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O cuidado como missão: conheça a história de Cecilia Noronha e família

17.05.2024
Cecilia Noronha Santos e sua filha Paula Braga

                                                                                                                      Por Iamara Caroline

Em celebração ao Mês das Mães, o Alumni FGV EAESP entrevistou Cecilia Noronha Santos (CGAE 1976), sua filha Paula Braga (CGAE 2003), e sua irmã, a Professora Beatriz Braga (CMAE 2001), junto de seu filho Antonio Lacombe (CGAE 2007). 

Cecilia, figura querida pela Comunidade FGV, liderou durante 26 anos o Centro de Carreiras, desde quando se chamava CECOP. Pronta para novos desafios, a transição de carreira está longe de ser um adeus: é possível encontrar a FGVniana em suas visitas à escola ou em participações em eventos. Beatriz, por sua vez, continua a contribuir como docente na EAESP e coordena o Mestrado Profissional Profissional em Gestão para Competitividade - Linha Gestão de Pessoas (MPCG).

Cecilia e Beatriz trilharam seus caminhos de estudo e trabalho na FGV EAESP. A família é composta por duas gerações de FGVnianos, todos administradores de empresas e nutre a esperança de uma terceira geração em breve. Durante a entrevista, compartilharam suas reflexões sobre a escola, a influência familiar em suas trajetórias e o caloroso convívio familiar que os une.

O caminho é conectar

Cecilia Noronha Santos tem 69 anos, é casada, mãe da Paula e avó da Julia de 6 anos. Possui um perfil acolhedor e é reconhecida na escola por suas conexões certeiras. Durante seus 26 anos de experiência em orientação de carreira, auxiliou estudantes nacionais e internacionais de graduação e pós-graduação, bem como ex-alunos.

Ela foi responsável pela criação de uma feira de recrutamento para alunos da graduação, onde empresas oferecem programas de estágio, trainee e vagas. Cecilia também criou em 2012 o Programa de Mentoria para estudantes de graduação. Atualmente, o programa conta com mais de 1000 ex-alunos mentores e atrai centenas de estudantes interessados em serem mentorados. 

Antes de sua liderança no Centro de Carreiras, atuou em marketing em uma empresa de consultoria internacional. “A formação generalista da FGV facilitou muito esta mudança de trajetória profissional. Além da graduação, o CEAG e o PEC em Recursos Humanos foram também muito importantes no desenvolvimento de novos skills”.

Sobre o sentimento de ver sua filha escolhendo a FGV, “tanto eu como meu marido ficamos muito felizes quando a Paula passou no vestibular e comemoramos bastante. Até porque o Roberto, engenheiro, também é ex-aluno do CEAG”.

Cecilia observa também a mudança no perfil dos alunos ao longo dos anos. “Na minha turma éramos somente 8 alunas. Em termos de disciplinas, o cardápio das eletivas atualmente é muito variado e em sintonia com novas temáticas.  Entidades estudantis são também um diferencial; na minha época só havia o Diretório Acadêmico”. 

Uma professora na família

Beatriz Maria Braga, é uma das irmãs caçulas de Cecília.  Mãe de Renata, Antonio e João, é avó de quatro netos. Docente na EAESP, iniciou sua carreira no NPP (Núcleo de Pesquisa e Publicações), hoje, GV Pesquisa.


Prof.ª Beatriz Braga e seu filho Antonio Lacombe Filho. 

Sua decisão para seguir na carreira acadêmica foi influenciada pelos professores pesquisadores desta época. “A Cecilia sempre apoiou muito as minhas escolhas, participando nas minhas aulas, fornecendo dados sobre o Centro de Carreiras aos alunos, e sempre dando apoio às pesquisas que eu estivesse desenvolvendo”. 

Beatriz foi a responsável pela entrega do diploma na formatura de seu filho do meio, Antonio, e descreve o momento como “uma emoção muito grande”. Ela também revela ter sido sempre muito próxima de sua sobrinha e afilhada, Paula. “Também tive muito orgulho quando a Paula entrou no
MPGC [...] ela fez um TA muito interessante, sobre mulheres executivas na pandemia”. 

Graduada em Administração de Empresas pela Michigan Technological University, fez o mestrado em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas e doutorado pela Universidade de São Paulo. 

"[...] O mestrado foi um grande turning point na minha vida, ao descobrir a vida acadêmica como professora. E como professora, a Escola fornece muito apoio ao desenvolvimento profissional, seja por meio do incentivo à pesquisa, seja por meio da possibilidade de aprendizado contínuo de formas de ensino e aprendizagem, proporcionado principalmente pelo CEDEA”. 

A segunda geração orientando carreiras
 
Paula Braga, 43 anos, é coach e mãe da Julia, de 6 anos. Considera sua mãe Cecilia e sua tia, Beatriz, grandes influências em sua trajetória. “Quando estava na época de prestar vestibular, minha mãe já trabalhava na FGV. Sendo assim, meus pais falavam que eu poderia fazer qualquer faculdade... Desde que fosse USP ou FGV”.

Em sua escolha profissional, teve dúvidas em relação ao que “queria ser quando crescer”. Com uma trajetória de 10 anos no mundo corporativo, a FGVniana acompanhava em casa os passos de sua mãe, “comecei a considerar o trabalho dela, de ajudar pessoas a se encontrarem profissionalmente, muito mais significativo que o meu”. Após esta constatação, Paula fez a transição para o coaching, onde atua até hoje. “Eu brinco que hoje meu propósito é ajudar pessoas a encontrarem carreiras que eles amam, mas sem precisar demorar tanto tempo ou sofrer tanto como eu”.

Paula é sobrinha e afilhada da Profª Beatriz e teve influência da tia para cursar o mestrado na FGV. “Fazer um mestrado era uma ideia com a qual eu flertava [...]”, o impulso veio quando conversaram sobre a primeira turma do MPGC em Gestão de Pessoas. “Eu senti que era a combinação perfeita: uma formação com título stricto sensu, ou seja, que me permitiria algum dia dar aulas e em um tema relevante para minha trajetória”. 

“A GV me deu uma excelente base para minhas duas carreiras: tanto a de profissional em multinacional, como a de coach. Mais do que o conteúdo passado, sinto que a GV me ajudou a entender o que era uma empresa, suas diferentes áreas, a importância do trabalho duro”.

Paula define a escola como sua segunda casa. “É o lugar onde fiz muitos de meus melhores amigos. É onde eu encontrava minha mãe e minha tia. É o lugar que adoro voltar sempre que me convidam [...] as pessoas que conheci na GV são, além de amigos, uma base profissional incrível. No meu trabalho conecto muitos meus clientes com profissionais de diferentes áreas e setores para apoiar numa possível mudança de carreira. Grande parte da minha network vem de ex-colegas da GV”.

Ajudando pessoas através do ESG

Antonio Lacombe Filho, 38 anos, é casado e pai do Antonio Neto de 3 anos. Filho da Prof.ª Beatriz, mantém a tradição familiar do cuidado com pessoas, mas através do ESG. Com uma trajetória definida por ele como inusitada, saiu de um emprego na Brookfield, onde era reconhecido como “high potential”. Movido pelo o que descreve como “talvez um chamado vocacional”, seguiu sua paixão pelo tema do reuso de água e entrou em uma jornada empreendedora.

Ele cita a trajetória de seu avô paterno, “um empreendedor de grande sucesso” e acredita que alguma herança indireta possa ter contribuído para sua decisão. Para o FGVniano, o amparo familiar é fundamental para encarar os altos e os baixos emocionais associados a escolha de empreender.

Sobre a formação na escola, destaca os conhecimentos técnicos, como em finanças, utilizados em seu dia e sua rede de contatos, fundamental para a progressão de carreira. “Para fazer negócios, no fundo a network tem um peso enorme”.

Sua mãe elogia o desempenho do filho, “ele tem desenvolvido uma carreira muito ousada e bonita, tendo empreendido no setor de reuso de água, com toda a dificuldade que empreendedores enfrentam no nosso contexto”.

A convivência em família

Perguntados se existe a possibilidade de uma próxima geração de FGVnianos, a resposta foi unânime. Paula acredita que muita coisa terá mudado até esse dia. “Quem sabe minha filhota não fará parte da turma de 2036? Seria uma delícia”. Cecilia também mantém a expectativa, “vamos ficar na torcida para que minha neta seja a terceira geração”. Para Antonio, “possibilidade certamente tem” e irá esperar o filho crescer para estimar as chances do filho ser um FGVniano.

Gostam de passar tempo em família e se definem como unidos.  Entre os pontos de encontro estão uma casa de campo em Ibiuna e principalmente a casa da matriarca da família, Maria Cecilia, 91 anos, mãe e avó materna dos entrevistados. Aos sábados eles fazem o ritual da feijoada ou café da tarde juntos. Também gostam de viajar juntos uma vez por ano. Paula se considera felizarda de fazer parte de uma família que realmente se curte, “atribuo muito dessa união à minha vó”. 

Dicas para os atuais FGVnianos

Perguntamos aos entrevistados como a FGV mudou ao longo dos anos e o que diriam aos estudantes atuais. Cecilia citou as inúmeras oportunidades oferecidas pela escola, como intercâmbio, pesquisas nos centros, inserção em entidades estudantis, entre outras. “Acredito que todas estas vivências contribuem para a formação de um(a) profissional mais completo” e recomenda o aproveitamento das aulas. “Vivam intensamente as experiências que a Escola oferece”. A Prof.ª Beatriz sentiu as mudanças nas escolhas dos FGVnianos ao longo dos anos, “mudaram as tendências das escolhas para estágios e carreiras”, assim como as organizações “alvo” dos alunos.

Paula cita sua vivência como coach e incentiva a participação em atividades extracurriculares como trabalhos voluntários, pesquisas e monitorias, pois ajudam o jovem a se destacar no mercado de trabalho. “Eles querem que um aluno novo tenha já experiências para contar. Essas oportunidades na faculdade são um caminho para conseguir isso”. Ela estudou na FGV em 2003 e 2021. Comparando as duas épocas, “o que continua o mesmo, e sempre traz um sorriso a meu rosto, é aquela energia dos alunos, cheios de vontade de fazer acontecer”.

“Começar a ter vivência profissional o quanto antes para ter o aprendizado do ambiente coorporativo”, foi a sugestão de Antonio. Ele também aposta no autoconhecimento e na avaliação do projeto de vida para encaixar escolhas pessoais com a carreira.

Questionados sobre as mudanças no mercado de trabalho, Cecilia observa que “hoje é bastante comum que o profissional a cada três anos, troque de emprego” e o destaque a temas como responsabilidade social, inclusão social, sustentabilidade e igualdade de gênero. Há também mudanças pós-pandemia, com a inserção de novas tecnologias, trabalho remoto e estratégias de retenção de talentos. 

“[...] Noto que as novas gerações possuem mais dificuldade em adquirir ativos como carros e casas e procuram balancear o trabalho com qualidade de vida”, em comparação com sua geração, disposta a investir diversas horas no trabalho para construção de patrimônio. “Hoje com a piora na relação de remuneração versus o valor dos ativos, esse comportamento reduziu”. Como uma família unida por laços e pela FGV, eles inspiram as futuras gerações a trilharem caminhos de sucesso e realização, mantendo sempre a importância do cuidado com as pessoas e com o mundo ao seu redor.