1º Seminário Alumni Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas – Dissertação Aplicada de Impacto.
Dissertações que transformam realidades: seminário reúne pesquisas de alto impacto do MPGPP.
Primeira edição do Seminário Alumni do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas destacou pesquisas que geram contribuições concretas para cidades mais inclusivas, segurança cidadã, saúde mental no trabalho e combate à insegurança alimentar

O conhecimento produzido em um mestrado profissional tem o objetivo de gerar impacto para além da universidade. Foi justamente essa proposta que guiou o 1º Seminário Alumni do Mestrado Profissional em Gestão e Políticas Públicas (MPGPP) da FGV EAESP, um encontro que reuniu alunos, alumni e comunidade acadêmica para celebrar pesquisas capazes de transformar organizações, políticas públicas e a vida das pessoas.
Em sua primeira edição, quatro trabalhos foram selecionados pelo comitê avaliador, representando temas centrais para o desenvolvimento do país: infância e cidades, segurança cidadã, saúde mental de mulheres líderes e combate à insegurança alimentar.
Cidades pensadas para as crianças beneficiam toda a sociedade
A pesquisa de Regina Souza Cintra, intitulada Cidades que Abraçam Infâncias: Políticas Públicas Urbanas para Todas as Idades, parte de uma pergunta simples: como políticas urbanas voltadas às infâncias afetam o cotidiano das cidades?
O estudo mostra que planejar cidades adequadas para bebês e crianças significa criar ambientes melhores para todas as pessoas. Aspectos como calçadas acessíveis, travessias seguras, áreas verdes, mobiliário urbano e espaços de convivência influenciam diretamente o exercício de direitos e a qualidade de vida da população.
Durante sua apresentação, Regina resumiu a essência da pesquisa em uma frase: "Uma cidade boa para uma criança é boa para qualquer pessoa". Para ela, as cidades precisam convidar as pessoas a ocupar os espaços públicos, oferecendo conforto, segurança e oportunidades de convivência.
Além de gerar publicações, um livro e novas oportunidades profissionais para a autora, a pesquisa já contribui para projetos urbanos concretos e para o debate sobre mobilidade e desenvolvimento infantil em diferentes cidades brasileiras.
Quando a insegurança limita a liberdade
Já a dissertação de Laís Suelen Rosendo da Silva, Privação de Segurança na Perspectiva do Desenvolvimento: Uma Análise das Condicionantes e da Percepção de Segurança, amplia o debate sobre segurança pública ao analisar o tema para além dos índices de criminalidade.
A pesquisa investiga como o medo e a fragilidade institucional afetam o desenvolvimento humano e restringem as liberdades das pessoas. Os resultados revelam que a sensação de segurança está cada vez mais associada ao acesso a recursos privados, como condomínios fechados, câmeras e sistemas de proteção, transformando a segurança em um privilégio mediado pela renda.
Durante a apresentação, Laís destacou que buscou estudar a segurança não apenas como ausência de crime, mas como uma condição necessária para o exercício pleno da cidadania. "O quanto a sociedade está segura?" foi uma das provocações que guiou sua investigação.
O estudo demonstra que viver em estado permanente de vigilância gera impactos significativos sobre a cidadania e a qualidade de vida, reforçando a necessidade de políticas públicas que tratem a segurança como um direito fundamental para o desenvolvimento social. A pesquisa também oferece contribuições metodológicas para a mensuração da segurança percebida e reforça o potencial da produção acadêmica para subsidiar políticas públicas voltadas à ampliação das liberdades individuais e coletivas.
Gestão e cooperação para enfrentar a insegurança alimentar
A distribuição de alimentos para a população em situação de rua foi o foco da pesquisa de Rodolfo Moreira Hojda dos Santos. Seu trabalho analisou os desafios enfrentados por organizações do terceiro setor responsáveis por atender uma demanda crescente em contextos de escassez de recursos.
A dissertação mostra que as dificuldades dessas organizações vão muito além da falta de recursos financeiros. Questões como descontinuidade de projetos, baixa previsibilidade e fragilidade das redes de cooperação afetam diretamente sua capacidade de resposta.
Durante a apresentação, Rodolfo destacou que existe um ecossistema extremamente vulnerável de organizações que atuam junto à população em situação de rua e que, muitas vezes, os desafios enfrentados estão relacionados não apenas à escassez de recursos, mas também às dificuldades de gestão. "Quem tem um mínimo de eficiência no uso dos recursos é quem tem gestão", observou.
Entre as principais conclusões está o papel estratégico da gestão. O estudo evidencia que organizações com processos mais estruturados conseguem utilizar melhor os recursos disponíveis e ampliar seu impacto social. Também reforça a importância da articulação entre governo, iniciativa privada e sociedade civil para construir respostas mais duradouras ao problema.
Além de qualificar o debate sobre insegurança alimentar e população em situação de rua, a pesquisa contribuiu para a atuação profissional do autor ao reforçar a importância da cooperação entre diferentes setores e da construção de redes permanentes de apoio, capazes de sustentar respostas mais efetivas a desafios sociais complexos.
Saúde mental e liderança feminina no ambiente corporativo
Fechando o ciclo de apresentações, Nathália Araujo Vieira Bruni trouxe uma reflexão sobre os desafios enfrentados por mulheres em posições de liderança em multinacionais com atuação no Brasil.
A pesquisa investigou a relação entre saúde mental, gênero e trabalho a partir de entrevistas com 21 mulheres líderes. Os resultados revelam que fatores como assédio moral, desigualdade de gênero, maternidade e padrões estéticos impactam diretamente o bem-estar psicológico dessas profissionais.
Durante sua apresentação, Nathália destacou que sua trajetória de pesquisa foi construída a partir do interesse por temas relacionados à gestão de pessoas, gênero e bem-estar profissional. "Quis transformar essas experiências em conhecimento que possa apoiar outras mulheres em suas trajetórias profissionais", afirmou.
O estudo destaca que a saúde mental não pode ser tratada apenas como uma questão individual. Cultura organizacional, estilos de liderança e políticas corporativas desempenham papel decisivo na construção de ambientes mais seguros e inclusivos.
Além de oferecer subsídios para programas de saúde mental e equidade de gênero nas empresas, a pesquisa também produz conhecimento inédito para o debate acadêmico e para a formulação de políticas públicas relacionadas ao tema.
Pesquisa aplicada como instrumento de transformação
Ao comentar os trabalhos apresentados, os professores Elize Massard da Fonseca e Ricardo Gomes destacaram um elemento comum entre as quatro dissertações: todas mostram formas de exercício da cidadania e de enfrentamento de problemas sociais complexos por meio da ação coletiva, da gestão e da produção de conhecimento.
O 1º Seminário Alumni do MPGPP reforça, assim, uma das características centrais do mestrado profissional, que é transformar pesquisa em ação. Ao conectar academia, organizações e sociedade, os trabalhos apresentados demonstram que o conhecimento produzido no programa não permanece restrito às dissertações, mas se traduz em iniciativas capazes de gerar mudanças concretas e duradouras.
