• Administração de Empresas

Conversas que Transformam com Sharon Hess

07.11.2025
Entre o gesto e o vento
No oeste, o sol se dobra
Amanhã, outra vez
 
Por Rosa Souza Lima
 

Para a primeira entrevista aqui do Conversas que transformam, tivemos o prazer de conhecer a história da ex-aluna Sharon Hess (CGAE 1997) que trouxemos através dos temas principais que ela nos contou.

Sobre a vida: o intencional e o fluir 

Formei-me na FGV em 1997, com ênfase em marketing e comunicação, mas desde o início sentia o desejo de fazer algo mais — numa época em que ainda não se falava em propósito ou causas. Aos 22 anos, durante uma conferência na Holanda com diretores de marketing, percebi que não queria seguir uma trajetória linear que me levasse exatamente para aquele futuro que estava vendo na minha frente. Havia algo faltando, algo que conectasse sentido e criação.

Com minha ligação profunda com a arte — fui bailarina — encontrei no marketing cultural um espaço de expressão e propósito. Me juntei à Articultura que depois se tornou Significa, da qual me tornei sócia junto ao Yacoff Sarkovas, fundador, e ao também ex-aluno da FGV, Alê Borges. A Significa era uma  consultoria que colocava as causas no centro da comunicação. Vendemos mais tarde para a Edelman, maior empresa global independente de comunicação. O que começou como um olhar cultural se expandiu para o social, revelando novas formas de pensar o impacto das marcas e das narrativas.

Depois de 7 anos como sócia da Edelman, percebi novamente que precisava seguir outro caminho. Criei um e-commerce de joias autorais que representava artistas nacionais e estrangeiros e, ao decidir me mudar para Portugal, encerrei esse projeto. Nasceu, então, um novo horizonte a partir do meu encontro com a Oest (hiperlink para o site: https://somosoest.com.br/),: um movimento intencional e casual ao mesmo tempo, onde propósito e fluidez se encontraram mais uma vez. 

A carreira

O momento de questionamento veio cedo, ainda na Holanda, quando, diante de uma carreira em ascensão no marketing, percebi que algo essencial faltava. A bailarina que eu havia sido já não cabia mais — mas tampouco bastava seguir no caminho puramente corporativo. Entre conversas com pessoas que transitavam pelo mundo das artes, como agentes de orquestras, comecei a perceber uma linha do meio que unia esses dois universos: a força simbólica da cultura e o poder estratégico da comunicação. De forma intencional, busquei me aprofundar nesse entrelaçamento e descobri o marketing cultural, fazendo um curso no Sesc que viria a redefinir meu percurso.

A partir daí, tudo passou a acontecer também um pouco ao acaso. Sem planejar, envolvi-me com causas sociais e ambientais, tornando-me conselheira da Vaga-Lume, ONG que empodera comunidades na Amazônia por meio de bibliotecas e mediação de leitura — convite que veio de uma amiga próxima. Quando minha consultoria foi comprada pela Edelman, uma multinacional de relações públicas, sete anos depois, vivi novamente o impasse: sucesso externo, desconforto interno. Em um processo de coaching, consegui nomear o dilema — “quero sair, mas não sei para onde” — e, num gesto de entrega, deixei que o caminho continuasse se mostrando. Mais recentemente, conheci a Oest, projeto da Susan e da Luca, onde encontrei uma identificação imediata - e nada planejada.

O momento atual 

Na Oest, encontrei um propósito que desafia não apenas o mercado, mas também o silêncio histórico em torno de um tema essencial: a menopausa. Como costuma dizer a Susan, uma das fundadoras, “se vendêssemos uma solução para calvície, seria muito mais fácil conquistar empatia dos investidores” — e essa frase resume parte do nosso desafio: mostrar a dimensão de uma dor que muitos, sobretudo homens, ainda não conseguem compreender. Durante décadas, o assunto foi um tabu, invisibilizado tanto entre mulheres quanto entre homens, e o pouco que se estudou veio marcado por equívocos e medos — como a associação direta da reposição hormonal ao câncer. Na Oest, buscamos justamente preencher essas lacunas, produzindo e estimulando novas pesquisas, e trazendo dados científicos que conectam o impacto físico e emocional da menopausa à realidade do mercado de trabalho junto a produtos para aliviar os sintomas da menopausa e devolver a alegria de viver às mulheres 40+.

As conversas que conduzimos com mulheres — especialmente dentro das empresas — revelam que esse é um momento em que muitas estão no auge da carreira, mas enfrentam sintomas como o brain fog em ambientes que exigem desempenho constante. Sem acolhimento, muitas acabam se afastando ou deixando o trabalho. Essa é uma das perdas silenciosas que queremos transformar. - Entendemos que a menopausa merece soluções personalizadas, capazes de refletir a diversidade das experiências femininas e de romper, de vez, o ciclo do não-dito.

O que precisamos renegociar… 

Precisamos derrubar tabus. Falar sobre menopausa não é um tema restrito às mulheres, é conversa para toda e todos, em casa, no trabalho, em qualquer lugar.

A FGV para mim é…

A GV é uma rede gigante de pessoas e relacionamentos qualificados que me acompanham desde a minha formação e, assim, vai gerando diferentes pontos de conexão ao longo do tempo - por exemplo, trabalhando com diferentes pessoas da rede, ou mesmo participando do FGV Ventures.

 

O que ficou para nós: 

Rosa: Para mim a entrevista da Sharon marcou pelo equilíbrio entre o agir com intenção com o que se quer construir para a vida e o espaço que nos foge ao controle. Foi essa mensagem que escolhi para trazer já no poema inicial onde o gesto pode ser entendido como a intenção e o vento como o que nos foge do controle. 

 

 


Stephanie: Ouvir uma história “não linear” de decisões que conectam carreira, cultura, arte e causas e se reinventa com o passar do tempo é um respiro para a vida e carreira que parecem já nascer com roteiros prontos. Ao mesmo tempo, não pude deixar de notar o quanto para nós, mulheres, é desafiador olhar para diferentes momentos inerentes a essa trajetória que carregam os seus tabus e geram reflexos no nosso caminhar: começando pela menstruação, a decisão de ter ou não filhas/os, congelar ou não óvulos, ter uma gravidez até a menopausa. Quando temas assim não serão mais tabus?

 

Deu vontade de conversar e trocar histórias?

Então entra em contato com a gente nos e-mails aqui embaixo, porque estaremos por aqui todos os meses criando novas pontes para nos conectarmos como rede!

E-mails para se voluntariar para uma entrevista: rosa.souzalima@gmail.com e svcrispino@gmail.com

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