AP prepara para carreira internacional: leia depoimento de egressa que atua na OEA
Aos 33 anos de idade e dez anos de profissão, Barbara Marchiori já rodou toda a América Latina como funcionária internacional da OEA (Organização dos Estados Americanos) e atualmente é consultora de governos e empresas na Europa, Oriente Médio e África.
"O curso de Administração Pública da FGV nos forma para causar impacto social. Mas não precisa ser apenas no Brasil", afirma ela. Leia abaixo o depoimento completo:
"Desde os 11 anos sonhava com uma carreira internacional. Tanto que minha primeira ideia foi cursar relações internacionais. Mas, em uma feira de profissões, conversando com um educador sobre o meu interesse em ser diplomata, ele me sugeriu estudar Direito ou Administração.
Foi o que fiz. Mas fiz os dois cursos. E ao mesmo tempo. Comecei com Direito no Largo São Francisco. Mas já no primeiro semestre senti falta de uma visão mais abrangente e, logo no meio do ano, entrei em Administração Pública na FGV.
Foram cinco anos bem agitados. Mas eu adorava. Havia saído de Vitória, no Espírito Santo, e a correria em outra cidade me estimulava demais. Além disso, sempre gostei muito de estudar. Além da grade obrigatória, fiz residência em pesquisa e intercâmbio da FGV.
Ao me formar – terminei os dois cursos simultaneamente –, fui para um escritório de advocacia trabalhar com Direito Administrativo, Regulatório e Concorrencial. Lá, minha formação em AP era um diferencial. Eu sempre era destacada para atuar em projetos que exigissem conhecimentos de gestão pública ou de economia.
Depois de dois anos, saí para cursar o mestrado em administração pública. Fiz na Cornell University, nos EUA. Foquei em ciência, tecnologia e infraestrutura e, durante o curso, consegui um estágio no Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID, em Washington, DC.
Quando terminei o mestrado, comecei a buscar vagas em organizações internacionais. Fui contratada pela OEA (Organização dos Estados Americanos) para trabalhar no programa de segurança cibernética. Ser fluente em inglês e espanhol e conhecer política públicas em tecnologia foram diferenciais fundamentais na conquista da vaga.
Isso foi em 2014. Com menos de cinco anos de formada, trabalhava como funcionária internacional na OEA em Washington, DC. Nos cinco anos seguintes, eu rodei a América Latina inteira.
Sentei com atores do governo, militares, acadêmicos e sociedade civil para ajudar a estruturar a política nacional de segurança cibernética de muitos países. Trabalhei com 32 países da AL e do Caribe. Estive na Guatemala, Costa Rica, Colômbia, México, Suriname, passei pelo Caribe, como Belize, Barbados, Antigua e Barbuda. Eu viajava feito uma louca. Eram dois ou três dias em um local e voltava para Washington, DC. Havia vezes em que emendava um país com outro.
Ano passado decidi experimentar ainda mais e saí do trabalho exclusivo na OEA. Agora, presto consultorias esporádicas ao órgão, mas também dou suporte a outros organismos internacionais e empresas. Tenho atuado muito em projetos na Europa, Oriente Médio e África, tanto como consultora de governo, como de companhias privadas.
Faço parte do programa de mentoria da FGV e sempre digo aos estudantes que AP é um curso que te forma para causar impacto social. Mas não precisa ser apenas no Brasil. Tento mostrar oportunidades diferentes de ter uma carreira internacional, de ter uma compreensão de política pública mais ampla. Podemos causar impacto em outros países, ensinar, mas também aprender muito com eles.
O trabalho internacional também dá a oportunidade – e o desafio! – de lidar com culturas diferentes. Na AL, muitas vezes, tive de lidar com machismo. Já passei por situações em que as mulheres não falavam na mesa de reunião, mas conversavam comigo quando me encontravam no banheiro feminino. Foi uma tarefa árdua conseguir me impor e ser ouvida. Mas, no fim, consegui e criei laços de amizades com as pessoas com quem trabalhei em toda a região.
Como funcionária internacional, tive que lidar com mudanças de governos em todos os países membros. Como a minha meta era manter a continuidade das políticas públicas de cibersegurança, saber me comunicar e manter neutralidade nos diálogos era essencial para garantir essa continuidade.
Essas andanças também me possibilitaram conhecer muita gente e experimentar outras atividades. Atualmente, além das consultorias, dou aula na ESAN Graduate Business School, em Lima, em um curso executivo de política pública de segurança cibernética.
Hoje, com dez anos de mercado de trabalho, posso dizer que o curso de AP da FGV é um curso completo, me ajudou muito. Saí dele preparada para fazer o Master em Administração Pública e seguir carreira fora do Brasil."
