Simulação do mercado de carbono reúne representantes de 20 empresas de todo o Brasil
Diante da expectativa da aprovação do projeto de lei que cria um Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SBCE), organizações de diferentes setores estão desenvolvendo conhecimentos sobre os riscos e oportunidades associados à precificação do carbono para se posicionarem de forma estratégica diante do novo cenário.
Nesse contexto, a rede Iniciativas Empresariais, coordenada pelo FGVces, promoveu uma Simulação do Comércio do Emissões para as 20 organizações que estão participando do ciclo 2024 do programa. São elas: AEGEA, ArcelorMittal, Banco do Brasil, Bradesco, Braskem, Caramuru Alimentos, Copel, CPFL Energia, Dow, Eletrobras, Faber-Castell, Gerdau, Grupo Boticário, Grupo Águia Branca, LM Soluções de Mobilidade, Grupo Orizon, Petrobras, Sanepar, Tim e Volkswagen Financial Services.
O objetivo da atividade foi gerar e compartilhar conhecimentos sobre o funcionamento e as consequências esperadas de um sistema de comércio de emissões (SCE) do tipo cap-and-trade. Ao longo de dois dias, participantes da rede se reuniram na Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP) da FGV, assumiram papéis fictícios e experimentaram a situação de ter uma autoridade pública definindo um limite máximo (cap) de emissões de gases de efeito estufa (GEE) para o seu setor de atuação.
Atuando em equipes, as/os participantes exploraram as estratégias possíveis para manter suas emissões dentro do limite estabelecido, considerando os recursos disponíveis em caixa para operar. A cada uma das empresas fictícia foi dada a possibilidade de combinar ou adotar as estratégias de: (1) investir os recursos para reduzir as emissões internamente; (2) adquirir cotas (títulos de permissões de emissões) em leilões ou via outros agentes; (3) cumprir a regulação com a aquisição de títulos de fora do Sistema, os chamados créditos de carbono, oriundos do mercado voluntário.
Aprendizados compartilhados
Depois de três rodadas de negociações, em que as pessoas puderam testar várias possibilidades e desenvolver aprendizados a respeito do funcionamento do mercado, a equipe de docentes e facilitadoras/es do FGVces apresentou os resultados das negociações e o desempenho de cada empresa fictícia.
A partir da análise dos resultados, as equipes compartilharam as estratégias adotadas e trocaram aprendizados sobre as vantagens e desvantagens dos caminhos que trilharam para limitar suas emissões aos títulos concedidos ou adquiridos, ou seja, para fazer a ‘conciliação’ de suas emissões com os títulos disponíveis, como se fala no jargão do mercado.
A roda de aprendizados também permitiu que as pessoas dividissem com o grupo insights e compreensões que surgiram ao longo da Simulação, como a visão de que uma eventual atuação em grupo, por meio de uma coalizão de organizações, pode gerar resultados diferentes em uma negociação de títulos, por exemplo. Também foi trazida à tona, a percepção de que o inventário de emissões de GEE, passo fundamental para a gestão de emissões, adquire grande centralidade nesse cenário.
Para fechar a sessão, Guilherme Lefèvre, pesquisador e gestor de projetos do FGVces, destacou que objetivo não era que todas as empresas conseguissem conciliar suas emissões, mas sim que as pessoas pudessem experimentar diferentes estratégias e, a partir disso, refletir sobre quais decisões importam em um mercado de carbono com aquelas características.
O Simulado também foi um momento para enfatizar que o mercado de carbono regulado deve ser visto como um dos componentes da estratégia de clima das organizações, articulado com um conjunto de ações (inclusive voluntário) mais amplo da agenda como pontuou Marta Blazek, pesquisadora e gestora da rede Iniciativas Empresariais.
Vai dar tempo?
Para compor o encontro, a equipe das Iniciativas Empresariais convidou Ana Carolina Aguiar, consultora e professora da Escola de Administração de São Paulo (EAESP) da FGV, para uma conversa inspiradora sobre liderança para a sustentabilidade.
Suspendendo temporariamente as discussões técnicas, a professora propôs ao grupo uma série de reflexões sobre a importância do desenvolvimento da/do profissional da sustentabilidade em sua integralidade e sobre o papel que essas pessoas podem exercer enquanto agentes de mudança.
Lembrando que a pergunta “vai dar tempo?” pode ser respondida com outra indagação – “o que você faz com o tempo que você tem?” – , Carol ressaltou que não existe condição ideal para iniciar as transformações desejadas. É preciso dar o primeiro passo possível e usar o diálogo para encurtar as distâncias, pontuou.
Sobre as Iniciativas Empresariais e a Simulação
Iniciativas Empresariais (iE) é o nome dado à rede coordenada pelo FGVces que, desde 2010, une pesquisa e prática para acesso e construção de conhecimento para sustentabilidade empresarial.
As iE trabalham temas da sustentabilidade em ciclos de atividades anuais. Mercado de carbono regulado é o tema de 2024. Saiba mais em: https://eaesp.fgv.br/centros/centro-estudos-sustentabilidade/projetos/in...
Sobre a Sistema de Comércio de Emissões, a atividade é realizada pelo FGVces desde 2013 no âmbito da Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), ação criada para sensibilizar e engajar lideranças empresariais para a gestão e redução de emissões de gases de efeito estufa e a gestão de riscos climáticos. De lá para cá, centenas de empresas já experimentaram a prática, que permite o desenvolvimento de conhecimentos técnicos sobre o comércio de emissões e, consequentemente, apoia as organizações na elaboração de estratégias empresariais relacionadas à temática de clima.
