Maioria no Brasil, os microempreendedores crescem nos serviços
(Matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo - SP - 17/02/2019)
O mercado dos microempreendedores individuais cresceu tanto desde o início do programa MEI, há dez anos, que hoje eles são maioria entre todos os empreendimentos do Brasil.
Uma mistura de crise econômica com desemprego empurrou trabalhadores ao programa e ao mercado de serviços, que, com um recente reaquecimento da economia, tem potencial de crescimento neste ano. O Relatório anual da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) diz que 53% de todos empreendimentos no Brasil são MEIs.
O estudo aponta também que, com a perspectiva de melhora da economia, 31% dos brasileiros adultos veem o momento como oportuno para investir em um novo negócio. Criado em 2008, o programa MEI tem ganhado mais popularidade por, além de formalizar trabalhadores informais e garantir-lhes benefícios como salário-matemidade, também dar uma saída para o desemprego crescente.
Em média, há 1 milhão de novas MEIs por ano, segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).
Para o professor e coordenador do Centro de Empreendedorismo e Novos Negócios da FGV SP, Edgard Barki, o grande número de MEIs está ligado a três principais fatores. "A crise econômica fez o desemprego crescer e o empreendimento individual torna-se uma alternativa para muitos, outro fator é que o MEI é uma forma muito simples e vantajosa de abrir e manter um negócio. E o terceiro fator tem a ver com uma geração que busca outras formas de vida e carreira".
De acordo com o recente relatório do Sebrae "Os Negócios Promissores em 2019", a melhora da economia deve favorecer empresas de micro e pequeno portes voltadas à prestação de serviços pessoais, como cuidador de idosos.
"Quanto mais a economia se reaquece, mais o poder de compra das pessoas aumenta e, naturalmente, mais serviços são demandados e mais oportunidades são geradas", diz o diretor superintendente do Sebrae-SP, Luis Sobral.
O documento do Sebrae contabiliza 3,4 milhões de MEIs no setor de serviços, que representam 45% do total de negócios nesse setor no País. Além disso, o crescimento é constante. Entre 2014 e 2018, houve um aumento médio de 18% ao ano de MEIs no setor de serviços. A tendência se mantém para 2019, diz o Sebrae, ainda mais observando o aumento, no ano passado, do limite de faturamento anual para MEIs de R$ 61 mil para R$ 81 mil.
