Estudo mostra que subjetividade das políticas organizacionais afeta performance dos colaboradores

Para melhorar o desempenho e a conduta dos funcionários, empresas devem diminuir a presença de elementos políticos no ambiente organizacional e investir em procedimentos que priorizem a transparência e as recompensas baseadas em mérito. A análise está em artigo publicado pela pesquisadora da Escola de Administração de Empresas de São Paulo (FGV EAESP) Joana Story, em colaboração com demais autores, na revista “British Journal of Management”. 

Por meio de mecanismos cognitivos e emocionais, percepções elevadas sobre as diferentes políticas encontradas nos ambientes de trabalho levam os trabalhadores a agirem de forma menos autêntica e, consequentemente, a diminuírem seu desempenho. As interferências visíveis da política em programas de remuneração contribuem para que os profissionais sintam mais estresse emocional, aumentando os desvios de conduta – como as violações de regras e normas da empresa. 

Os autores explicam que a percepção da política organizacional pelos trabalhadores é subjetiva e está relacionada ao entendimento de que os colegas e supervisores se comportam com motivações egoístas, baseadas mais em benefício próprio do que no coletivo. Para entender como a política organizacional das empresas afeta negativamente o comportamento dos funcionários, os autores investigaram o impacto de políticas gerais e de remuneração no contexto de centrais de atendimento, os chamados call centres. Foram analisadas duas dimensões – a performance e o comportamento desviante dos colaboradores – e os respectivos mecanismos pelos quais essa influência ocorre: autenticidade e exaustão emocional. 

Para abordar a questão, três estudos foram conduzidos. O primeiro consistiu na aplicação de questionários com 132 pares de funcionários e supervisores de um call centre de uma grande organização, buscando identificar os níveis políticos da empresa e as taxas de autenticidade, desgaste emocional, desempenho e conduta dos colaboradores. Já o segundo e terceiro experimentos simularam situações de presença ou ausência da percepção de políticas do trabalho com, respectivamente, 157 e 158 indivíduos estadunidenses, buscando entender o comportamento dos trabalhadores em cada condição. 

Os pesquisadores concluíram que o nível de percepção de políticas gerais e de retribuição está relacionado, respectivamente, à performance e a violações de conduta por parte dos colaboradores. Essa influência é mediada por dois mecanismos: no primeiro caso, a repressão da autenticidade no ambiente de trabalho como forma de se adequar à cultura empresarial; e no segundo caso, o esgotamento emocional e os desvios de comportamento – como ritmo de trabalho diminuído e pausas mais longas, por exemplo – como estratégia de enfrentamento ao processo de tomada de decisões relacionadas a pagamentos e promoções centralizado nas organizações. 

Para lidar com a situação, os autores ressaltam a importância de gestores reconhecerem a influência negativa que as políticas organizacionais podem exercer sobre os funcionários e tomarem atitudes para driblar o cenário. Exemplos de estratégias incluem a manutenção de um ambiente de trabalho positivo, incluindo feedbacks para os colaboradores sobre comportamentos apoiados e incentivados pela empresa e transparência nos processos de aumentos de salário, promoções e bonificações. 

Confira o artigo na íntegra.

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