FGVniana é aprovada na Johns Hopkins e compartilha sua trajetória
Em entrevista ao Alumni FGV EAESP, ex-aluna de Administração Pública conta como conquistou uma vaga na renomada universidade americana e bolsas de estudo para realizar seu sonho
Por Iamara Caroline – Equipe Alumni.
Isis Belucci (CGAP 2019), foi aprovada na Johns Hopkins, universidade fundada em 1876 e primeiro centro de pesquisa dos Estados Unidos. A instituição também é responsável por descobertas notáveis, como a aterrissagem do primeiro foguete em um asteroide e a identificação do gene causador do câncer de cólon. Não bastando a busca pela excelência, a FGVniana e também fã de Milton Nascimento, conquistou diversas bolsas de estudos. Em entrevista ela conta um pouco de sua trajetória e nos deixa com uma reflexão sobre a parceria da fé e do preparo. Acompanhe a seguir.
Alumni: Isis Belucci, você foi aprovada em um mestrado em saúde pública na Johns Hopkins (JHU). Gostaríamos de te parabenizar! Nos conte, por favor, um pouco de como foi esse processo.
Foi um processo longo, que começa cerca de 1 ano antes da data do curso. Eu prestei nos meses finais, quinze dias antes do término em 15 de janeiro.
A Johns Hopkins tem muitos cursos de mestrado em Saúde Pública, com diferentes focos e tempos de duração. Demorou até que eu achasse o curso que mais se adequava aos meus interesses e que eu teria chance de entrar.
Só em dezembro, depois de participar de algumas info sessions remotas, consegui descobrir informações do fit para estudantes internacionais que desejavam retornar ao país e com tempo considerável de experiência profissional. Eles pedem dois anos, mas vejo que os estudantes internacionais normalmente têm mais. Eu tenho cinco.
Nesse período, o “tempo prioritário” para aplicar para o MPH, que estou cursando, já havia sido encerrado em 1º de dezembro. Então é importante começar a buscar essas informações com muitos meses de antecedência.
Levei um mês e meio para pedir e obter as três cartas de recomendação e finalizar meu personal statement. Para Saúde Pública, não pedem o teste GPA, apenas o TOEFL. Este foi um susto: tinha marcado o TOEFL presencial para a última data disponível em 2022, quando peguei COVID perto do Natal. Então tive que aguardar mais 10 dias para alterar para a home edition e conseguir ter todos os documentos a tempo. Felizmente, consegui fazer e obter a nota média necessária, que é considerada alta: 100.
Quando prestei, não achava que ia passar por dois motivos principais. O primeiro, é que não conhecia ninguém que tinha nem tentado o mestrado em Saúde Pública nos EUA, apenas na Inglaterra. O segundo, é que como no Brasil os mestrados profissionais na área de saúde pública requerem formação na área de saúde, achava que aqui priorizariam profissionais do campo também.
Prestei quatro mestrados em Saúde Pública, dois na Johns Hopkins, e entrei em todos. O MPH de fato requer que você tenha ao menos uma matéria na área de ciências da saúde e na biologia, mas eles permitem que você curse esses pré-requisitos até o começo do curso – eu fiz como aluna externa na PUC Campinas depois de ter recebido a aprovação. Para outros cursos, não há pré-requisitos.
Alumni: Como foi o seu processo de bolsas de estudo? Quais incentivos você recebeu e de quais instituições?
Eu tinha a sensação - talvez porque minha rede é do campo de públicas e muitos mestrados em políticas públicas e governo nos EUA têm convênios com instituições brasileiras - que o mais difícil seria ser aprovada na universidade. Não é verdade. O mais incerto acabou sendo conseguir financiamento. Então, se tiver que aconselhar alguém, eu começaria o processo pelo final. Buscaria universidades a partir de instituições que dão bolsa.
A Fundação Maria Emília é a mais focada na área de saúde pública. A Fullbright tem algumas bolsas também.
Felizmente, nesse ano, a Fundação Maria Emília (FME) - fundação familiar de Salvador, que tem a missão de apoiar projetos e profissionais de saúde - ofereceu 5 bolsas para custear totalmente o curso de brasileiros que passaram no MPH na Johns Hopkins, sendo metade financiada pela Fundação e metade pela própria JHU.
Foi uma alegria imensa que consegui uma delas, porque sem bolsa, não teria como custear, eu adiaria ou desistiria do curso. A FME também forneceu auxílio para moradia e necessidades básicas aqui, o que é essencial, dado que o processo de conseguir moradia é bem mais difícil para estudantes internacionais e o custo de vida muito maior que o nosso.
Fora isso, tentei o processo da Fundação Estudar, mas havia recebido a resposta da FME antes, então não era minha prioridade.
Alumni: Você recebeu um incentivo de uma fundação na Bahia. Qual é essa fundação e quais as etapas que você passou até ser aprovada?
O processo na Fundação Maria Emília foi relativamente simples, com envio de documentos e relato de trajetória e motivação pessoal.
Eu quero atuar com fortalecimento de evidências na Atenção Primária e dentro ou apoiando o governo, o que já vinha fazendo em múltiplos projetos de assistência técnica e apoio à governança no SUS, então esse foi meu argumento.
Alumni - Você sempre esteve envolvida com a área da saúde. Como surgiu o seu interesse?
Tenho uma tia que a vida toda atuou como médica de clínica do SUS – trabalhou no SAMU, na Urgência e Emergência, em UBS por mais de 15 anos. Ela pagou meus estudos no Ensino Médio. Ela me influenciou muito. Sempre quis trabalhar com governo, mas quando entrei na FGV já tinha uma ideia que saúde era um campo fértil de políticas públicas e de vanguarda no Brasil.
Alumni: Quais dicas você daria para os nossos ex-alunos que gostariam de trilhar uma carreira acadêmica no exterior?
Apesar de ter feito muitas coisas que me orgulho, trabalhado com instituições inovadoras e bem ao lado do governo e ter algumas histórias para contar, eu não acreditava que passaria, porque não tinha uma referência de alguém que seguiu essa trajetória e me sentia uma outsider. Mas, pelo menos no campo da Saúde Pública, aqui nos EUA o perfil de alguém de políticas públicas é valorizado, porque temos uma visão sistêmica e abrangente do campo, e eles também querem aumentar a presença de brasileiros. Se você buscar fontes de financiamento ou tiver como se planejar financeiramente, acho que é um sonho possível para muitos gevenianos.
Alumni: Você tem alguma frase inspiradora que gostaria de compartilhar com outros FGVnianos?
Gosto muito de tudo do Milton Nascimento. Citaria a canção “Fé Cega, Faca Amolada”, inteira se pudesse.
