso, exato. Ele me trouxe para conhecer a Liga de Empreendedorismo da GV, para conhecer a faculdade e tudo mais. E eu me interessei bastante. Comecei a conversar e ele, falou: “Lucas, tem oportunidade de bolsa, você pode tentar. A GV é super aberta a bolsistas em um programa muito bem estruturado, então não é nada impossível como você está pensando, não. Na verdade, é super possível“.

E aí eu comecei a me dedicar para a GV. Na verdade, esse período não foi curto. Eu fiz um ano e meio de cursinho, pois eu passava na GV, só que tinha restrição da bolsa. Eu lembro que a primeira vez eu passei na segunda lista e na segunda vez eu não passei entre os primeiros colocados. Sempre tinha essa dificuldade, porque as bolsas já tinham sido ofertadas, digamos assim. Então, foi no meu terceiro semestre de cursinho (Fiz cursinho, CPV, eu consegui uma bolsa também lá), foi onde eu consegui passar na GV e fui contemplado com a bolsa de estudos. Minha bolsa de estudos foi patrocinada por um grupo de padrinhos que depois, no decorrer da faculdade, deram todo apoio também. Foi uma trajetória bem interessante.

Soma FGV: Qual que foi a sua modalidade de bolsa na GV? 
 
Lucas Dantas: A minha bolsa é uma não restituível da GV, patrocinada por um grupo chamado Corpes. Esse grupo homenageia uma pessoa chamada Moreira, que tinha um contato muito próximo de alunos, principalmente do Mackenzie e da GV. [...] E ele tinha um legado, a Corpes, e sempre teve o objetivo de assumir um bolsista de alguma universidade. E basicamente eles (amigos de Moreira) optaram pela GV. Conheceram o programa de bolsas e perceberam a excelência da GV e, principalmente, a organização do Fundo de Bolsas. Foi onde eles conseguiram encontrar, no Fundo de Bolsas, uma oportunidade de investimento. Eles receberam na época algumas cartas. Eu lembro que eu tive que escrever uma carta depois do processo e a minha carta foi contemplada. Mandei meu histórico também. Lembro que teve uma conversa com eles, então essa escolha veio da GV, mas também teve uma parcela de contribuição deles. 

Soma FGV: Como que foi sua vivência nos anos que passou na FGV? 

Lucas Dantas: Entrei na FGV em 2018, aos 19 anos. Bom, quando eu entrei na GV eu percebi que de certa maneira, era um mundo de coisas. É muita coisa ao mesmo tempo: tem liga estudantil, tem como você fazer pesquisa, residência, tem como você fazer milhares de coisas. Eu fiquei impressionado com tudo isso e comecei a me dedicar, principalmente para um viés de pesquisa. Primeiro que era um interesse deixar um material desenvolvido por mim, uma pesquisa. Eu sempre gostei também um pouco dessa parte mais técnica, de dados, números e tudo mais. E como eu não sabia ao certo o que eu gostaria de fazer, se entrava em uma liga específica ou outra, eu comecei a me dedicar em pesquisa. Eu trabalhei principalmente com professora Cintia Calixto, hoje ela não está mais na GV. 

Eu fiz 3 residências, fiz um PIBIC (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica) e o meu último período de dentro da residência era principalmente ajudando com coleta de dados. Foi um trabalho mais direcionado a uma pesquisa que ela estava desenvolvendo. Os meus semestres de GV foram principalmente dedicados a trabalho de pesquisa acadêmica. Percebi que eu não tinha tanto apreço por me tornar um acadêmico. Preferir ir para um caminho mais de mercado profissional.[...] Mas foi algo que construiu bastante uma base para entender como pesquisar, construir materiais e ser mais didático. Foi um trabalho que me amadureceu bastante durante o período da GV. Quando eu cheguei na metade da GV, sempre tive vontade desde o ensino médio, de fazer intercâmbio. Então, quando eu cheguei na metade da GV, eu comecei a me dedicar para isso. Comecei a estudar, a praticar mais o meu inglês e a fazer aulas de inglês dentro da GV. Entrei um pouco nas eletivas de inglês, porque querendo ou não, era um pouco dificuldade que eu tinha. Foi quando eu consegui me dedicar para uma última parte da faculdade, sendo direcionada ao meu intercâmbio.

Soma FGV: Como que foi essa experiência Internacional?

Lucas Dantas: Eu fiz a HEC Paris. Também tinha um limitante: quando eu decidi fazer um intercâmbio, não tinha recursos financeiros. Meus pais [...] eles não tinham condições. Foi quando passei, e então eu fui atrás da Professora Zilla Bendit, principalmente, e da Deize Pasqualetto. Foi quando as conheci com mais proximidade e falei: “Professora, eu sei que o pessoal da Corpes, que patrocina a minha bolsa, provavelmente  gostariam de saber dessa notícia. Será que a gente não conseguiria, junto com o Fundo de Bolsas, ter uma proximidade para ver o que eles pensam? Se eles conseguiram me auxiliar de alguma maneira?”. Então eles conseguiram me conceder a bolsa também para fazer um intercâmbio. Isso para mim, é muito gratificante. (sorriso) E a professora Zilla e a Deize foram muito próximas nessa etapa. 

Minha experiência internacional foi de 5 meses. Fiquei em uma cidadezinha, Jouy-en-Josas, próxima de Paris.  Nunca tinha ido para fora. [...] Eu tinha feito estágio de férias durante um período na GV e guardei um dinheiro. Então, aproveitei também para, durante esse período, fazer algumas viagens e conhecer outros lugares no final de semana. A experiência cultural também foi muito importante além da acadêmica, porque conhecer alunos de outros lugares, conhecer outros países, é uma bagagem que... não digo que vale mais a pena, mas uma bagagem que valeu tão quanto. E em questão de oportunidade acadêmica, eu já estava decidido que eu ia para o mercado financeiro, então lá eu só fiz matérias de mercado financeiro. Fiz todas as matérias em inglês e, fiz curso de francês também para aprender o básico para começar a me virar lá. [...]

Desse período do intercâmbio até o final da GV eu só me dediquei a matérias de finanças, que era onde eu queria me especializar. Acho que foi muito importante, porque hoje eu trabalho com isso e muito da bagagem que eu trago acadêmica veio desses últimos anos de GV, onde eu consegui direcionar. Eu fico muito feliz. Eu tenho colegas que, infelizmente, não conseguiram direcionar tão bem. Hoje querem fazer uma especialização. Eu não sinto tanta falta de uma especialização neste momento. Sinto que eu tenho que primeiro trazer uma bagagem profissional. [...] Lá eu consegui fazer matérias do mestrado também, conversando com professores, pois falei que tinha interesse e eles conseguiram encaixar a minha grade. Então foi uma experiência muito enriquecedora, tanto em termos acadêmicos quanto em termos pessoais. Voltei para o Brasil e ingressei no estágio que eu estou hoje, efetivado, na verdade. 

Soma FGV: Você fez o estágio logo que terminou o intercâmbio e nessa empresa onde você está efetivo agora? 

Lucas Dantas: Isso mesmo. Na verdade, eu tive outras experiências profissionais, tá? Eu trabalhei dentro da do BTG Pactual, quando eles compraram a Exame. Eu fiz estágio de férias e fiz um estágio regular antes do meu intercâmbio. Depois eu trabalhei no Pátria Investimentos como estagiário, também um estágio de férias. E depois, quando eu retornei, eu entrei aqui na Lakeshore Partners, onde estou hoje. É uma casa basicamente de M & A e Project Finance, então, a gente estrutura modelos financeiros e faz a ponte de financiamento só de projetos de infraestrutura como rodovias, saneamento, energia... enfim. 

Entrei no estágio aqui logo que eu retornei de intercâmbio e durante o intercâmbio fiz minhas entrevistas. Passei em outros lugares, mas eu por experiência, já queria vir para um lugar pequeno. Acho que tem mais possibilidades. [...] Depois de um ano de estágio fui efetivado, coincidiu com o período que a terminei a FGV também.

Soma FGV: Como que está sua vida agora, depois que você terminou a FGV? 

Lucas Dantas: Eu não imaginava que seria tão gratificante assim. Ver o que eu fiz dentro da GV, eu consegui construir de uma maneira sólida minha formação acadêmica, que hoje eu utilizo muito bem dentro de onde estou. [...] Hoje eu trabalho na área de IB (Investment Banking). É uma área que já me exige uma carga horária maior, mas já esperado isso. Então hoje eu consigo me dedicar muito, e era o que eu queria, entrar em um primeiro emprego que eu conseguiria me dedicar muito a esse aspecto profissional para que eu conseguir me desenvolver de forma constante.

[...] A FGV possibilitou que eu conhecesse o caminho acadêmico com calma. Então o Fundo de Bolsas, ele propiciou que eu conseguisse fazer minha faculdade durante 4 anos, com muita paciência. [...] Meus pais são simples, então eles sempre falam: “Lucas, você estude o resto é com a gente. Você só se dedique a estudar”. Então digamos que a GV foi mais ou menos a minha mãe, porque ela falou assim: “Lucas, você estude durante esses 4 anos e não se preocupe com outras coisas”. E realmente, quando chegou a oportunidade de intercâmbio, o Fundo de Bolsas me acolheu muito bem e era um sonho que eu tinha e eles conseguiram realizar. Então, para mim a GV não tem nem como comparar. Eu não imaginava... Quando comecei a GV eu falei: ”Vou começar, terminar e arrumar um emprego”. Não, aconteceu tanta coisa...  Conheci muita gente, muitos professores, fiz pesquisa, fiz entidade no fim, também fiz intercâmbio... Não imaginava que seria dessa forma.  Então eu diria que, como se fosse minha mãe que falou: “Lucas, estude, se dedique e aí lá na frente você se preocupa com seu emprego. Se preocupe em estudar e se dedicar para GV.” Foi isso que aconteceu. Não imaginava que seria assim. É uma escola que sempre me apoiou muito. Na verdade, não tenho como comparar, não esperava ser tudo isso. Eu sou muito grato, na verdade. 


Lucas Dantas no primeiro dia de aula na
HEC Paris  -Foto: reprodução/arquivo pessoal

Soma FGV: E o que você deseja para o seu futuro?

Lucas Dantas: Eu desejo continuar me dedicando a essa parte profissional, mas depois eu acredito que eu queria de alguma forma voltar para a sala de aula como professor, não sei. Tem muitas pessoas da minha área que se dedicam durante muito tempo a parte profissional e depois se tornam professores de finanças. Acho que é uma das maneiras de retribuir. E a outra maneira, com certeza eu quero ter oportunidade de contribuir com o Fundo de Bolsas de maneira mais significativa. É um pouco difícil determinar ao certo o que eu desejo como meus próximos passos, mas acho que seria um pouco disso. Acho que em relação a minha parte acadêmica, seria retornar em algum momento para a GV, seja como oportunidade para depois fazer algo acadêmico, como professor, e antes mesmo alguma especialização.  Sendo sincero, eu não estou pensando tanto nisso por agora, mas seria uma conquista caso eu conseguisse, com o tempo, me dedicar para isso também.

Soma FGV: E você recomenda a GV para outros alunos?

Lucas Dantas: Com certeza, não tenho nem o que falar. Eu recomendo a GV, recomendo também para alunos que não tem condições. Aliás, tenho amigos meus que entraram depois. Tenho um amigo que entrou com bolsa. [...] Depois que eu saí da GV eu sempre falo para as pessoas quando falam, “Ah! Lucas, você fez GV?”. Eu falo que é super possível, meus pais não têm condições e eu não tinha dinheiro (risos). E assim, não quero dizer que é fácil também, foi muito árduo, mas depois que você entra, você tem um mundo de oportunidades. É muita coisa: liga, entidade, pesquisa científica e intercâmbio acadêmico, depois você vai fazer um mestrado profissional... Com certeza recomendaria. Recomendaria, aliás, para aqueles que acreditam que não é possível, que era o que eu achava, que era o meu caso. Então hoje, o quanto eu posso falar bem da GV, eu com certeza falo muito bem.

Soma FGV: Tem algo que você gostaria de falar que eu não perguntei? 

Lucas Dantas: Com relação ao Programa de Bolsas, especificamente, acho que é um programa muito bem estruturado. [...] Queria dizer que a GV ganha muito em ter um Programa de Bolsas muito estruturado. E quando eu fui pra fora, eu tive a oportunidade de passar um tempo lá na HEC e dentro da HEC eu tive a oportunidade de ver o programa de bolsas. É muito significativo, porque de certa maneira, assim como a GV, por exemplo, a gente tinha grandes personalidades investindo no fundo. Eu via lá na HEC, pessoas realmente muito bem renomadas, digamos assim, que faziam esse investimento. 

A única coisa que eu quero reforçar é que para a FGV continuar se desenvolvendo, para mim, o Fundo de Bolsa é tão importante quanto. Porque, além de claro, você dar oportunidade para as pessoas, você começa a montar um grupo de bolsistas que de certa forma tem um senso comum. Então, hoje eu tenho muitos amigos, bolsista, eu fiz muitos amigos durante a faculdade que hoje estão muito bem posicionados. São pessoas que têm ou cargos de liderança, ou estão começando a [alcançar a liderança]. 
São pessoas que se desenvolveram muito e se destacam muito, porque eu acredito que quando você vem com essa necessidade de se dedicar, pois, você já sabe o quão difícil foi chegar até ali, você acaba extraindo ao máximo o que você pode. Dizer também que, no meio disso tudo, eu conheci outros bolsistas que são muito bons.  O programa estrutura algo espetacular! 

 

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