Coronavírus, gripe e dengue: o Brasil pode ter uma sobrecarga ainda maior em seu sistema de saúde.

O Brasil deve ser atingido por uma "tempestade perfeita" nos próximos dois meses. Isso porque parte do país deve enfrentar um aumento da incidência de três doenças: a covid-19, causada pelo novo coronavírus, a gripe comum e a dengue.

A expressão, "tempestade perfeita", foi usada na semana passada por Wanderson Oliveira, secretário nacional de Vigilância em Saúde, quando alertou, em entrevista coletiva, que "vamos ter o coronavírus, que é novo, vamos ter a influenza [gripe], que é rotina todo ano, e também vamos ter o pico da dengue... Estamos com três epidemias simultâneas".

O aumento dessas três doenças pode impactar ainda mais o sistema de saúde brasileiro. A tendência é que subam os números de atendimentos e internações por quadros graves, pressionando os recursos do sistema de saúde pública.

Segundo o Ministério da Saúde, historicamente o pico de registros de doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, como dengue, zika e chikungunya, ocorre nos meses de abril e maio. Desta forma, se o cenário já parece ruim, ele tende a piorar nos próximos 60 dias, coincidindo com a provável alta de casos de covid-19 e de influenza, que também costuma crescer e causar mortes conforme a média da temperatura diminui em vários Estados.

A própria influenza costuma causar centenas de vítimas no país. No ano passado, o Brasil registrou 1.122 mortes pelos três tipos de influenza, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com Adriano Massuda, médico sanitarista e professor da FGV EAESP, o acúmulo de epidemias concomitantes é "uma situação grave, que pode produzir uma sobrecarga no sistema de saúde.”. Para ele, "É um cenário que vai ficar ainda mais complexo. Apesar de alguns sintomas serem até parecidos, como dores no corpo e febre, precisa haver a linha de cuidados para pacientes respiratórios, como influenza e covid-19, e outro para a dengue, pois os tratamentos são diferentes".

“É possível até que exista uma confusão para descobrir quem está com dengue, com gripe ou covid-19. Isso pode atrapalhar ainda mais o sistema de saúde", diz.

Massuda ressalta, no entanto, que medidas como o isolamento social — tomadas para diminuir a proliferação do coronavírus — podem ajudar a diminuir a incidência de gripe comum, que é transmitida basicamente da mesma forma: pelo contato com pessoas já infectadas.

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