3º Fórum Empresarial de Adaptação à Mudança do Clima

Nos dias 5 e 6 de maio de 2026, o FGVces realizará a terceira edição do Fórum Empresarial de Adaptação à Mudança do Clima. O evento reunirá lideranças e especialistas para um balanço do cenário atual da agenda de adaptação climática e seus desdobramentos sobre a estratégia empresarial, com foco na identificação dos próximos movimentos necessários para avançar da discussão à ação.

A programação abordará temas transversais e estruturantes para a implementação da agenda, como justiça climática e adaptação baseada em ecossistemas, e criará espaços para colaborações inter e intrasetoriais entre governo, empresas, organizações da sociedade civil e instituições de pesquisa.

O Fórum marcará ainda o lançamento da plataforma do Programa Brasileiro de Relato Empresarial para Adaptação à Mudança do Clima (PBRA), consolidando-se como um momento de referência para o avanço da agenda no país.

Programação 

Confira abaixo a programação prévia do evento: 

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Qual a importância de tratar da adaptação à mudança do clima no contexto dos negócios?

Em 2025, o Brasil sediou a Conferência das Partes – COP 30, em Belém. A Conferência, considerada a "COP da Adaptação", alçou a agenda a um novo patamar de atenção política. Embora os avanços tenham frustrado parte das expectativas, marcos relevantes foram estabelecidos, como a lista de 59 indicadores para o Objetivo Global de Adaptação (GGA, na sigla em inglês), que devem direcionar os esforços de implementação, financiamento e relato dos países (partes) no âmbito da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

Esses indicadores pautarão a harmonização entre políticas e instrumentos nacionais e subnacionais e as prioridades no contexto da governança climática internacional, o que é fundamental para que o financiamento climático alcance organizações, cadeias de valor e territórios ameaçados pela emergência climática. Em Belém, ficou reafirmada também a integração dos indicadores do GGA aos BTR (Biennial Transparency Report – Relatório de Transparência Bienal), NAPs (Planos Nacionais de Adaptação) e NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas), entre outros instrumentos.

O Brasil vem estruturando e revisando políticas públicas relacionadas à agenda climática. Esforços e instrumentos de adaptação acumulam-se, somando-se à agenda de mitigação, já mais estruturada em termos de instrumentos e recursos. Como marcos recentes, destacam-se:

  • O Plano Clima (Mitigação e Adaptação) foi construído por meio de um processo interministerial, multisetorial e participativo, e instituído como principal instrumento da Política Nacional de Mudança do Clima;
  • A Taxonomia Sustentável Brasileira foi lançada e considera critérios de análise das atividades econômicas relacionados tanto à mitigação quanto à adaptação;
  • O Comitê de Pronunciamentos Contábeis e de Sustentabilidade (CBPS) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com base no IFRS S2, estabeleceram a Resolução CVM 193/2023, que determina o relato de riscos climáticos atrelados ao relato financeiro.

Ao mesmo tempo, o papel do setor empresarial é muito relevante para a implementação da agenda de adaptação e vai além da mobilização e do direcionamento de recursos: inclui o desenho e a implementação de medidas inovadoras, a articulação e o estabelecimento de parcerias público-privadas e com os diferentes elos de suas cadeias de valor, além do fortalecimento de capacidades adaptativas nos territórios de atuação.

Mais do que isso, trata-se de uma agenda de negócios, uma vez que as perdas e danos — diretos e indiretos — decorrentes de eventos climáticos são significativos para o setor empresarial e tendem a crescer em relação exponencial ao aumento da temperatura média global, caso não haja uma escalada em ações e investimentos em medidas de prevenção e resposta. Nas últimas três décadas, foram registrados mais de 63 mil eventos extremos no Brasil, atingindo 93% dos municípios brasileiros, com um custo médio estimado em R$ 18,26 bilhões por ano em perdas e danos materiais.

Já a Academia desempenha outro papel fundamental na agenda de adaptação à mudança do clima. Pesquisa aplicada, desenvolvimento de ferramentas, elaboração de diretrizes para relato empresarial alinhadas a outras iniciativas e frameworks, articulação de atores, condução de processos formativos e disseminação de conhecimento figuram entre as principais atividades das instituições acadêmicas.

O FGVces atua desde 2013 nessa agenda, junto a diferentes atores, e já desenvolveu ferramentas de apoio à gestão empresarial para adaptação, pesquisas aplicadas envolvendo municípios, condução de processos participativos em parceria com o governo federal, debates qualificados e abertos ao público, processos formativos junto a empresas (no âmbito das Iniciativas Empresariais – EPC Adapta) e a articulação e condução de processo participativo envolvendo diferentes atores para o desenvolvimento do Programa Brasileiro de Relato Empresarial para Adaptação à Mudança do Clima (PBRA), entre outras atividades.

Sobre o Fórum

O evento dá sequência não apenas ao que foi construído no Fórum de 2024, mas também ao Fórum Latino-americano de Adaptação à Mudança do Clima, realizado em 2013, resultado de parceria entre o FGVces e o Secretariado da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC).

O Fórum Latino-americano cumpriu o objetivo de sensibilizar o setor para o tema e de estabelecer a adaptação como uma agenda empresarial no Brasil. Os componentes das estratégias empresariais de adaptação foram delimitados e, como desdobramento do evento, foi produzida a primeira versão da Ferramenta para Elaboração de Estratégias Empresariais de Adaptação da EPC, em 2013, desde então aplicada por diversas empresas e organizações de apoio.

O Fórum Empresarial de Adaptação à Mudança do Clima, realizado em 2024, avançou na compreensão dos dilemas e das demandas de adaptação para as empresas, destacando a incorporação de perspectivas como justiça climática e adaptação baseada em ecossistemas. Contribuições para o Plano Clima Adaptação do governo federal também foram objeto de discussão para seis setores: Indústria e Empreendedorismo, Energia, Transportes e Infraestrutura, Agricultura e Pecuária, Recursos e Disponibilidade Hídrica, e Cidades/Saneamento.

Acesse o Relatório de Sistematização de Informações do Fórum e clique aqui para saber mais sobre o evento. Confira também alguns momentos no vídeo abaixo:

 

Neste momento, é preciso passar do planejamento à implementação, impulsionar a integração da gestão de riscos climáticos de forma transversal nas políticas públicas e nas estratégias privadas e, assim, concretizar a agenda de forma coordenada ao longo de territórios e infraestruturas. Identificando seu papel nesse sentido, a terceira edição do Fórum visa mobilizar lideranças para a ação e o investimento em medidas de adaptação ancoradas em estratégias robustas, voltadas não apenas aos riscos diretos e de curto prazo, mas também aos impactos e riscos que recaem sobre cadeias de valor e territórios, a partir de uma visão de longo prazo.

Em breve, mais informações e o link para inscrição.

 

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