Estudo apresenta as lições da pandemia sobre o Trabalho Remoto

CAPA

Em 2020, a pandemia de COVID-19 transformou a vida pessoal e profissional de muitas pessoas no mundo todo, levando muitas organizações a adotar o trabalho remoto de forma repentina e não planejada. Este cenário proporcionou uma oportunidade para pesquisas em CSCW (Trabalho Cooperativo Apoiado por Computador) explorarem o trabalho colaborativo distribuído em tempos de crise global. Com isso, o pesquisador da FGV EAESP, Marcelo Perin, em colaboração com outros especialistas, publicou um artigo na revista Computer Supported Cooperative Work, investigando o trabalho remoto sob o prisma do framework da distância em CSCW.

O trabalho remoto durante a pandemia apresentou três características principais:  

  • Resposta imediata a uma crise não planejada; 

  • Substituição da infraestrutura de transporte pela infraestrutura digital; 

  • Intersecção da esfera privada e profissional, introduzindo novos tipos de interrupções no trabalho.  

A pandemia trouxe desafios adicionais para quem trabalha em casa, como estresse econômico, ansiedade relacionada à saúde e equilíbrio entre vida profissional e pessoal devido ao fechamento de escolas. Por isso, a pesquisa visa entender quais aspectos mais afetaram as pessoas no momento de mudar para um trabalho remoto não planejado.

Este framework engloba cinco dimensões que investigam: 

  • O quanto as pessoas estavam trabalhando em equipe; 

  • Quanto dispostas estavam para colaboração; 

  • Como estava a comunicação do time; 

  • Qual infraestrutura física e tecnológica havia disponível; 

  • Como as organizações lidaram com essas adaptações.  

Para isso, a pesquisa contou com um formulário online com 31 perguntas baseadas na teoria CSCW e suas cinco dimensões. As respostas foram obtidas por um processo de “bola de neve” (onde cada respondente indica outros possíveis participantes) e alcançaram, em sua maioria, profissionais de tecnologia. Foram coletados dados quantitativos e qualitativos com mais de 350 respondentes trabalhando em mais de 40 cidades do Brasil coletados entre abril e maio de 2020, durante as primeiras semanas do decreto da pandemia.

O estudo avaliou o nível de engajamento, motivação, disponibilidade e proatividade dos colegas de trabalho durante o trabalho remoto em situações adversas. No aspecto de Gerenciamento Organizacional, foram identificadas estratégias e incentivos adotados pelas organizações durante a pandemia, como flexibilidade de horários e financiamento para infraestrutura de home office, para entender como as empresas se adaptaram a esse novo cenário.

Durante a pandemia, o trabalho remoto foi afetado por várias interrupções, sejam elas de natureza trabalhista ou doméstica, alcançando desde ligações telefônicas, mensagens a trabalho, reuniões, colegas tirando dúvidas até familiares conversando, barulho da rua ou latidos, cuidado com os filhos e tarefas domésticas. Os pesquisadores propõem que essas interrupções sejam consideradas como parte integrante do trabalho distribuído em tempos de crise.

Com base na análise dos dados, os pesquisadores propuseram uma nova dimensão à teoria de CSCW: “Preparação para Crises”, que destaca a capacidade de uma organização de operar durante eventos disruptivos e imprevistos, como a pandemia de COVID-19. Para responder eficazmente a crises, são necessárias quatro capacidades-chave: resposta rápida com medidas drásticas, fornecimento de infraestrutura adequada aos funcionários, adaptação às novas condições de trabalho e vida, e gestão de múltiplas interrupções, tanto individuais quanto organizacionais. 

Leia a pesquisa na íntegra. 

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